Na primeira vez em que pilotei um Volkswagen Fox, o Jornalismo Automotivo era uma espécie de vento na minha vida profissional: eu sabia que existia e até o sentia, mas não era algo que pudesse se concretizar. Não naquele momento. E como o mundo dá voltas…essa era uma das músicas que eu ouvia a bordo do Gol prata 2002/03 que tinha comprado no início daquele ano de 2005. Tocava muito CPM 22 no som que eu precisava tirar a frente quando estacionava na rua, até o dia em que não o fiz e fizeram por mim. Mas isso é outra história.






Voltemos ao Fox. Acompanhei bem o lançamento por gostar de carros e pela amizade com o Peterson, que não só por ser funcionário da Volkswagen falava muito bem do carro. De minha parte, achei a ideia do design inovadora. Um hatch, que não chegava nem a ser médio, oferecia amplo espaço interno e a posição mais altinha de dirigir. Foi por esse motivo que o Fox ganhou a preferência das mulheres de imediato. A própria Volkswagen dizia que elas se sentiam mais seguras. Traçando um paralelo, este é o motivo que leva muitas a preferirem os crossovers e SUVs que temos hoje.






Quer dizer: o Fox foi vanguarda nesse conceito.






Eu precisava ir a São Paulo e o Peterson era proprietário de um Fox, que saía da fábrica com o motor flex, naquele momento algo relativamente novo. Como na época valia muito a pena abastecer com álcool e meu carro era 100% a gasolina, trocamos de carangas em um sábado. E, de fato, que carro bacana de dirigir! Posição mais altinha, segurança, bom motor e econômico. Daqueles carros em que você anda 200 metros e parece que ele é seu há anos. Carro que você se acostumava fácil. E econômico. Repus o combustível que gastei pagando bem pouco.






Uma década depois, já no universo automotivo, dirigi o então novo Fox quando a Volkswagen ofereceu uma avaliação pelo período de uma semana. Outra experiência monstruosamente agradável. Carro que você tem na mão e, sim, muito econômico. Tinha até tilt down, quer dizer, engatava a ré e o retrovisor do lado direito já direcionava para o chão.






Mas histórias têm princípio, meio e fim. E a do Fox acabou nesta semana. Oficialmente, porque na prática a informação surpreendeu um total de 0 pessoas. Pela nota oficial, o Fox sai para dar espaço ao T-Cross na fábrica de São José dos Pinhais (PR). Na realidade, o carro já vinha dando espaço a outros modelos em todos os aspectos. Depois que vieram o próprio T-Cross, além de Nivus e Taos, estava claro que o Fox iria ser descontinuado. As primeiras versões nem eram mais produzidas. Estava tudo muito específico.






A verdade é que o Fox perdeu espaço para outras formas e valores do mercado. Novos designs e novos gostos deixaram o “altinho” de lado. E teve uma época em que com R$ 70 mil era possível comprar um SUV mais moderno pelos planos pcd. O Fox foi perdendo espaço para carros com maior estrutura e a posição de dirigir não segurava mais o público. Sem contar que as modernizações que iam para outros modelos não chegavam até ele. O fim era inevitável.
É a lei do mercado. Fica a tristeza, porque falamos de um carro bem legal e que foi precursor de conceitos. Fox, agora, só usado. Mas ainda vale a pena usar.






Adeus, Fox! E obrigado!






Aceleremos!!