Milésimo gol do Rei Pelé completa 51 anosDivulgação/Arquivo Santos FC
GOL MIL - Aos 32 minutos do segundo tempo do jogo entre Vasco e Santos, na noite de 19 de novembro de 1969, o mundo parou no Maracanã. Pelé havia sofrido o pênalti que, minutos depois, converteu-se no milésimo gol de sua carreira. O tempo, porém, é implacável e não para. Já se vão 50 anos daquele momento histórico.

"Não dá para esquecer. Dificil de explicar poque só Deus pode explicar uma coisa dessas. Realmente são momentos que você passa na vida que não tem explicação", afirmou o Rei do Futebol, em entrevista exclusiva ao #Santaportal  e à Santa Cecília TV no ano passado.

Era uma partida que, em termos de classificação no Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o Brasileirão daquela época), não valia nada. Mas outra coisa estava em jogo: o fim de uma saga estabelecida em busca dessa bola na rede, que tomou os noticiários e a mente de Pelé.

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Foto: Arquivo/Reprodução

O milésimo poderia ter saído na Paraíba, contra o Botafogo local, mas Pelé precisou ir para a meta por lesão do goleiro Jair Estevão. Lá saiu o 999º. A Fonte Nova seria um palco possível, diante do Bahia, mas o zagueiro Nildo evitou e levou uma enorme vaia.

O destino indicava: era o Maracanã. No Dia da Bandeira, o pavilhão hasteado seria mesmo o do futebol. O Vasco abriu o placar com Benetti, ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Renê fez contra. Quando parecia que uma peça estava sendo pregada para adiar todo aquele grande momento, eis que Clodoaldo lança Pelé e Fernando comete o pênalti. "Eu cobro até hoje isso dele. Falo que tive um pedacinho do milésimo", disse Corró.

Discutível ou não, o árbitro Manoel Amaro de Lima assinalou, o que valeu uma cena curiosa: os jogadores do Santos se formaram em fila na risca do meio-campo, deixando o Rei sozinho para cobrar. "O Carlos Alberto Torres pediu para que todos os jogadores se afastassem e que ficassem no meio-campo aguarando a batida do pênalti. Nós achamos até estranho porque geralmente temos que ficar próximos, caso a bola não entre. Mas o Carlos Alberto tinha uma confiança muito grande no Rei e sabia que o Pelé iria marcar o gol", relembrou Clodoaldo.

Pouco antes, Pelé ainda olhou para seus companheiros. E partiu para a batida, no canto esquerdo de Andrada. O goleiro argentino voou do lado certo, porém não conseguiu espalmar e socou o gramado de raiva por entrar para a história dessa forma.

Cercado pelos repórteres, o Rei entrou na meta, pegou a bola e a beijou. Foi carregado pelo goleiro Agnaldo nos ombros, fez um apelo de ajuda às crianças pobres e deu volta olímpica no Maracanã vestindo uma camisa do Vasco com o número mil às costas. Jair Bala entrou em seu lugar para o restante do jogo. Mas o mundo estava parado e, de certa forma, segue até hoje, embevecido com um feito que já dura cinco décadas.