Secretário de Trump diz que Brasil não é um país amigável aos EUA, assim como Cuba e Venezuela
Por Isabella Menon (FOLHAPRESS) em 02/06/2026 às 16:09
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Senado, que o Brasil não faz parte do grupo de nações consideradas amigáveis aos interesses dos EUA no hemisfério ocidental e destaca que o país está “no meio de um ciclo eleitoral”.
A declaração ocorre um dia após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil e poucos dias depois de Rubio anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante a audiência, Rubio afirmou que o Ocidente conta atualmente com uma coalizão de países alinhados aos Estados Unidos, que trabalham em conjunto não apenas em questões de segurança, mas também na promoção da prosperidade econômica.
O secretário não detalhou quais países integrariam essa coalizão. Neste ano, porém, o governo Donald Trump lançou a iniciativa Escudo das Américas, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. Diversos líderes da região foram convidados a participar, mas países considerados desalinhados politicamente de Washington, como Brasil, Colômbia e México, ficaram de fora do encontro.
O Departamento de Estado também promoveu, em Washington, um evento voltado à cooperação em minerais críticos, reunindo governos da região para discutir acordos estratégicos com os EUA.
Ao descrever o cenário político regional, Rubio afirmou que, “com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia – ou pelo menos de seu presidente, que tem sido problemático, de modo geral trata-se agora de uma região repleta de aliados dos Estados Unidos, de líderes amistosos aos Estados Unidos e de uma direção favorável aos interesses americanos”.
O secretário acrescentou que Washington precisa transformar esse alinhamento em ações concretas após “20 anos de negligência”, período em que, segundo ele, China e outras potências ampliaram sua influência na região, prejudicando não apenas os interesses americanos, mas também os próprios países latino-americanos.
A sugestão de novas tarifas contrastam com a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a nova proposta contra produtos brasileiros e acusou Rubio de hostilidade à América Latina durante evento também nesta terça-feira.
“Ele é anti-América Latina. É inimigo mortal de Cuba e de vários países latino-americanos”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter manifestado a Donald Trump a percepção de que o republicano não gosta do Brasil. “Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump”, declarou.