Deputada federal Joice Hasselmann conhece instalações da UnisantaFabiano Roma/Santa Cecília TV

ENTREVISTA EXCLUSIVA - A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) conheceu nesta quarta-feira (13) as instalações do Complexo Educacional Santa Cecília. Joice também esteve no Sistema Santa Cecília de Comunicação, onde conheceu a redação e os estúdios do local.

A parlamentar chegou na manhã desta quarta e foi recebida pela Alta Direção do Complexo Educacional na sala da Presidência. Depois, Joice Hasselmann conheceu o InovFabLab Unisanta, conheceu as clínicas de Fisioterapia e Odontologia, além de visitar o Parque Aquático da Unisanta. Essa foi a primeira vez que ela esteve na Unisanta.

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Foto: Fabiano Roma/Santa Cecília TV

Por fim, a deputada esteve no Sistema Santa Cecília de Comunicação. Joice conheceu as instalações da Santa Cecília TV ao lado do diretor-geral do Sistema, Marcelo Teixeira Filho, e da diretora de Jornalismo Natalie Nanini.

Joice Hasselmann também concedeu entrevista exclusiva para o Jornalismo do Sistema Santa Cecília de Comunicação.

Confira a entrevista completa abaixo:

Santaportal: O Brasil já superou a marca de 200 mil mortes pela Covid-19 e, até o momento, não tivemos o início da campanha nacional de vacinação contra a doença. A situação gerou também uma tensão política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. Como a senhora vê essa situação? É a favor da vacina? Como resolver esse impasse para que o Brasil, assim como já acontece em vários países, possa logo começar a imunizar a sua população?

Joice Hasselmann: Infelizmente o governo federal tem agido de uma forma extremamente política em relação a vacina. Também, de certa forma, o governo do Estado se atropela nessa questão política. Então, a vacina, que é algo tão importante para o Brasil, acabou virando ponto de disputa entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o próprio governador João Doria. É bem verdade que os esforços para que a vacina chegue ao Estado de São Paulo e o Brasil estão concentrados nas mãos do governador de São Paulo. O presidente da República, lamentavelmente, tem feito de tudo para atrapalhar. Isso é muito ruim, porque em razão de uma rixa boba, ideológica ou política, ou até mesmo de uma eventual disputa lá em 2022, que a gente nem sabe se vai acontecer, há essa discussão que acaba impactando em mortes. Então, vidas brasileiras acabam sendo perdidas por causa de uma discussão ideológica, política. Lembre-se que lá atrás o presidente da República fez todo um discurso ideológico, bobo, chamando a CoronaVac de ‘vachina’, porque a vacina é da China. Eu não quero saber se a vacina é da China, de São Paulo, do Japão, dos Estados Unidos, da Alemanha ou da Cochinchina. Eu quero vacina que imunize a população brasileira para que nós possamos voltar a vida normal. Nós temos negócios fechando, empregos que hoje não existem mais, a fila do desemprego só aumenta. Nós temos vidas que estão sendo perdidas, enquanto o presidente da República fica fazendo essa brincadeirinha de mau gosto com a população brasileira. A gestão da pandemia, de uma maneira geral, foi muito malfeita. O que funcionou na gestão da pandemia? Funcionou o que nós aprovamos no Congresso Nacional. O auxílio emergencial, quem aprovou? Nós, deputados federais, senadores, o governo queria um auxílio bem pequenininho, nós conseguimos um auxílio três vezes maior. Depois teve um programa de crédito, que foi o maior sucesso nessa época da pandemia, que foi o Pronamp. Quem aprovou? Nós. Quem relatou? Eu, deputada federal Joice Hasselman. Fase 1, 2 e 3 do Pronamp. Não conseguimos emprestar mais dinheiro a crédito baixo porque o governo interferiu. O presidente da República sentou em cima do relatório aprovado e demorou para sancionar, dando apenas um dia na fase 3, agora em 2021, para que as pessoas tivessem acesso a esse crédito barato. Conseguimos chegar nesse ponto da pandemia, ainda respirando um pouquinho, porque deputados e senadores resolveram fazer seu dever de casa. Nem todo mundo faz a lição de casa, nem todo deputado trabalha, mas aqueles que estiveram em Brasília levaram a agenda pelo país adiante. Espero que o presidente da República entenda que ele não está brincando de videogame, que não é a cor vermelha, verde ou azul que vai impactar, que não interessa se é direita ou esquerda, o que interessa é salvar vidas, imunizar a população brasileira. Apesar de eu achar que o governador exagera na rixa política com o presidente, o Doria está à frente. Ele fez um trabalho mais bem feito em relação a vacina e sustentou essa briga. Se teremos uma vacina do Butantan, feita em parceria com a China, que é a CoronaVac, é pelos esforços que foram feitos especialmente aqui em São Paulo.

