Após ter lançado “O Último Duelo” em menos de dois meses, o cineasta Ridley Scott voltou a explorar o mundo da classe alta depois de “Todo Dinheiro do Mundo”, em “Casa Gucci“. Com o marketing centrado no elenco principal compostos pelos renomados Jared LetoAl PacinoAdam Driver e Jeremy Irons, o público mirou apenas em um nome: Lady Gaga. Em seu primeiro grande papel como vilã, ela consegue nos entregar um trabalho bastante complexo e nós vemos uma desconstrução totalmente surreal por conta dos seus olhares, feições e até mesmo gestos. Realmente “Casa Gucci” é um longa que certamente irá marcar a filmografia desta.





Inspirado em fatos reais e baseado no livro de Sara Gay Forden, aqui ela vive Patrizia Reggiani, filha de um simplório dono de uma companhia de caminhões e que se apaixonou por Maurizio Gucci (Driver). O relacionamento de ambos acaba afetando toda a família deste, pelo simples fato deles serem donos de uma das mais respeitadas grifes mundiais e ela ter um gênio bastante obsessivo e controlador.









Imagem: Universal Pictures/MGM (Divulgação)





Pode-se dizer que Scott dividiu a produção em dois atos, aos quais em um ele mostra a parte abordando a relação familiar dos Gucci com Patrizia e no outro as partes judiciais e financeiras, que aos poucos começaram a se colapsar. Como estamos falando de uma produção com cerca de 2h36, é notável que o diretor quer que você tenha uma base sobre o contexto da trama antes de embarcar na sessão. Um claro exemplo é os arcos que apresentam a época de crise da marca, que é apresentado de uma forma rasteira e jogado apenas com fatos “mais simples” para quaisquer espectadores leigos no assunto.





Em compensação temos um elenco central sensacional, onde apesar de termos Driver e Irons ótimos em seus papéis, há uma séria briga entre Gaga, Pacino e Leto (que serve como um alívio cômico na produção) sobre quem trabalhou melhor. E isso é perceptível na maioria dos momentos aos quais vemos os dois primeiros trabalhando juntos em cena (algumas chegam até a assustar, de tamanho realismo). Não hesito em dizer que possivelmente veremos Gaga e Pacino sendo lembrados nas premiações de cinema, e até mesmo no Oscar. Embora a primeira esteja em um âmbito, aos quais chegamos até a sentir medo da mesma (por conta de suas atitudes, em relação a Maurizio).





Como estamos falando de uma produção que se passa em plenos anos 70 e 80, é ai que o aspecto técnico entra com maestria. Seja por intermédio do design de produção, figurino (que certamente vai ganhar o Oscar), e até mesmo com algumas músicas, tudo nos faz voltar no tempo e sentimos realmente estarmos naquela época.





Mesmo com seus problemas no roteiro, “Casa Gucci” consegue ser uma produção que não usa grandes nomes de enfeite e mostra que eles conseguem ter glamour e talento em uma trama que realmente necessita disso.