Manter os cães e gatos livres de vermes é importante não apenas para a saúde e bem-estar dos pets, mas também para evitar a transmissão de parasitos para humanos, que poderiam causar, por exemplo, o bicho geográfico e distúrbios no trato intestinal, sobretudo em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.





Segundo o médico veterinário e coordenador do curso de Medicina Veterinária da Universidade Anhanguera de São Paulo, Frederico Fontanelli Vaz, a vermifugação é muito importante nos primeiros meses de vida de cães e gatos para prevenir e tratar os temidos vermes, que podem causar doenças nos pets, além de alguns serem transmitidos para os humanos.





“Muitos medicamentos comerciais incluem na sua composição a proteção contra a maioria dos tipos de vermes que acometem os cães e gatos. Porém, outros medicamentos são mais específicos para determinadas parasitoses. Portanto, é sempre recomendável que o tutor administre o melhor medicamento indicado por um médico-veterinário, levando em conta raça, peso, idade, situação clínica, tipo de verme e outros fatores específicos de cada animal”, recomenda Vaz.





Quando vermifugar seu animal





A primeira dose deve ser aplicada entre 15 e 30 dias de vida dos pets, sendo reforçada a segunda dose 15 dias depois da primeira aplicação. O Conselho Tropical para Parasitos de Animais de Companhia recomenda a desparasitação em cães de 15 em 15 dias a partir de duas semanas de vida até o filhote completar 8 semanas. Em gatos, o conselho recomenda o início da desparasitação com 3 semanas de idade, repetindo quinzenalmente até 10 semanas de idade.





“Cumprir esse calendário nos primeiros dias de vida é importante pois nos primeiros 45 dias de vida dos bichos eles ainda estão sendo amamentados pela mãe, e nesse período é possível que vermes da mãe sejam transferidos para o filhote por meio da amamentação. Portanto, o controle de parasitos da mãe também é fundamental”, explica o veterinário.





Depois das 8 ou 10 semanas de vida, em geral, os pets precisam de doses de vermífugo mensais até os seis meses, de acordo com o Conselho Tropical para Parasitos de Animais de Companhia. Posteriormente, o intervalo pode ser aumentado para doses a cada três meses. Devemos lembrar que o uso indiscriminado de antiparasitários pode tornar populações de vermes ou de qualquer outro parasito resistentes a esses medicamentos. Portanto, todo esse processo deve ser acompanhado por um médico-veterinário e com exames de fezes regulares, a cada três ou quatro meses, para saber a real necessidade da administração do vermífugo.





O médico veterinário acrescenta que até mesmo os bichos que vivem dentro de casa ou apartamento podem ser expostos a contaminações, quando saem para passear com o tutor.





“Ovos de parasitos podem ser trazidos para dentro da residência por meio dos calçados dos tutores, por exemplo. Há ainda parasitas que podem ficar adormecidos no organismo dos pets e se desenvolver depois de muito tempo, por isso a importância de manter a constância de exames de fezes e vermifugação para evitar riscos ao bicho. Além disso, os parasitos dos cães e dos gatos devem ser muito bem controlados pelos potenciais riscos zoonóticos, principalmente a crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas”, alerta.





Doenças causadas por vermes





No geral, animais sem vermifugação podem ser acometidos por três principais grupos de doenças:





Toxocaríase: os vermes da família Ascaridae se alojam no intestino de cães e gatos e podem ser observados a olho nu pelo tutor nas fezes e vômitos de bichos contaminados. Em cães, pode causar morte devido à enterite e/ou bloqueio gastrointestinal, além de anorexia, diarreia, vômito, dor abdominal e baixa taxa de crescimento. Em gatos, geralmente, é assintomática. Em humanos, o verme pode causar dor abdominal, febre, hepatomegalia e tosse, pois a larva migra para órgãos como fígado, pulmão, cérebro e olhos, podendo comprometer o sistema neurológico e até cardíaco em alguns casos.





Ancilostomose: causada pelos Ancilostomídeos, parasitas que se alojam no intestino delgado, podem afetar humanos, cães e gatos, causando diarreia, muitas vezes com sangue, anemia e óbito nos pets. A contaminação é feita por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. Em humanos pode causar o popular “bicho geográfico”.





Tênias (Dipylidium caninum): parasita cestódeo, é um verme chato que pode ser transmitido para cães e gatos por meio das pulgas. Quando instalado no trato intestinal do pet, geralmente não provoca sinais clínicos, mas pode causar irritação no reto, e os animais esfregam ou “arrastam” o períneo no chão. Ocasionalmente pode ocorrer enterite e/ou obstrução intestinal. Os gatos são mais tolerantes a infestações por esse parasito. Em humanos é transmitido geralmente para crianças ao ingerirem pulgas infestadas, podendo apresentar irritação perianal e/ou distúrbios intestinais leves.





Boa alimentação reduz ocorrência grave de vermes





Uma das formas mais comuns de transmissão de vermes para cães e gatos é pelo consumo de água e alimentos contaminados. A nutrição adequada de qualquer animal dá suporte ao seu sistema imune e ajuda na prevenção de infestações parasitárias graves.





“No geral, não é indicado servir carnes cruas aos pets nem estimular a caça a outros animais, como aves, répteis e outros mamíferos, pois podem servir como fontes de contaminação de vermes gastrointestinais. É importante também fazer a limpeza de bebedouros e comedouros com regularidade, localizando-os longe do local de evacuação do pet, removendo diariamente ou imediatamente as fezes do pet. Recomenda-se também lavar o ambiente do animal com hipoclorito de sódio 1% para tentar reduzir a viabilidade de ovos e larvas de parasitos”.





Por fim, o professor reforça a importância de seguir as orientações do médico veterinário, observando a prescrição da quantidade de cada dose e intervalos de reforço, para assegurar a proteção correta do seu amigo de quatro patas.