No dia 1 de julho de 1952, a tradicional família Sanchez inaugurava aquele que seria o mais sofisticado e badalado restaurante da região, o Lagosta. Estava localizado em uma região privilegiada, bem próximo da Fortaleza do Itaipu, no antigo Jardim Mathilde, onde hoje conhecemos como Canto do Forte. Para ser mais exato, na esquina da Rua Tiradentes com a Avenida Presidente Castelo Branco (avenida da praia).









A construção chamava a atenção de todos, afinal, era algo muito novo para a época e jamais tinha-se visto algo do tipo em toda a região. O Lagosta, como era chamado, tinha linhas arrojadas em sua fachada, tornando-se referência do modernismo no litoral paulista. Bastou ser inaugurado para chamar a atenção da elite paulistana, que na época, descia a serra para passear aos finais de semana e ficar à beira-mar, nas praias do litoral.





Não demorou muito para o restaurante cair no gosto da pessoas, principalmente de moradores da capital que buscavam as conhecidas águas calmas e quase desertas praias para relaxar e repousar. A pequena vila que pertencia ao município de São Vicente, começou a ficar movimentada, se tornando o local predileto da alta sociedade paulista.





A área ao redor do restaurante era um grande reduto de grandes e belas casas de veraneio, que na maioria das vezes pertenciam a renomados artistas de época, empresários e personalidades políticas. Pessoas importantes já visitaram o local, como a apresentadora de TV, Hebe Camargo e o Ex-presidente da República, Jânio Quadros.





Mazzaropi, um grande artista nacional da década de 50, por exemplo, tinha uma bela casa de veraneio próximo ao Restaurante Lagosta. O então Governador do Estado de São Paulo, Dr. Ademar de Barros, também.





Nas decoradas mesas do restaurante Lagosta, membros da classe política se reuniam para discutir inúmeras questões que definiam a política regional e estadual.





O restaurante foi projetado pelos arquitetos Tinoco e Bivatelli, e devido as inúmeras características um tanto quanto "exclusivas", acabou por ganhar destaque na mídia da época. As linhas do projeto já indicavam no início da obra, um conceito de arquitetura modernista, cujo grande representante seria Oscar Niemeyer, arquiteto responsável por projetar Brasília, no Distrito Federal.





Dentre as características exclusivas do restaurante, estava a bela torre de aproximadamente cinco metros de altura, que inclusive, não era mero efeito decorativo. A torre tinha função inovadora para a época: era um grande reservatório de água pluvial, utilizada para limpeza do local em épocas de escassez.





Nos anos áureos, o local ganhou destaque devido aos seus importantes e badalados eventos que aconteciam quase que constantemente, podemos destacar: os jantares beneficentes, os desfiles de moda, as reuniões de associações e claro, as festas glamourosas.





Em 1997, quarenta e cinco anos depois de sua inauguração, o Lagosta fechou as suas portas definitivamente. Antes disso, o espaço havia passado pelas mãos de alguns locatários, e por fim, o prédio infelizmente acabou abandonado. As dívidas foram se acumulando, e, com muito pesar, os proprietários decidiram que a única saída era vender o imóvel.









Hoje, restam apenas boas lembranças e poucas imagens do lugar que por muitos anos, foi o ponto de encontro preferido das pessoas que visitavam a cidade. Atualmente, há três prédios residenciais no local onde ficava o tão querido Restaurante Lagosta.





As imagens utilizadas no decorrer desta matéria, fazem parte do acervo fotográfico do Historiador Cláudio Dias Sterque, de Praia Grande (Historiador PG).