Decotelli apresenta carta de demissão ao presidente Jair BolsonaroReprodução
EDUCAÇÃO - Carlos Eduardo Decotelli, ministro da Educação, apresentou na tarde desta terça-feira carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro. Ele tinha tido a posse adiada e, por isso, nem chegou a assumir oficialmente a pasta. Na segunda-feira, ele esteve reunido com o presidente Jair Bolsonaro, que perguntou a respeito do currículo dele. São três problemas que surgiram: denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas (FGV); declaração de um título de doutorado na Argentina, que não foi obtido; e pós-doutorado na Alemanha, não realizado. E saiu dizendo que continuaria no cargo.

"Ele (Bolsonaro) queria saber detalhes sobre a minha vida de 50 anos como professor em todas as entidades do Brasil. Então, ele pegou a estrutura de detalhes, a estrutura de trabalhos no Brasil, Norte, Sul, Leste, Oeste, 40 anos de trabalho na Fundação Getúlio Vargas, Fundação Dom Cabral, IBMEC..Então, ele queria saber esse lastro de vida como professor", explica Decotelli. "Ele [Bolsonaro] perguntou: 'Como é essa questão de detalhe acadêmico e doutorado, pós-doutorado, pesquisa de mestrado? Como é essa estrutura de inconsistência?'. Ele queria saber o que é isso, então, eu expliquei a ele", completa o ministro, dizendo ainda que Bolsonaro considera encerrado o assunto do doutorado.

O ministro respondeu o seguinte sobre a denúncia de plágio. "É possível haver distração? Sim, senhora. Hoje, a senhora tem mecanismos para verificar, softwares, se a senhora teve ou não inconsistência. Mas naquela época, pela distração...", conta. "Não houve plágio porque o plágio é considerado quando o senhor faz 'control C, control V'. E não foi isso."

Decotelli deixou de afirmar na segunda-feira, 29, no currículo que fez pós-doutorado na Universidade de Wuppertal (Alemanha). A instituição informou à reportagem que ele teve estadia de pesquisa de três meses, mas não tem um título. O ministro dizia ser pós-doutor pela universidade. Ser pós-doutor não é considerado título, mas exige conclusão de doutorado. Um programa do tipo, voltado para pesquisa, costuma durar ao menos 6 meses. A universidade não informou se a pesquisa de Decotelli era vinculada a um programa de pós-doutorado.

Ele disse ontem ter finalizado a pesquisa. "Na hora em que foi concluído o trabalho, tinha de ser registrado num cartório acadêmico. E no cartório tem lá a pesquisa completa registrada." Quanto ao doutorado na Argentina, desmentido pela universidade, reiterou ter concluído os créditos, mas não teve condição de voltar ao país para apresentar a tese após adequação sugerida pela banca.