Santistas relatam histórias bizarras envolvendo garraduendesReprodução/Redes Sociais

SANTOS – Quem se aventura em ter um garraduende, ou duende engarrafado, deve se preparar para viver verdadeiras histórias bizarras e até sobrenaturais ao lado desses elementais. Para quem acredita, cuidar e mimar o serzinho pode trazer fartura e boa sorte. Mas caso sejam ignorados ou maltratados... as histórias mostram que as experiências podem ser nada positivas.

A estudante de Geografia, Patrícia Brum, de 20 anos, teve um contato impressionante com um duende. A santista ganhou um exemplar da mãe e da tia aos 17 anos, durante uma viagem para São Thomé das Letras. Não demorou muito tempo para que experiências impressionantes começassem a acontecer.

“Toda a vez que eu a via ou tocava na garrafa, sonhava. Era o mesmo sonho. Eu estava em uma rua de pedras e via uma lojinha. Entrava e encontrava um senhor fazendo trabalhos manuais. Perguntava a ele onde a senhora estava, ele sorria e o sonho ia embora”, relatou.

Por conta da repetição, Patrícia tomou uma decisão: iria a São Thomé novamente para tentar entender o que significava. Juntou dinheiro e levou Maiuí, sua duende, em uma excursão.

“Eu rodei a cidade inteira em busca do local em que a minha elemental havia sido vendida. Não achei. De repente, me lembrei de uma loja de cristais que ficava perto. Encontrei e conversei com a atendente. Ela me contou que conhecia a artista que fez minha garraduende. Descobri que a senhora tinha passado por problemas familiares e decidiu fechar a loja. Na volta para o hotel, senti que a Maiuí estava ‘aliviada’ de saber o que tinha acontecido”, disse.


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Naquele dia, a estudante decidiu tirar a tampa da garrafa e deixar a garraduende livre. “Parece que serviu de consolo escutar o que aconteceu. Desde então, os sonhos pararam e eu, sempre que posso, volto lá”, falou.

O caso da técnica de enfermagem Ingrydd Freitas, de 21 anos, também é bem impressionante. Assim como Patrícia, o duende veio de São Thomé das Letras. “Muitos dizem que a própria cidade tem duendes, e até uma passagem para o Peru. Quando o vi, sabia que o nome dele era Dudu. Cuidei e mimei assim que chegou em casa, mas um dia cheguei, a garrafa estava quebrada e ele para fora. Foi aí que entendi que ele gostaria de aproveitar mais a casa”.

De acordo com a jovem, se você acreditar e depositar energia, é possível aproveitar tudo o que os seres têm a oferecer.

Já para Amanda Gonçalves, de 21 anos, a história foi bem diferente. E não tão positiva assim. “Sempre colocava uma maçã, mas passaram meses e eu esqueci dele. Minha chave sumiu e eu fiquei louca atrás dela, limpei a casa toda achando que poderia estar em algum lugar caída e não achei. Na mesma noite, sonhei com ele andando pela casa e ele estava feliz. Assim que acordei, tirei da garrafa e no dia seguinte, achei a chave debaixo da cama, sendo que eu já tinha olhado lá para limpar”.

Além disso, a estudante também relatou mudanças de posição. “O meu veio na garrafa como todos. Em volta da garrafa vem uma pedra, ele estava sempre de frente para a pedra. Certo dia, ele estava de lado! Sem falar das vezes que a garrafa ficou molhada por dentro como se estivesse respirando”, disse.

Sobrenatural ou imaginação?

De acordo com especialistas, tudo depende da crença de cada um. Mas uma coisa é fato. Há muita história bizarra envolvendo esses seres.

O #Santaportal reuniu outros relatos de moradores de Santos com duendes.

“Com uns dois ou três meses dele aqui em casa, muitas coisas começaram a acontecer. O primeiro sinal foi de vagalumes perto e sumir coisas. Depois, começaram a aparecer viagens e empregos para as pessoas para quem o apresentei. Mas a experiência mais marcante foi de uma maça mordida. Coloquei para que ele captasse a energia e quando fui olhar, tinha uma marca de mordida do tamanho da mandíbula dele” - Luciana, 30 anos, estudante de pedagogia

“Um dia antes de chegar aqui em casa, sonhei com ele. No sonho ele era ruivo e tinha a roupa roxa, quando fui abrir a caixa ele REALMENTE era ruivo e tinha a roupa roxa. Fiquei em choque. Também sonhei que ele me pedia para tirá-lo” – Marcela, 25 anos, micropegmentadora

O que são os garraduendes?

Os duendes são responsáveis pelo mundo vegetal e todo o ciclo da natureza. Temperamentais e conhecidos como “interesseiros”, também estão intimamente ligados ao lar e a vida familiar.

A lenda diz que tudo o que oferecer a ele, a retribuição é 10 vezes maior. No entanto, se prometer algo a ele e não cumprir, dizem que coisas importantes começam a sumir.

No Brasil, os garraduendes são vendidos em São Thomés das Letras, em Minas Gerais, e levados para diversos estados.

Um exemplar pode ser encontrado por valores entre R$ 60 e R$ 180.

Recomendações

A lenda diz que para que o garraduende leve harmonia e boa sorte para o lar e pessoas apresentadas a ele, um ritual precisa ser seguido:

  1. Escolha um nome;
  2. Apresente-o para o seu novo lar e o mime com moedas, maças (de preferência verde), mel, leite e/ou flores;
  3. Para fazer um pedido, pegue um pedaço de papel, escreva o pedido e passe no cristal mágico a garrafa. Depois amarre-o com uma linha, retire a rolha da garrafa, coloque seu pedido dentro dela (deixando a linha para fora) e tampe-a. Em 24 hotas, retire o pedido, queime-o e sopre as cinzas ao vento. Agradeça ao garraduende;
  4. Para prosperidade, coloque uma moeda dentro da garrafa.

O outro lado da história

Apesar das histórias das santistas terem, em sua essência, um viés positivo, especialistas alertam que pode não ser uma boa ideia manter elementais enclausurados em uma garrafa. Não por medo, mas sim por respeito.

O site Além de Salém, voltado exclusivamente para assuntos místicos, escreveu que é como manter prisioneiro para ter pedidos atendidos. Não parece uma boa maneira de praticar magia.

O perfil do Instagram @caldeiraodemisterios também reforçou que os garraduendes devem ser usados apenas para decoração, por alguns motivos: pode atrair entidades errantes em busca de oferenda, gastar dinheiro com alimentos para agradar o que pode nem ser um duende e criar uma entidade com a força do pensamento, que, com o tempo, pode se alimentar da energia de moradores da casa.