A senhora acredita que a chegada da vacina é o pontapé inicial para a retomada do crescimento econômico? Enquanto não tivermos uma campanha de vacinação, nós não vamos conseguir a retomada da economia de uma maneira efetiva?

JH: Acho difícil porque houve um desespero da população. Você vê que no ano passado, nem eleição se falou praticamente, e ano passado foi ano de eleição municipal. Só se falava de Saúde, de vacina, do medo de sair de casa. Acho que estamos em um momento no qual a economia já deveria ter sido retomada, com todos os cuidados possíveis. Acho que estamos em um momento no qual as crianças deveriam voltar para a escola. Nós temos proibição de abertura das escolas, mas as crianças estão nos shoppings, colônias de férias... os cinemas estão abertos. Qual é o protocolo? É ter um distanciamento entre as crianças? Fazer um modelo híbrido, para que as salas estejam menos cheias, uma turma de manhã e outra de tarde. Então vamos implementar esse protocolo. O que não dá é para ficarmos nessa situação. Restaurante funciona até 22h e não pega coronavírus. Mas quando chega 22h01 começa a pegar. Daí vem o fiscal da Prefeitura e dá-lhe multa em quem está gerando emprego e renda. O que não dá para ter é um decreto como tivemos na virada do ano, dizendo que não pode vender vinho, nenhum tipo de bebida, como cerveja, nos restaurantes. Os garçons vieram me procurar: “Olha, deputada, nós vivemos de gorjeta e de um percentual da conta. Então nós estamos sendo prejudicados com isso”. Qual a lógica que você pode vender vinho até 20h, 20h05 não pode mais. Essas esquisitices desses protocolos que inventaram no Estado de São Paulo, na Cidade de São Paulo, em Santos, isso aí não dá. Então a gente tem que retomar com protocolo que seja racional. Qual é o protocolo racional? A partir das 22h não entra mais ninguém no restaurante, mas quem está lá dentro tem o direito de terminar a sua refeição. Não precisa ser expulso do restaurante, as pessoas conseguem fazer rodízio de mesas, os comerciantes conseguem faturar mais. Acho que houve um exagero em alguns pontos, como citei. Acho que nós temos que retomar a economia. Nós não aguentamos a imunização de 90% da população brasileira para retomar a economia. Então, é álcool em gel, máscara e distanciamento, mas vamos guardar os nossos empregos. As pessoas estão passando fome pela incompetência dos gestores em criar protocolos que garantam a saúde e, ao mesmo tempo, a economia.

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Foto: Leandro Picado/Santa Cecília TV

A Câmara dos Deputados elege um novo presidente em fevereiro. A polarização entre Arthur Lira (PP) e Baleia Rossi (MDB) tem atraído as atenções em Brasília, com troca de farpas e uma grande disputa política entre governo e oposição. Como a deputada vê essa questão? Na sua visão, falta uma unidade na Câmara, com uma agenda de pautas a favor do Brasil?

JH: O Brasil está precisando muito de um movimento para apaziguar os ânimos. Tudo o que nós fizemos de 2013 para cá – nós, quando eu digo, os movimentos de rua – foi para pregar a união e não a desunião. Nós criticamos tanto o nós x eles, que o PT vendia no país todo e, agora, quando chegamos ao poder vimos que parte desse grupo político que criticava essa postura também está promovendo o nós contra eles, acirrando ainda mais a divisão. Defendo um grande movimento nacional de unificação, de unidade, independentemente das questões ideológicas para que nós possamos salvar o Brasil. É muito ruim que tenhamos a Câmara tão dividida quanto nós estamos vendo. É o grupo do governo, é o grupo contra o governo. A Câmara não tem que ser governo e nem contra o governo. A Câmara tem que ser Brasil e ponto. A Câmara dos Deputados não é puxadinho de presidente da República e, também, não tem que ser algoz do presidente da República. A Câmara tem que ser independente, para que ela possa votar aquilo que o Brasil realmente precisa. E o que o Brasil realmente precisa? Recuperação econômica, redução de Estado, o Brasil precisa de menos pautas de costumes e mais pautas econômicas. É isso que nós precisamos. Nós precisamos votar e aprovar a prisão em segunda instância. Nós precisamos colocar mandato para ministro do Supremo Tribunal Federal. Então, a Câmara tem que colocar ordem no país. Todos os projetos do país nascem da Câmara. O Senado é, basicamente, uma casa revisora. São poucos os projetos que nascem lá, os projetos nascem na Câmara dos Deputados. Então acho muito ruim esse clima de polarização na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Falta realmente o discurso da unidade, da união, para que possamos todos trabalhar pelo Brasil. Eu já disse várias vezes que sou independente e até quando eu era líder do governo eu era independente. Quando eu era líder do governo, se eu entendesse que tal projeto não era bom para o Brasil, eu votava contra. É importante ter responsabilidade com o povo. Infelizmente, isso é algo que não temos visto nem de um lado e nem do outro.

