Mês de junho - Mês do Orgulho LGBT. Um mês voltado a levantarmos alto nossas bandeiras para a visibilidade, lembrança de conquistas e lutas, homenagem àqueles que perdemos em suas batalhas, mas principalmente, mês de demonstrar o orgulho em sermos quem somos e relembrar um pouco do nosso caminho até aqui.





O dia 28 de junho é considerada o dia Internacional do Orgulho LGBT.   Essa data considerada um marco na luta pelos direitos LGBT no mundo, faz alusão a uma série de manifestações espontâneas da comunidade LGBT de Nova Iorque/ EUA, contra uma invasão policial no bar Stonewall Inn para combater o que era considerado à época como “conduta imoral”.        





David Carter, historiador e autor do livro “Stonewall: the riots that sparked the gay revolution” (publicado nos EUA em 2004), nos traz alguns estudos em evidências disponíveis, que ajudam a contextualizar aquele movimento e a época dos fatos.





Em meados da década de 1960, uma onda de liberdade, abertura e demanda por mudança estava crescendo naquele país e a cidade de Nova York aumentou a aplicação das leis anti-homossexuais, a tal ponto que o autor afirma que equivalia a uma tentativa de impor à polícia um estado de condições para um gueto homossexual.    Ainda segundo Carter, os motins de Stonewall foram “instigados e liderados pelos elementos mais desprezados e marginais da comunidade lésbica, gay, bissexual e transgênero.   No ano seguinte, em 1º de julho de 1970, organizou-se o que alguns creditam como a primeira para do orgulho para lembrar o episódio, segundo aponta David Carter em sua obra.





No Brasil, em 1995, a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersex realizou a sua 17ª conferência no Rio, que terminou com uma pequena marcha na praia de Copacabana.  Essa é considerada por alguns como a precursora das paradas do Orgulho no Brasil e, a partir daquele movimento, os coletivos LGBT se organizaram para planejar a primeira parada LGBT do país, realizada em 1997 na avenida Paulista, na capital paulista.   Na primeira edição teve entre 500 e 2000 pessoas.  Em 2019, a última realizada presencialmente por conta da pandemia, foram reunidos aproximadamente 3 milhões de participantes, segundo cálculo dos organizadores.





Santos por sua vez, embora seja uma cidade com histórico de lutas nas causas LGBT, apenas teve a primeira edição de sua Parada do Orgulho LGBT realizada em 2018, pelos esforços da Comissão Municipal de Diversidade Sexual de Santos, em parceria com outras entidades de direitos civis e o apoio da Prefeitura Municipal de Santos. E esse ano realizaremos a 5a Edição da nossa Parada, em formato presencial, após dois anos realizada em formato virtual, por conta da COVID-19.





Esse é um breve histórico sobre o mês, o dia e o contexto histórico até aqui.





Várias são as dores, descasos, desrespeitos e alijamentos que nós LGBT sofremos durante toda nossa jornada desde os primeiros registros históricos da civilização.   Histórias como as de Alan Turing (matemático e cientista britânico), cujos feitos relevantes para a humanidade podem ser pesquisados na internet (e parcialmente no filme “O Jogo da Imitação”) e as afrontas intolerantes sofridas até sua morte, apenas dão uma ideia sobre as dores que milhões sofreram e ainda sofrem nos dias atuais, seja por motivos diversos que vão desde a incompreensão e desconhecimento até o fundamentalismo “dito” religioso.





Mas nesse artigo, me permito falar de outro lado, sem deixar entretanto o repúdio a qualquer tipo de discriminação, violência ou intolerância.





Vamos falar de ORGULHO!!    Orgulho em ser quem REALMENTE SOMOS.





Qual o valor de podermos viver sem ter de nos esconder em guetos, em “personagens” ou em casulos de normas e padrões definidos pelos outros?





Pergunte isso a uma menina negra, que tem o JUSTO direito de brincar com seus colegas de escola no recreio e exibir seu cabelo com o penteado étnico que desejar, que achar bonito.





Pergunte a uma mulher que em uma seleção interna de uma empresa, é alçada a um cargo de diretoria e consegue manter o seu lado feminino, intuitivo e de “mãe”.





Pergunte a uma pessoa com deficiência de mobilidade que num evento social é inserido de forma natural nas rodas de conversa, respeitadas suas condições de acessibilidade.





Com pessoas LGBTQIAP+ a resposta será similar, se simplesmente forem tratadas normalmente, como qualquer ser humano, independentemente do quão diferente (ou igual) seja.





Essa sensação de pertencimento, de inserção, de coletivo certamente tem o mesmo valor em qualquer um dos exemplos acima.  O acolhimento e a visão humanística, que nada mais é do que enxergar o ser humano em si, como crachá.





E quando falamos de ORGULHO em sermos quem somos, é justamente dar VISIBILIDADE a essa busca.   Não se trata de busca de privilégios.    É usar o princípio da igualdade com base no pensamento de Aristóteles: tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais.





E essa é a luta do Orgulho.  Do mês do Orgulho.   Da defesa de nossos direitos.   Defesa dos “direitos humanos”, tão atacados com discursos distorcidos, mas talvez um dos principais alicerces de ainda termos alguma justiça social no mundo.





Tenho Orgulho dessa luta! Tenho Orgulho dos Coletivos que participo e de tantos outros que lutam pelas diversas bandeiras e causas.





Tenho Orgulho dos aliados que, mesmo não sendo de nenhuma das letras, sofrem por vezes o estigma por apenas serem empáticos com as pautas!





E, como não poderia deixar de ser, tenho ORGULHO da mulher que me tornei, dos espaços de fala que ocupo e, com certeza, das sementes que espalho por aí.... algumas varridas pelo vento da indiferença, mas outras ali... germinando ou guardadas para um momento mais fértil, mas que um dia poderão transcender e transpor barreiras, não pelo conceito do que é certo ou adequado para um ou outro... mas pela concordância de que o certo é simplesmente RESPEITAR a diferença do outro.





E você ?    Conhece alguma pessoa LGBT ?  





Se você tem algum amigo, familiar, colega de trabalho, colaborador ou qualquer outra relação, que tal mandar um olá, um cumprimento sobre o mês, alguma imagem ou simplesmente uma mensagem positiva?  





Acreditem... uma mensagem dessa pode fazer MUITA DIFERENÇA na vida de quem recebe, pois não é sobre aceitar, concordar, ser igual ou pensar diferente... é simplesmente sobre respeito, sobre ser humano.





Vamos tentar?





Obrigada por compartilharem esse espaço e ideias comigo... sigamos orgulhosamente fazendo nossa parte, de forma igual dentro de tudo aquilo que nos faz diferentes





Até o próximo artigo.