Com homologação entregue, Porto de Santos passa a receber navios de 366 metrosPatrícia Nunes/Santa Cecília TV

PORTO DE SANTOS - O Porto de Santos recebeu nesta terça-feira (23) a homologação da Marinha do Brasil para receber navios de 366 metros, que são as maiores embarcações previstas para a Costa Leste da América do Sul. A apresentação aconteceu na sede da Santos Port Authority (SPA), em Santos, onde o termo foi entregue.

Atualmente o Porto recebe, no máximo, embarcações de até 340 metros de extensão, com capacidade para cerca de 9 mil TEU. Com a possibilidade de trazer navios maiores, a capacidade irá subir para 14 mil TEU, considerando um navio porta contêiner com 366 metros de comprimento e 52 metros de boca (classe New Panamax). 

A autorização para receber navios maiores amplia a possibilidade de Santos ser um ‘hub port’ da América do Sul. O cais santista atua com quase 30% da corrente de comércio nacional, e já se prepara para maiores movimentações de contêineres, com as ampliações previstas dos terminais já existentes e o planejamento da destinação de outras duas áreas, no Saboó, margem direita, uma para terminal portuário e outra para retroportuário. 

O presidente da SPA, Fernando Biral, falou sobre a homologação. "Recebemos essa notícia com muita satisfação, foi um processo árduo, difícil. Estamos felizes em celebrar esse momento tão especial. O ex-presidente Casemiro Tércio (atual diretor de Assuntos Portuários do Sistema Santa Cecília de Comunicação) iniciou essa jornada, com esforço de várias entidades para que chegassemos a esse momento. Comunhão de interesses, entidades trabalhando juntas para que o Porto possa crescer e mudar de patamar. Estamos muito otimistas com os benefícios do 366. Nos dedicamos integralmente a isso, o Brasil depende de Santos, digo também que o mundo depende de Santos. Pretendemos deixar um legado e o 366 faz parte dele", disse.

A BR do Mar deve beneficiar o Porto como concentrador de carga. O projeto é do Ministério da Infraestrutura, e prevê o incentivo à cabotagem. Mesmo sem considerar a BR do Mar, o crescimento previsto é de 3,3% ao ano para este tipo de carga, saindo hoje de cerca de 4,4 milhões de TEU para 7,9 milhões em 2040, conforme projeção do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos, aprovado no ano passado. TEU é a medida padrão, equivalente a um contêiner de 20 pés.

Fábio Lavor, secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários representou Diogo Piloni, titular da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA). Ele destacou a importância dessa conquista para o cais santista. "Esse marco atingido, com a possibilidade de receber o navio 366, coloca Santos em outro patamar. Faz parte da busca que temos apregoado para um maiior crescimento, uma maior eficiência, para fazer definitivamente de Santos um dos maiores portos do mundo", afirmou. 

O capitão dos Portos do Estado de São Paulo, Marcelo de Oliveira Sá, também comemorou o feito alcançado pelo Porto de Santos. "Hoje é o primeiro passo para iniciarmos grande contribuição para a nossa sociedade. Os númneros expressam a magnitude do nosso porto para a cidade, região e país. Tenho certeza que será uma grande contribuição para alavancarmos a nossa economia. A Marinha também se debruçou nesse processo, participou ativamente dessa luta. Gostaria de enaltecer o trabalho e esforço de todas as entidades envolvidas. Claro que temos um logo caminho a percorrer, mas hoje demos um passo importante que coloca o Porto de Santos no lugar que ele merece", comentou.

Uma parceria entre a SPA, Praticagem de São Paulo e a Universidade de São Paulo (USP) estudou e realizou simulações de manobrabilidade, interação hidrodinâmica e planos de amarração, comprovando a viabilidade de tráfego dessas embarcações no canal de navegação. 

Foram utilizadas simulações matemáticas para levar em conta o canal, atualmente com 15 metros de profundidade e um cenário futuro, com profundidade de 17 metros, que seria viável até para navios de 15 mil TEU. 

A Brasil Terminal Portuário (BTP), a DP World e a Santos Brasil fizeram, cada uma, um estudo sobre a manobrabilidade e viabilidade de chegada de embarcações desse tamanho em seus terminais e os entregaram à SPA, que consolidou os trabalhos, submetendo à análise da Capitania dos Portos de São Paulo e à Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil.

O acompanhamento que a SPA faz do mercado aponta que a movimentação de contêineres vem aumentando de forma constante ao longo dos anos. Houve um recuo pontual na primeira metade do ano passado, com recuperação a partir de julho, que chegou ao recorde mensal em dezembro. 2021 já começa com recorde estabelecido em janeiro e a perspectiva é de que o crescimento seja ainda maior, com a autorização da chegada de navios de 366 metros.

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