Homem que se passava por médico também chegou a atender em GuarujáDivulgação
POLÍCIA - A Secretaria de Saúde de Guarujá informou que o homem que se fazia passar por médico - e que foi preso ontem em Praia Grande - trabalhou na Unidade de Pronto Atendimento Dr. Matheus Santamaria, conhecido como PAM da Rodoviária, até o último dia 2 de fevereiro. Segundo a Prefeitura, ele fez parte do quadro de funcionários da terceirizada responsável pela gestão do local.

A Secretaria de Saúde informou que, quando admitido, o mesmo apresentou todos os documentos exigidos de um profissional médico, inclusive seu registro no Conselho Regional de Medicina. Cabe ressaltar que, por sua data de desligamento, não realizou qualquer atendimento nos protocolos adotados pela Cidade no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, o que teria feito no Irmã Dulce.

A pasta também informou que se coloca à disposição para contribuir com as investigações e dará apoio à Organização Social (O.S.) para lavratura de boletim de ocorrência na Delegacia Sede da Policia Civil.

Os registros do homem eram de Henry Cantor Bernal, um oftalmologista que realmente existe e trabalha em Bogotá, na Colômbia. Ele atendia há quase um ano no Hospital Irmã Dulce, porém não era contratado da instituição diretamente e, sim, pela empresa Unidade Clínica Ortopédica Traumatológica (UCOT). O falso médico vai responder por falsidade ideológica e exercício irregular da função. O caso está com a Delegacia Sede de Praia Grande.

UCOT
A UCOT explicou que a Administração de Recursos Humanos da empresa, em procedimento de cadastramento e auditoria de documentos que são realizados para todos os profissionais que ingressam no corpo de associados, verificou possíveis divergências em informações fornecidas pelo envolvido, o que levou a comunicação à Diretoria e a Coordenadoria de possível fraude.

"Na investigação a Coordenadoria constatou inconsistências técnicas e éticas que reforçaram as suspeitas já existentes, levando a empresa a buscar junto a Polícia Federal rastreamento e confirmação destas. Nesta busca foi constatada a falsidade ideológica do envolvido, que apresentou documentos falsos em sua admissão, o que culminou a ação de prisão em flagrante"

A empresa UCOT, por meio de seu corpo jurídico, disse ainda que as devidas providências junto as autoridades na colaboração e desfecho deste caso, sempre buscando a integridade e segurança de nossos colaboradores e pacientes. "Salientamos que mediante suspeita, as ações praticadas pelo indivíduo durante os dias em que atuou junto à empresa foram acompanhadas pela Coordenadora Técnica da empresa, com o propósito de salvaguardar a integridade física dos pacientes", emenda o texto

A empresa informou ainda que todos os colaboradores são auditados no ato da contratação e recebem instruções formais sobre compliance sendo, portanto, responsável legal pelos atos praticados. A empresa prima pela ética e transparência e continua a disposição dos órgãos competentes para favorecer e finalizar a investigação e processo com a maior brevidade possível.

Prefeitura e Irmã Dulce
Em nota, a Secretaria de Saúde Publica de Praia Grande informa que está à disposição da equipe de investigação e que acompanha e apura todo o processo junto à gestora do Hospital Irmã Dulce.

Já o hospital disse o seguinte: "A direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclarece que o homem em questão não era funcionário da unidade e sim de uma empresa médica que presta serviços ao Hospital. Tal empresa já foi acionada pelo Irmã Dulce, em busca de esclarecimentos para a tomada das devidas providências. Cabe esclarecer que foram apresentadas ao Irmã Dulce, tanto por parte da prestadora de serviços quanto de seu empregado, as devidas documentações exigidas para que o mesmo pudesse iniciar suas atividades na unidade, como registro no Conselho Regional de Medicina. Desta forma, a direção da unidade registrará um Boletim de Ocorrência sobre o caso e segue à disposição para maiores esclarecimentos".