Setor aéreo está fora da trajetória para zerar poluição até 2050, diz associação
Por Paulo Ricardo Martins (FOLHAPRESS) em 07/06/2026 às 13:35
O diretor-geral da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh, afirmou neste domingo (7) que o setor aéreo global está “fora da trajetória correta” para zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050.
Segundo Walsh, alcançar o objetivo ainda é possível, mas, para isso, todos os segmentos da indústria não só companhias aéreas terão de “agir, em vez de apenas dizer que estão comprometidos”.
A associação realiza o Iata AGM (Annual General Meeting) no Rio de Janeiro neste fim de semana. O evento voltou à América do Sul após 27 anos.
A Iata aprovou, durante sua 77ª Assembleia Geral Anual, em Boston (EUA), em 2021, uma resolução pela qual as companhias aéreas que são membros da entidade se comprometeram a zerar as emissões de carbono em suas operações até 2050. O compromisso está alinhado à meta de temperatura estabelecida pelo Acordo de Paris.
No entanto, a Iata diz que, para o cumprimento da meta, serão necessários esforços coordenados de toda a indústria (companhias aéreas, aeroportos, prestadores de serviços de navegação aérea e fabricantes), além de apoio dos governos de cada país.
De acordo com Walsh, o atraso na entrega de novas aeronaves, que poluem menos do que modelos mais antigos, e a baixa disponibilização de SAF (combustível sustentável de aviação) são entraves para o cumprimento da meta.
“Estamos muito decepcionados, especialmente com os OEMs [fabricantes de aeronaves], que vêm atrasando a entrega de novos aviões, porque isso significa que nossas emissões brutas são maiores do que deveriam ser, o que amplia ainda mais a diferença em relação à meta.”
“Também estamos decepcionados por não termos visto uma reforma dos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo ao redor do mundo, algo que reduziria significativamente nossas emissões brutas. Estamos decepcionados porque as empresas de combustível que se comprometeram a disponibilizar combustíveis sustentáveis não estão cumprindo as promessas que fizeram”, completou Walsh.
Durante abertura do evento da Iata neste domingo, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que o Brasil está em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustível sustentável de aviação.
“O Brasil tem uma vantagem comparativa única neste debate. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo”, disse. “O Brasil pode ser, para descarbonização na aviação, o que nenhum outro país do mundo pode ser. Uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global.”
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O jornalista viajou a convite da Iata