Santistas estão entre os brasileiros impedidos de retornar do Peru ao BrasilArquivo Pessoal

DRAMA LONGE DE CASA - Duas santistas estão entre as dezenas de brasileiros que viajaram ao Peru no início do ano e não conseguiram retornar ao Brasil, devido à pandemia do novo coronavírus. Elas viajaram no início do ano e desde que as fronteiras do país foram fechadas temporariamente, com o objetivo de reduzir os riscos da pandemia, não conseguem voltar para casa.

O drama da professora Rhanna Martins Franco, de 22 anos, começou no início de abril. A viagem dos sonhos se transformou em um verdadeiro pesadelo quando a jovem, que chegou a contrair a doença, foi impedida de voltar para casa. Ela conta que viajou ao Peru para um intercâmbio com duração de seis meses. O retorno estava previsto para julho deste ano. Porém, a santista, com medo de adoecer, solicitou à Embaixada Brasileira o retorno antecipado ao Brasil.

“Eles fecharam as fronteiras ainda em março. Em poucos dias farão cinco meses que estamos nesse caos. Eu cheguei no Peru para ficar seis meses e já se vão oito, com previsão de virar um ano. Perdi datas importantes, perdi o acolhimento da minha família”, relatou a jovem.

Desde o início da pandemia, Rhanna conta que já saíram 12 voos de repatriação da Embaixada Brasileira. Porém, todos os voos só partiram de Lima. E, segundo ela, há muitos brasileiros que estão a mais de 16 horas de distância da Cidade, sem condições financeiras de viajar por terra e com medo de não conseguirem embarcar. O namorado da jovem, que viajou ao País para visitá-la, antes do início da pandemia, também está entre os brasileiros presos no país.

“Eu e mais um monte de gente estamos em províncias e são muitas horas de viagem até Lima. E é super caro, fora que a estrada até lá é super perigosa. O posicionamento da Embaixada é que não há o que fazer, porque não tem previsão de voos para o Brasil”, lamentou a jovem.

noticia20208132035266.jfifReprodução 

Não se adaptou
Quem também está no país é a santista Elizabeth Nogueira Cordova, 52 anos. Ela, que é missionária, conta que chegou ao Peru com os dois filhos em fevereiro. A ideia era viver no país, onde mora a família do esposo, que é peruano. Porém, eles não teriam se adaptado e tentam retornar ao Brasil desde junho deste ano.

“Estamos em uma cidade bem pequena no Norte do Peru. Meus filhos não se adaptaram e quando o governo disse que haveria voos, decidimos voltar ao Brasil. Tentei voo humanitário, mas nao consegui. Minha família, que é de Santos, tenta nos ajudar e quando envia algum dinheiro, vale a metade”, lamenta a santista.

A missionária relata ainda que com ela há um grupo de 190 brasileiros tentando retornar ao Brasil. Alguns, em situação desesperadora. “Esse não é o meu caso, mas preciso ir embora. Meu filho adolescente necessita de atenção médica por causa da ansiedade que gerou a pandemia, e por não saber quando poderemos sair do Peru.

As duas santistas relatam que um voo, ainda não confirmado, deve partir do Peru ao Brasil, no final de agosto. A viagem, segundo elas, teria o custo de US$ 700 dólares.

“Sabendo que o dólar, na data de hoje, está cotado em R$5,44, esse voo sairia a R$ 3.805,00. Tenho casa, comida e um trabalho, mas nem todos têm a mesma chance”, relatou a professora.

O #Santaportal  entrou em contato com o consulado brasileiro no Peru. O Itamaraty se manifestou por meio de nota.

Leia na íntegra a nota do Itamaraty:
Desde o início da pandemia, o Itamaraty vem dedicando máxima atenção ao retorno dos brasileiros que solicitam repatriação. Para tanto, em março último, foi estabelecido o Grupo Consular de Crise. Até o momento, foram repatriados com o apoio do Itamaraty cerca de 38.800 brasileiros, em operações que incluíram a contratação direta de voos fretados ou o apoio institucional de nossa rede de embaixadas e consulados.

Com relação ao Peru, o Itamaraty, por meio da Embaixada em Lima, já viabilizou o retorno de 1.785 brasileiros retidos naquele país, sem custos, e a realização de doze voos de repatriação desde o início da pandemia.

Além de negociações com as companhias aéreas e o governo local, as operações incluíram a realização de dois voos da FAB que trouxeram, em 25 de março, 59 brasileiros e 7 estrangeiros residentes retidos em Cusco e voo fretado pelo Itamaraty, no dia 1º de abril, que repatriou 168 pessoas localizadas em Lima. O mais recente voo foi realizado em 25 de junho.

Com vistas a apoiar brasileiros que não se encontravam na capital peruana, a Embaixada do Brasil em Lima contratou, por ocasião de voo realizado em 15 de abril, dois ônibus para transportar brasileiros localizados em demais cidades do Peru - inclusive Arequipa - até o local de partida do voo, em Lima.

O Itamaraty permanece mobilizado na busca de soluções para casos de necessidade de repatriação ou de assistência a cidadãos desvalidos. A Embaixada em Lima continua empenhada em realizar gestões junto a empresas de fretamento aéreo e de transporte rodoviário para viabilizar novas oportunidades de retorno. Em razão das restrições de circulação determinadas pelo governo peruano, a representação brasileira segue, igualmente, realizando gestões junto às autoridades peruanas para obtenção de autorizações de deslocamento até Lima, bem como à região de fronteira.