Morador de Peruíbe é o primeiro caso confirmado da cepa britânica da Covid-19 na Baixada SantistaBreno Esaki/Divulgação Agência Saúde

BAIXADA SANTISTA - Um morador de Peruíbe é o primeiro caso da variante do Reino Unido da Covid-19 confirmado na Baixada Santista. A informação foi revelada por José Eduardo Levi, pesquisador do Laboratório de Virologia, do Instituto de Medicina Tropical, da Faculdade de Medicina da USP – IMT/FMUSP, em contato com a reportagem do #Santaportal.

Segundo o pesquisador, esse paciente não fez viagem ao Reino Unido. Trata-se de um enfermeiro, de 45 anos, que atua em São Paulo. “Ainda são poucos casos confirmados da variante britânica. Um desses casos é desse homem, morador de Peruíbe. Essa é a variante mais transmissível da Covid-19. Ele não viajou para o Reino Unido, portanto se trata de uma transmissão local. A exposição no ambiente de trabalho pode ter facilitado a infecção”, explicou Levi, em entrevista exclusiva.

O pesquisador revelou que, dentre outros casos suspeitos dessa cepa britânica, ainda há outro caso da região. “Temos uma paciente de Santos, uma mulher, cujo caso ainda está sendo analisado se é dessa variante do Reino Unido. O caso dela ainda está em sequenciamento genético. Esperamos que o resultado saia nos próximos dias”, disse.

A Secretaria Municipal de Saúde de Peruíbe informa que foi comunicada nesta terça-feira (16) pelo laboratório Dasa, de que o sequenciamento da amostra de um paciente de Peruíbe, realizado no Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) confirmou se tratar da variante do Reino Unido B.1.1.7.

Além do caso de Peruíbe, sete casos da variante britânica da Covid-19 já tinham sido registrados no Estado: cinco na capital paulista e outros dois pacientes em Sorocaba, no interior paulista.

Apesar de cientistas terem apontado que essa variante britânica seria mais letal, Levi destacou que ainda não há dados que sustentem essa afirmação. “Temos três variantes circulando no mundo: a do Amazonas, a do Reino Unido e outra da África do Sul. Até agora, o que sabemos é que a cepa britânica é mais transmissível. Não é possível dizer que ela é a mais letal”, concluiu o pesquisador da USP.

De acordo com cientistas do governo britânicos, existem indícios de que a variante do novo coronavírus detectada no Reino Unido pode ser mais mortal do que o vírus original.

Alguns estudiosos dizem que essa cepa pode apresentar um maior risco de hospitalização e morte, porém ainda não é algo cientificamente comprovado.

Segundo os pesquisadores britânicos, também existe a possibilidade de que essa variante, chamada de H69/V70, cause alterações em partes importantes da estrutura do vírus.

Dados do Centro Europeu para Controle de Doenças (ECDC) informam que a nova cepa circula desde novembro no Reino Unido.