Trump chama países da Otan de 'covardes' e cobra ajuda para liberar Hormuz
Por UOL/Folhapress em 20/03/2026 às 14:25
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a cobrar da Otan, aliança militar do Ocidente, ajuda para liberar a passagem no Estreito de Hormuz – via marítima no Oriente Médio por onde passam embarcações transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo.
Trump culpou a organização pela alta no preço do petróleo. “Covardes”, escreveu o presidente dos EUA na rede social .”Não querem ajudar a abrir o Estreito de Hormuz, uma simples manobra militar que é a única razão para os altos preços do petróleo. Tão fácil para eles fazerem, com tão pouco risco, covardes, nós nos lembraremos”, disse.
O republicano voltou a dizer que a guerra contra o Irã já foi vencida e minimizou a importância da Otan. “Sem os EUA, a Otan é um tigre de papel. Eles não quiseram se juntar à luta para deter um Irã com armas nucleares. Agora que essa luta foi vencida militarmente, com muito pouco perigo para eles, reclamam dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar”, escreveu.
Irã se recusa a reabrir Hormuz enquanto a guerra durar. O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, defendeu o fechamento da rota até que cessem os ataques dos EUA e de Israel ao seu território.
EUA pediram ajuda da Europa e da China para reabrir Hormuz. A China não respondeu ao pedido da Casa Branca. Antes, em sua rede social Truth Social, ele escreveu que “nós não precisamos mais, nem desejamos, a ajuda dos países da Otan” e do Japão, da Austrália e da Coreia do Sul -que também negaram o pedido de Trump.
Os países europeus inicialmente se recusaram ajudar Washington. Mas com a alta do preço do petróleo, as potências europeias passaram a sinalizar apoio ao governo americano.
Trump acusa a organização de ser omissa e de não servir aos interesses norte-americanos. “Sempre considerei a Otan, onde gastamos centenas de bilhões de dólares por ano protegendo esses mesmos países, uma via de mão única: nós os protegemos, mas eles não fazem nada por nós, especialmente em um momento de necessidade”, continuou.
Ontem, países europeus e Japão falaram em ajudar a liberar Hormuz. Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão e Países Baixos condenaram as recentes represálias iranianas contra infraestruturas energéticas no Golfo e se declararam “dispostos a contribuir” para a segurança no Estreito de Hormuz.
Os seis países divulgaram um comunicado conjunto. “Pedimos uma moratória imediata e geral sobre os ataques a infraestruturas civis, em particular as instalações de petróleo e de gás. Nos declaramos dispostos a contribuir aos esforços necessários para garantir a segurança da passagem pelo Estreito de Hormuz”, afirmaram.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que o ministro das Relações Exteriores do país entrou em contato com seu correspondente no Irã para falar sobre o estreito. “Nosso ministro teve uma troca direta com o ministro das relações exteriores iraniano e pediu que eles parem com essas atividades [de bloqueio em Hormuz]”, disse, em visita à Casa Branca hoje.
Em tempos normais, 20% do petróleo e do Gás Natural Liquefeito consumidos a nível mundial passam por este estreito. Seu fechamento por parte do Irã, em represália ao ataque dos Estados Unidos e Israel, em curso desde 28 de fevereiro, aumentou os problemas logísticos e de abastecimento e elevou o preço do barril de petróleo bruto para mais de US$ 110 dólares (cerca de R$ 573).