A senhora, que está em seu primeiro mandato como deputada federal, está iniciando um movimento feminino em âmbito nacional. Gostaria que a senhora falasse mais sobre esse projeto. A Joice Hasselmann acredita que ainda falta representatividade feminina na política?

JH: Nós temos, nesse momento, 77 deputadas federais no parlamento. É o maior número da história, porém é muito pequeno. A nossa representação feminina está muito aquém, até mesmo em comparação com países islâmicos. Você veja que temos muito a avançar, países que são extremamente machistas, tem mais deputadas no Parlamento do que o Brasil. Então, alguma coisa está errada, não deu certo no meio desse caminho. É preciso avançar nesse sentido. Infelizmente, a pauta feminista, parte dela, foi sequestrada pela ideologia mais de esquerda. Então é aquela coisa de discutir aborto, se é a favor ou é contra, não é isso que eu quero. Quero discutir espaços de poder para a mulher? Qual mulher? Todas. Seja ela de direita, de centro ou de esquerda. Temos que deixar a ideologia da porta para fora. Não interessa se a mulher gosta de um partido político mais para a direita ou para a esquerda, ou se ela nem gosta de partido político. Quero discutir esses espaços de poder e trazer essas mulheres, para que elas possam entende qual o caminho das pedras. Quantas mulheres nós temos presidentes de partidos? Eu sou presidente do meu partido no município de São Paulo. Mas quantas são? E quantas são presidentes nacionais de partido? Quantas mulheres são líderes na Câmara dos Deputados. Eu fui a primeira mulher, a primeira deputada, a ser líder do governo no Congresso. Nunca houve na história uma mulher assumindo esse papel. Então, é preciso que nós que enfrentamos esses altos e baixos da política, nesse caminho pedregoso, possamos abrir portas e facilitar o caminho para as outras que virão, tornando o caminho mais plano. Isso é uma missão para mim. Quando eu cheguei na política chegava a zombar um pouco dessa coisa de violência de gênero na política, isso é bobagem, mas não é besteira. Não é mimimi. Eu sofri isso na pele, na prática. O Movimento Feminino Brasileiro é isso, criar células em todo o Brasil, não interessa a ideologia, não é um movimento político-partidário e nunca vai ser. É um movimento suprapartidário. Mulheres de outros partidos podem estar nesse movimento, mulheres que não participam de nenhum partido político. Nós vamos dividir experiência com outras. Nós vamos ajudar as mulheres a encontrar seus espaços de poder e a mulher pode fazer muita coisa na política brasileira, em diversas áreas, tanto no nosso país quanto no mundo. É esse o caminho que eu quero construir junto com outras mulheres Brasil afora.

Como foi essa visita de hoje na Unisanta? A Unisanta tem em seu DNA essa ligação muito forte com a comunidade, através da Educação, bem como o desenvolvimento de projetos sociais. Como avalia a importância do trabalho desenvolvido pelo Complexo Educacional Santa Cecília? Além disso, o quanto é importante o político estar perto da comunidade e ter essa ligação?

JH: É um exemplo excepcional, não só para a Baixada como para o Brasil. São 60 anos de um trabalho de excelência, estou impressionada com o que eu vi aqui, em todas as áreas. Desde o Sistema de Comunicação, até as áreas de Saúde, vocês estenderam as mãos para campeões mundiais de natação. É um trabalho que faz a diferença, não apenas aqui na região, mas como no Estado de São Paulo e no país. É um exemplo que tem que ser seguido e os bons exemplos devem ser seguidos. É importante que o bom político valorize boas ações, bons empreendimentos. O número de alunos que vocês têm aqui é excepcional, a geração de empregos é excepcional. Quero parabenizar todos vocês e quero me colocar à disposição, porque sei que a Baixada Santista precisa de mais representantes. Já sou mais uma representante de vocês. Mais uma vez, parabéns pelo trabalho que vocês desenvolvem. Braços abertos e portas abertas no meu gabinete, tudo o que eu puder fazer para ajudar estou à disposição. Espero que tenhamos um curso de Medicina em breve aqui também. Cursos de grande qualidade, que vocês mostram fazer muito bem o que fazem, fazem com amor, fazem com paixão e fazem de um núcleo familiar, que é algo muito bonito e cada vez mais raro no mundo. Uma empresa familiar de grande sucesso, completando os seus 60 anos e eu venho para o aniversário em outubro.