Vacina indiana acelera aprovação para venda a redes privadas de Saúde
Por Isabel Franson/ #Santaportal em 05/01/2021 às 06:28
VACINAÇÃO – Anunciada no domingo (3), a aprovação da vacina indiana Covaxin – do laboratório Bharat Biotech – preocupa especialistas por todo o mundo, especialmente no Brasil.
Confirmado antes mesmo dos testes da terceira fase, o imunizante que teve ascensão silenciosa e rápida chamou atenção das redes particulares, inclusive brasileiras, que já demonstraram interesse em compra.
Preocupação
Para a infectologista santista Elisabeth Dotti, a principal preocupação é sobre a qualidade do produto. “Um material do qual a gente mal ouvia falar, até que de repente começam a anunciar e consideram ‘pronta’. Não é assim, só anunciar. Precisamos saber quem são os pesquisadores, quais foram os métodos aplicados, qual a base da pesquisa e tudo mais”.
Vitrine
Segundo a médica, a principal prova de que o material tem qualidade seria a vacinação do próprio povo. “Sabemos que a Índia também é um local delicado na questão social, com pessoas muito pobres e muito ricas. Mas a principal confiança que teríamos seria uma vacinação interna, antes mesmo de venderem para fora. Se é tão bom, eu vou começar a salvar minha própria população. Depois, vou me interessar por exportar”.
Rede particular
Mesmo que para a rede particular, a vacina – caso seja importada pelo Brasil – também deve ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “De qualquer forma, é uma questão muito nebulosa, porque a particular tem dinheiro para trazer e vacinar mais rápido. E não é justo que vacine-se primeiro quem tem condições de pagar”, afirma Dotti. “Fora a chance de dar errado. A pessoa paga por isso e depois? Pode ter efeitos colaterais, falhar, deixar doente… Sem contar que abre precedentes para essa comercialização desenfreada e preços exorbitantes”.