O Santa Portal recebe a avaliação do Corolla Cross XRX Hybrid bem antes da publicação no site Auto Aventura. E digamos que a razão esteja no que chamamos de linha editorial. No site temos uma avaliação mais técnica, enquanto neste espaço damos mais abertura às opiniões.





E é preciso opinar bastante a respeito do híbrido da Toyota.





Em primeiro lugar, é necessário entender que a relação entre a marca nipônica e o universo híbrido tem sido a mais harmoniosa possível. Até 2019 a Toyota ofereceria para o mercado brasileiro o Prius, de design pouco convencional e desempenho surpreendente. Apresenta o que se espera de um carro híbrido montado em uma plataforma leve: extremamente econômico na cidade e “bebendo” um pouco mais nas rodovias, mas isso é característico do segmento. Nessa linha de híbridos a Toyota responde ainda pela Lexus, marca totalmente voltada ao setor, mas com modelos bem mais luxuosos. Tem verdadeiras joias em seu portfólio, carros fantásticos que vale a pena experimentar.





Mas falamos da Toyota e de sua relação com o mundo híbrido. O Prius vai muito bem, obrigado. Então a marca lançou, lá em setembro de 2019, um segundo produto ligado á eletrificação, mas este já bem conhecido do público. Era a vez do Corolla ganhar versões híbridas. Mantinha a Toyota as variantes a combustão, mas passava a entregar uma opção a mais.





Só que esta não era a única novidade. Além do Corolla ganhar versões híbridas, estas vieram com motor flex. E aí entrava um ponto inédito no mercado brasileiro, pois um carro híbrido que permitisse o abastecimento com etanol (ou álcool, como preferir) era impensável até pouco tempo antes. Tratava-se, na época, como algo que transcendia uma ousadia da Toyota, podendo lançar uma tendência ao mercado nacional: carros híbridos com motor flex.





O Corolla até seguiu a mesma linha do Prius no desempenho. Tivemos a oportunidade de rodar com uma versão híbrida do sedã durante uma semana e o desempenho se deu dentro do esperado para a configuração apresentada. Descer a serra, por exemplo, foi um deleite com o motor a combustão desligado e o carro praticamente deslizando com o uso da parte elétrica. Além do silêncio na cabine, todo o trecho de serra se deu com zero consumo de combustível. Estava definida a receita para um estrondoso sucesso.





Então chegou o ano de 2021 e a Toyota precisava trazer um novo modelo para o mercado, já dentro do conceito de carro híbrido flex. Trouxe um crossover com grandes dimensões e as mesmas amplas possibilidades oferecidas pelo Corolla. E nada melhor do que pegar o nome do modelo consagrado para batizar o novo veículo. Chegou, então, o Corolla Cross. O carro tem boa estética, um espaço interno como poucos oferecem e toda a tecnologia da marca, além de um motor híbrido flex. É neste ponto que as coisas já não caminham como andaram em outros tempos.





Falamos especificamente sobre consumo, um dos pontos mais fortes e relevantes de qualquer carro híbrido. Para entendermos o Corolla Cross, vamos repassar como funciona o sistema híbrido: basicamente são dois motores, um a combustão e outro elétrico. Quando você trafega sem acelerar (na inércia, sem forçar), o motor elétrico entra em operação. Se acelerar mais forte é a vez da combustão. E tudo funciona de modo automático. A bateria do motor elétrico não precisa ser carregada em rede elétrica. O carregamento acontece na desaceleração e na frenagem. É por este motivo que carros híbridos são mais econômicos na cidade. Como na maior parte das vezes o trânsito não permite fortes acelerações, o motor elétrico é bem mais acionado. Nas rodovias não tem jeito.





Mas lembra que o Corolla Cross é híbrido e flex? Pois é, com etanol no tanque há um problema sério de consumo. A média de 13 km/l não aparece no ponteiro e, sobretudo, na autonomia, que cai vertiginosamente conforme o uso. É algo assustadoramente diferente do que ocorre quando há gasolina no tanque. Vá com o carro de São Paulo a Santos e perca quase ¼ no tanque. E, sim, falamos em descida de serra, quando somente o motor elétrico está em operação. Isso não muda (e a autonomia chega a ultrapassar 1 mil km), mas não resolve depois de concluído o percurso. Na cidade segue o maior uso da parte elétrica.





O curioso é que o Corolla Cross, segundo a ficha técnica, é um pouco mais leve que o sedã. Poderia haver uma justificativa com base no peso, mas não é o que acontece.





Portanto, se você for comprar um híbrido flex, veja a necessidade que terá. Se for andar só na cidade, bota etanol e seja feliz. Terás um belo carro nas mãos, um modelo repleto de tecnologias e muito confortável. Se pegar muita estrada, vai de gasolina. Então conseguirá um bom desempenho, gastando pouco.





Aceleremos!!