Qual é o tipo mais seguro de máscara contra a covid-19? Infectologista explicaDivulgação
COVID-19 - Na França, apenas três tipos de máscaras são permitidos em espaços públicos: as cirúrgicas, as FFP2 (equivalente a N95) e as de tecido industrial categoria 1, que filtram pelo menos 90% das partículas de três micras. Já na Alemanha, as caseiras de qualquer tipo são proibidas em lugares fechados - só é possível entrar neles usando uma FFP2 ou uma KN95, que são consideradas equipamentos de proteção individual (EPIs). As medidas foram tomadas diante do que se sabe sobre o vírus hoje e as mutações que têm surgido. França e Alemanha se posicionam em 6º e 10º lugar, respectivamente, na lista de países com o maior número de infectados, segundo o mapa da Universidade Johns Hopkins.

Essas restrições não vigoram no Brasil, mas o país já tem a presença de novas cepas, como a variante britânica, que chegou à Baixada Santista. No dia 16 deste mês, foi confirmado o caso de um enfermeiro de Peruíbe de 45 anos que trabalha em São Paulo, mas não fez viagem ao Reino Unido. Já a cepa de Manaus é menos contagiosa, mas já foram detectados casos em São Paulo.

Será que com as novas mutações o uso de máscaras mais reforçadas é necessário por aqui? É o que o infectologista Ricardo Hayden recomenda desde o início da pandemia. Para ele, as máscaras N95 são as mais adequadas.

"É preciso fazer um rodízio de máscaras de acordo com a quantidade de horas de uso. As N95 costumam durar 30 dias, desde que a pessoa tenha de cinco a sete máscaras para revezar. A pessoa pode marcar cada máscara por uma numeração, para cada dia. Aquelas que foram usadas de três a quatro dias antes não têm mais risco de transmissão, então podem ser reutilizadas. Mas não se deve usar álcool para desinfetá-las", explica o especialista.

Ainda de acordo com Hayden, colocar um filtro de papel, aqueles usados para fazer café, entre o rosto e a máscara, pode ser um adicional.

No entanto, nem sempre a N95 é a opção mais barata ou acessível. Por isso, Hayden diz que usar duas máscaras, uma cirúrgica e outra com três camadas, pode ajudar na proteção e tem um custo bem mais reduzido.

De acordo com Hayden, um tipo de máscara que está fora de questão é a com filtro: "este tipo é para quem trabalha em construção, lida com poeira", diz. "O filtro não filtra o vírus, ele entra por ali e sai por ali". Ou seja, o filtro da máscara é feito para absorver partículas de poeira de construção, mas não serve como barreira para o vírus da covid-19. 

Mutações x Vacinas 
Em coletiva de imprensa em 8 de fevereiro, o Governo do Estado de São Paulo afirmou que a vacina do Butantan tem eficácia contra as cepas britânica e sul-africana do novo coronavírus. Nos testes realizados com as mutações, foi notado um bom desempenho das vacinas com vírus inativado, o tipo de tecnologia usado pelo Instituto Butantan. Análises da cepa amazônica ainda estão sendo realizadas.

“Estamos testando com a variante amazônica. Já estamos fazendo inclusive com amostras de soro de pessoas vacinadas aqui no Brasil. Brevemente teremos esses resultados e acreditamos que, pela própria forma como a vacina é produzida, essa possibilidade de ter escape, de não ter a resposta, é bem menor”, explicou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.