23/12/2025

Mesmo com preços controlados, consumidores sentem peso da ceia no orçamento

Por Beatriz Pires em 23/12/2025 às 20:00

Reprodução/ Freepik
Reprodução/ Freepik

Com a aproximação das festas de fim de ano, o planejamento da ceia volta a ser uma preocupação para muitas famílias. Dados divulgados pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) indicam que, em 2025, o reajuste dos preços dos itens natalinos ficou abaixo de 1%, o menor registrado desde 2017. Ainda assim, a sensação de que a ceia está mais cara persiste no dia a dia do consumidor.

Segundo a Apas, a expectativa é de crescimento real de 3,7% nas vendas de Natal em relação ao ano passado, impulsionado pela estabilidade dos preços e pelo aumento do poder de compra nos últimos meses.

Apesar do cenário positivo, a percepção do consumidor nem sempre acompanha os dados oficiais. Para a economista Juliana Inhaz, isso acontece porque a chamada “cesta de Natal” funciona apenas como uma referência estatística. Além disso, ela destaca que, embora alguns itens tenham se mantido estáveis, outros alimentos consumidos ao longo do ano sofreram aumentos expressivos.

“Se a renda da família não acompanhou a inflação, mesmo um reajuste pequeno pode ser sentido de forma mais intensa no orçamento”, explica a economista.

Entre os produtos que apresentaram maior estabilidade em 2025 estão aves como frango e peru, além de arroz, farofa, batata, massas e ovos. O panetone, por exemplo, teve crescimento de 12% no volume de vendas entre janeiro e novembro.

Por outro lado, alguns itens tradicionais da ceia exigem mais atenção. De acordo com Juliana, frutas secas, castanhas, bacalhau, peixes importados e azeite de oliva seguem mais caros, influenciados por questões climáticas, custos de importação e pela volatilidade do dólar. São justamente esses produtos que podem ser alvo de substituições mais inteligentes.

Do ponto de vista nutricional, é possível manter uma ceia equilibrada sem recorrer aos alimentos mais caros. A nutricionista Tassiana Trindade reforça que o planejamento é a principal ferramenta para economizar.

“Em vez de tender, peru ou pernil, é possível apostar em um fricassê de frango, que é mais barato e nutritivo. Carnes como coxa e sobrecoxa, lombo suíno ou filé-mignon suíno suprem muito bem as proteínas da ceia”, explica.

Os acompanhamentos também fazem diferença no orçamento. Salada de repolho cremosa, arroz simples incrementado com legumes, farofa básica e legumes refogados são opções que rendem bem, têm custo acessível e ajudam a equilibrar a refeição.

A nutricionista ainda chama atenção para o aproveitamento integral dos alimentos. Ela sugere que a entrecasca da melancia, por exemplo, pode ser usada em refogados ou até em um fricassê, reduzindo desperdícios e aumentando o valor nutricional da refeição.

Nas sobremesas, a dica é fugir dos industrializados. Gelatina colorida, salada de frutas ou receitas caseiras, como pudim e mousse, são alternativas mais leves e econômicas. Para Juliana Inhaz, dividir responsabilidades também ajuda a aliviar o orçamento.

“Não faz sentido preparar pratos caros ou tradicionais se ninguém consome. Quando cada família contribui com um prato, evita-se exagero, desperdício e gastos desnecessários”, conclui a economista.

loading...

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.