24/04/2026

Nível dos reservatórios de água da Grande São Paulo cai para 55,3% do volume ideal

Por Claudinei Queiroz/Folhapress em 24/04/2026 às 11:13

Os dias secos e ensolarados do outono paulista servem de alerta para um problema que pode piorar nas próximas semanas: a falta de água.

Como esperado, o nível dos sete reservatórios que compõem o SIM (Sistema Integrado Metropolitano) está caindo desde o dia 8 de abril, quando atingiu 56,5% do volume total. Nesta quinta-feira (23), o nível estava em 55,3%. Nos últimos dez dias, a queda foi mais acentuada, de 1 ponto percentual (de 56,3% para 55,3%).

Grande parte desse cenário pode ser creditada ao sistema Cantareira, o responsável por quase metade do volume de água da região. Desde 26 de março, quando atingiu o pico do ano (44,1%), o nível tem variado, mas também iniciou uma queda frequente de 0,6 ponto percentual nos últimos dez dias, passando de 43,7% para 43,1%.

De acordo com o portal dos Mananciais da Sabesp, a falta de chuva é um fator importante para essa redução. Em abril, choveu apenas 35,8 mm na área que compõe o sistema Cantareira, ante a média histórica de 78,4 mm.

O sistema Cantareira é composto pelos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, que garantem o fornecimento de água para cerca de 9 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo, além da liberação de uma parcela significativa de água para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

Como um sistema de alta pressão atmosférica está atuando sobre o Sudeste do país, a previsão é de dias quentes e ensolarados pelo menos até o próximo domingo (26). Essa condição de tempo seco inibe a formação de nuvens que provocam chuva e impede a passagem de frentes frias sobre a região.

De acordo com as simulações atmosféricas mais recentes do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura de São Paulo, a chuva deve retornar nos primeiros dias da próxima semana, mas sem grandes volumes de precipitação, o que não deve ser suficiente para recuperar os níveis dos mananciais.

Por isso, o governo estadual reforçou a campanha pedindo que a população faça uso consciente da água, evitando desperdícios durante a temporada de verão.

Como parte das ações para tentar evitar que os reservatórios repitam a grande crise hídrica de 2014 e 2015, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) decidiu, no dia 9 de março, manter a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em dez horas, das 19h às 5h.

Na ocasião, embora o SIM estivesse com 50,7% de sua capacidade, o Cantareira estava com apenas 38,2%. Atualmente, com 43,1% do seu volume, o sistema está operando na faixa 2-Atenção, desde 1º de abril, segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).

Nessa faixa, a Sabesp está autorizada a retirar do Cantareira até 31 m³/s em vez dos até 27 m³/s que vinham sendo autorizados até março. Mas como medida de mitigação, a companhia foi autorizada a utilizar a vazão eventualmente transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, para reforçar o nível do Cantareira.

Para tomar as resoluções, como a redução da pressão da água, a Arsesp segue uma tabela de faixas que leva em conta a situação dos mananciais e também a previsão de chuvas. Ela faz parte do novo modelo de gestão integrada dos recursos hídricos, implementado em outubro pela agência em parceria com a SP Águas e a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).

Faixas de atuação da Arsesp no SIM nesta quinta (23)

  • Faixa de normalidade – 100% a 61,57%
  • Faixa 1 – 61,56% a 55,57%
  • Faixa 2 – 55,56% a 49,57%
  • Faixa 3 – 49,56% a 43,57%
  • Faixa 4 – 43,56% a 37,57%
  • Faixa 5 – 37,56% a 27,57%
  • Faixa 6 – 27,56% a 17,57%
  • Faixa 7 – Abaixo de 17,57%

Fonte: Arsesp

Nas faixas de 1 a 3, o foco é em prevenção, consumo racional de água e combate a perdas na distribuição. As faixas 1 e 2 estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA) e a gestão de demanda noturna de oito horas, respectivamente. A faixa 3, onde São Paulo se encontra atualmente, prevê gestão de demanda noturna de dez horas por dia e intensificação de campanhas de conscientização.

Já nas faixas 4, 5 e 6, os cenários são de contingência controlada, com períodos ampliados de redução da pressão na rede, por 12, 14 e 16 horas. Por fim, na faixa 7, o cenário mais grave inclui o rodízio de abastecimento entre regiões, com obrigação de fornecimento de caminhões-pipa para apoio a serviços essenciais.

Devido à redução de pressão, segundo a Sabesp, do dia 27 de agosto passado até o fim de março foram economizados 126,46 bilhões de litros de água dos mananciais, ajudando a reduzir a queda no nível das represas. Essa economia é o equivalente ao consumo de 22,18 milhões de pessoas durante um mês.

O grande vilão do consumo é o banho. Um banho de 15 minutos pode gastar até 150 litros de água, o que em uma família de três pessoas pode significar 13,5 mil litros mensais. Banhos rápidos, de 5 minutos, podem economizar até 9.000 litros por mês.

A descarga também consome bastante água. Cheque sempre se não há vazamentos e evitem jogar papel higiênico para não causar entupimento e aumentar o desperdício.

Na cozinha, mantenha a torneira fechada enquanto ensaboa a louça e abra apenas no momento de fazer o enxágue. Caso tenha máquina de lavar louça, ligue apenas quando estiver cheia.

Junte o máximo de roupa suja antes de ligar a máquina de lavar roupas. Não esqueça que a água descartada no final da lavagem pode ser usada em outras atividades, como lavar calçadas ou varandas.
Opte sempre por vassoura no lugar das mangueiras para limpar a calçada, o quintal e outras áreas da casa. Se precisar lavar o carro, use o balde, em vez da mangueira.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

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