Carreira no hóquei, obcecado por tecnologia e ofensivo: conheça Ariel Holan, novo técnico do SantosDivulgação/Universidad Católica

SANTOS FC - Anunciado pelo Santos Futebol Clube, Ariel Holan, de 60 anos, não é um veterano do futebol. Muito pelo contrário. O treinador argentino trabalhou durante décadas com o hóquei sobre a grama. A transição para o futebol incluiu estágios com treinadores de seu país, antes de alçar voo solo em meados de 2015, assumindo o Defensa y Justicia.

Mas para chegar ao mais alto nível do futebol sul-americano o caminho foi árduo para Holan. Ele tinha como sonho ser jogador de futebol, mas desistiu da carreira aos 14 anos, por pressão de seus pais que queriam que ele fosse advogado. "Eu comecei como técnico de hóquei durante 25 anos da minha vida, mas o futebol sempre foi a paixão da minha vida. Joguei hóquei porque não pude jogar futebol, pois os meus pais queriam que eu estudasse. Aos 14 anos comecei a jogar hóquei, comecei a minha carreira como treinador aos 16, 17 anos”, disse o argentino, em entrevista para a Santos TV.

A carreira no hóquei sobre a grama teve entre os seus principais feitos a medalha de bronze dirigindo a seleção uruguaia da modalidade nos Jogos Pan-Americanos de 2003. O torneio foi disputado na República Dominicana.

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Foto: Reprodução/Internet

Após esse feito, Ariel Holan começou a preparar terreno para a troca de esporte. Os primeiros trabalhos foram como analista de desempenho e auxiliar técnico. “Nos anos 2000, iniciei a transição de um esporte para outro e comecei a minha primeira etapa no futebol como auxiliar. Nessa primeira etapa comecei a trabalhar com Jorge Burruchaga, no Arsenal de Sarandí, Estudiantes de La Plata e Independiente. Posteriormente, trabalhei nas categorias de base do Argentinos Juniors, e rapidamente saí para fazer parte da comissão técnica do River Plate, em 2011, que fez o clube voltar à primeira divisão, trabalhando como assistente de Matías Almeida. A partir dali, já pensava em assumir uma equipe definitivamente, comecei como treinador da minha primeira equipe na primeira divisão, o Defensa y Justicia”, comentou.

No período treinando no hóquei sobre a grama e atuando como assistente em várias comissões técnicas, Holan desenvolveu uma de suas maiores habilidades: a paixão por estatísticas. O apreço pela tecnologia, entretanto, virou alvo de críticas e deboches na Argentina.

Obcecado por análises de desempenho e tecnologia, o argentino chegou a vender o seu carro para comprar um computador Macintosh, em um período no qual esteve desempregado. Antes, nos tempos de hóquei, Holan também havia vendido um automóvel para comprar 20 relógios da marca Polar S610 e mapear o desempenho de suas jogadoras.

“Eu sempre digo que a tecnologia não faz os resultados, mas por outro lado creio que é muito importante ter a tecnologia no processo de treinamento para contribuir no entendimento do que o técnico pretende dos jogadores. Há distintas ferramentas tecnológicas que contribuem com o armazenamento de dados, algo que é muito importante. Do ponto de vista conceitual, tanto de análise quanto armazenamento de imagens, são muito importantes para você ter as melhores informações e organizar os treinamentos, a preparação da equipe”, afirmou.

Ariel Holan é um grande fã do uso de drones na preparação de suas equipes. “Comecei a trabalhar muito cedo com drone e na parte física, os registros médicos, nutricionais e GPS. Todas essas ferramentas e muitas outras mais servem para dar mais dados e aproximar a vitória”, explicou.

Todo esse histórico foi moldando o perfil estudioso e detalhista de Ariel Holan como técnico. Ele assumiu o Defensa y Justicia em 2015. O seu trabalho por lá o qualificou para um desafio ainda maior: treinar o Independiente, um dos maiores clubes do futebol argentino e seu time de coração.

Em um ambiente cercado por pressão, Holan conseguiu dar uma identidade para a sua equipe. Com um futebol ofensivo e de qualidade, o time de Avellaneda foi campeão da Copa Sul-Americana em 2017, conquistando a taça diante do Flamengo, no Maracanã.

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Foto: Divulgação/Independiente

Apesar do título internacional, Ariel Holan também enfrentou críticas no clube argentino. Foi alvo de críticas dos “barra bravas” do Rojo e teve como um de seus maiores desafetos o diretor esportivo do Independiente Jorge "Puma" Damiani. Em maio de 2019, Holan deixou o time.

Em 2020, o treinador foi convidado e aceitou o desafio de comandar a Universidad Católica. No time chileno, ajudou no desenvolvimento de jogadores como o zagueiro Kuscevic, atualmente no Palmeiras, e do meia César Pinares, que está no Grêmio.

Com uma grande campanha, Holan levou a Católica ao histórico tricampeonato chileno. Porém, sem um grande orçamento para a temporada 2021, ele optou por exercer a cláusula de saída e deixar o clube.

Ironicamente, o argentino assume o Santos, que está punido pela Fifa e não pode contratar novos jogadores. Na Vila Belmiro, a sua missão será elevar o potencial dos jovens oriundos da base e aproveitar ao máximo o talento das estrelas Marinho e Soteldo.

O esquema tático preferido de Holan é o 4-3-3, com imposição sobre o adversário com a posse de bola e sempre acionando bastante os pontas.

Desta forma, Holan pretende que esse futebol ofensivo seja a marca de sua passagem pelo Peixe. “Confiamos plenamente que vamos fazer um grande trabalho. A equipe terá uma identidade clara de futebol, com uma mentalidade ofensiva. Confio plenamente que vamos entregar um bom resultado para a torcida, que os jogadores mais novos serão aproveitados com os mais experientes. Será um desafio particular trabalhar em uma das ligas mais equilibradas do mundo. Sei que é uma responsabilidade muito grande, mas estou animado”, concluiu.

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Foto: Divulgação/Universidad Católica