Manifestações anti-Trump reúnem milhões nas ruas de cidades dos EUA
Por Folhapress em 29/03/2026 às 17:43
Multidões de manifestantes foram às ruas nos Estados Unidos no sábado (28), na mais recente onda de protestos puxados pelo movimento “No Kings” (sem reis, em tradução livre), contra as políticas do presidente norte-americano, Donald Trump.
Organizadores afirmam que mais de 3.200 atos foram organizados nos 50 estados norte-americanos, para o que esperam ser o maior protesto não violento de um único dia da história dos EUA. No início do dia, eram esperadas pelas lideranças mais de 9 milhões de pessoas nas ruas de todo o país número superior aos dos dois eventos anteriores puxados pelo movimento “No Kings” no ano passado, que também atraíram milhões de manifestantes.
Apoiadores do movimento saíram às ruas nos EUA pela primeira vez em 2025, no dia do aniversário de 79 anos de Trump, em 14 de junho. Na ocasião, os atos reuniram entre 4 e 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2.100 locais por todo o país, segundo divulgado pela Reuters. A segunda mobilização, em outubro, contou com cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2.700 cidades, informou a agência.
O “No Kings” se consolidou como principal movimento de contestação desde o retorno do republicano à Casa Branca. O termo, segundo os organizadores dos atos, faz referência aos princípios democráticos e antiautoritários sobre os quais os EUA foram fundados, e que, segundo os manifestantes, Trump ignora. Representantes do movimento ouvidas pelo The New York Times afirmam que os atos convocados não têm uma reivindicação única e específica, o que reflete a natureza difusa dos protestos anti-Trump no país.
Protestos anteriores ocorreram em reação à paralisação do governo republicano e à repressão violenta por parte de autoridades federais contra imigrantes. Em janeiro, mortes por violência policial em Minneapolis jogaram luz nas abordagens agressivas e desencadearam protestos em todo o país. Ao UOL, analistas internacionais explicaram como a polícia de imigração norte-americana se tornou responsável pela escalada de violência e medo no país.
Os protestos do sábado criticaram, entre outras medidas de Trump, a guerra no Oriente Médio, iniciada com bombardeios coordenados entre EUA e Israel ao Irã. O conflito completou um mês hoje, com um saldo de milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de prejuízos à economia mundial e a maior interrupção já registrada no fornecimento global de energia.
A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou em comunicado que os atos seriam “sessões de terapia para a obsessão por Trump”. Ela divulgou ainda que os protestos são de interesse apenas de “jornalistas que são pagos para cobri-los”.
Rejeição doméstica e eleições legislativas
Pesquisas mostram que Trump enfrenta rejeição interna crescente. Levantamento divulgado na última semana pela Fox News aponta que 59% dos norte-americanos dizem desaprovar o governo do republicano, enquanto 41% aprovam. É o mais alto índice de reprovação à gestão Trump na soma de seus dois mandatos presidenciais. Em outra pesquisa, realizada pela Reuters/Ipsos e divulgada no último dia 24, a aprovação do líder americano caiu de 40% para 36%.
A rejeição foi medida em meio à alta no custo de vida no país e ao aumento no preços de combustíveis. A gasolina está mais cara nos Estados Unidos e em diferentes partes do mundo após o conflito no Irã. Além disso, desde qure iniciou seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o governo Trump invadiu a Venezuela e ameaçou anexar a Groenlândia e o Canadá, além de ameaçar depor o regime cubano.
A reprovação doméstica inédita ameaça os republicanos nas eleições de meio de mandato. Em 3 de novembro, os eleitores escolherão os congressistas que conquistarão cadeiras em Washington e em praticamente todas as assembleias legislativas locais, além dos governadores da maioria dos estados.
Lideranças do movimento afirmam que mais de 50% dos protestos registrados hoje ocorreram em estados e áreas com tendência republicana ou considerados decisivos para a eleição. “O dado é impressionante e significativo. Acho que também demonstra o apelo universal do que estamos tentando alcançar aqui”, afirmou Lisa Gilbert, uma das organizadoras do evento nacional a repórteres.
“Esta não é uma questão partidária. Na verdade, é o ato mais patriótico que se pode fazer. Levantar-se, unir-se e dizer que não há reis na América não é controverso”, disse Lisa Gilbert, copresidente da organização Public Citizen, à CBS News.
Multidões também se manifestaram contra Trump e sua política externa pela Europa. Manifestações foram registradas na Itália, França, Alemanha e Espanha, motivadas pelos atos nos Estados Unidos.
Atos pelos EUA
Concentrações dos atos nos EUA começaram pela manhã. Os manifestantes, que incluem políticos eleitos, artistas famosos e líderes comunitários, entoaram gritos de ordem e carregaram cartazes com mensagens contra a guerra no Irã, as supostas ameaças aos direitos de voto e a campanha de deportação em massa da Casa Branca, entre outros temas.
As principais manifestações ocorrem em Nova York, Los Angeles, Washington, Minneapolis e Saint Paul. Mas espera-se que dois terços dos participantes venham de fora dos grandes centros urbanos um aumento de quase 40% para comunidades menores em relação à primeira mobilização do movimento em junho passado, disseram os organizadores à Reuters.
O estado de Minnesota foi designado como principal palco do evento nacional, considerado o epicentro de protestos anti-governo após ações federais ligadas à repressão migratória. Minneapolis e St. Paul devem concentrar o maior ato do país, com expectativa de até 100 mil pessoas na área do Capitólio do estado, onde uma manifestação anterior já havia reunido cerca de 80 mil participantes.