Tarcísio reafirma pré-candidatura à reeleição e lealdade a Bolsonaro após visita ser remarcada
Por Bruno Ribeiro e Thaísa Oliveira/Folha Press e Santa Portal em 23/01/2026 às 06:00
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou nesta quinta-feira (22) que é pré-candidato à reeleição ao Governo do Estado e negou qualquer articulação fora desse projeto, como a possível pré-candidatura à Presidência. Em publicação nas redes sociais, o mandatário também destacou a intenção de manter a direita unida e confirmou que visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na próxima semana, após autorização do STF.
“Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade”, escreveu Tarcísio.
Mais cedo, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizou o governador a visitar Bolsonaro na próxima quinta-feira (29). O encontro estava previsto inicialmente para esta quinta, mas foi adiado por Tarcísio, que alegou compromissos de agenda em São Paulo.
Apesar da justificativa oficial, aliados relataram uma chateação do governador com o ex-presidente e com a ala política da família Bolsonaro. A visita será a primeira conversa entre os dois desde que Bolsonaro indicou o filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como pré-candidato à Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O último encontro ocorreu em setembro, quando Bolsonaro ainda estava em prisão domiciliar.
Além de Tarcísio, Moraes também autorizou Bolsonaro a receber o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio à Presidência, em encontro marcado para o dia 4 de fevereiro. A primeira visita liberada pelo ministro, no entanto, foi a do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira, prevista para a próxima quarta-feira (28).
Adiamento
Aliados relatam que Tarcísio não foi visitar Bolsonaro nesta quinta-feira porque o governador sabia que levaria um enquadramento do ex-chefe, de quem foi ministro da Infraestrutura. Interlocutores indicam que o ex-presidente diria para Tarcísio esquecer qualquer pretenção de concorrer à Presidência, focar na reeleição em São Paulo e apoiar Flávio na disputa contra Lula.
Na semana anterior, houve um atrito no grupo quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou um vídeo de Tarcísio em tom de pré-candidato à Presidência. A mulher de Bolsonaro é vista com desconfiança pelos filhos, e o atrito aumentou quando Flávio anunciou sua pré-candidatura sem avisar a madrasta.
De acordo com aliados, Tarcísio está contrariado por considerar que a família Bolsonaro nutre desconfiança sobre sua lealdade política. A situação piorou porque, segundo interlocutores, ele não teve o devido reconhecimento pela articulação, feita junto com Michelle no STF, para que o ex-presidente fosse transferido para a Papudinha, unidade na qual conta com melhor estrutura.
Segundo lideranças do centrão que mantém contato com Tarcísio e Flávio, o clima não está bom. O governador tem sido reticente em embarcar na candidatura do filho de Bolsonaro. Aliados indicam que a tendência de Tarcísio é se descolar cada vez mais da família do ex-chefe, mesmo que concorra à reeleição em São Paulo.
Interlocutores indicam que há um certo “esgotamento” de Tarcísio para manter a relação de interdependência com o clã Bolsonaro. Lideranças afirmam que houve uma expectativa de anúncio de candidatura do governador pelo ex-chefe no dia 10 de dezembro, mas uma operação abafa levou ao anúncio da candidatura de Flávio dias antes. O encontro jamais ocorreu.
Troca na Casa Civil
Em meio à crise criada com bolsonaristas, Tarcísio de Freitas também trocou, nesta quinta, o chefe da Casa Civil de São Paulo, Arthur Lima, responsável pela articulação política do governo. Lima vai para a Secretaria de Justiça e, para a Casa Civil, o governador chamou o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro.
Amigo de infância do Tarcísio e considerado seu braço direito, Lima acumulou críticas de aliados e prefeitos do interior pela dificuldade na liberação de recursos para municípios paulistas, conforme a Folha de S.Paulo publicou nesta semana.
Roberto Carneiro é próximo ao presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e tem boa relação com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, secretário de Governo e outro responsável pela articulação política de Tarcísio.
No fim do ano passado, Kassab disse que deixaria o governo para coordenar a eleição do seu partido e teria sugerido Carneiro para o cargo. Auxiliares do governador, porém, afirmam que Tarcísio indicou que, caso o secretário deixasse a função, ele mesmo escolheria o substituto.
Carneiro é capixaba e coordenou a Casa Civil de Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo recentemente filiado ao PSD de Kassab. A reportagem procurou o Palácio dos Bandeirantes para comentar as trocas, mas não teve resposta.