Durante três dias, o futuro da educação superior foi debatido em um encontro mundial com representantes de diversos países, promovido pela Unesco, em Barcelona, na Espanha. A presidente do Semesp, da rede Metared Brasil e da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Dra Lúcia Teixeira, participou dos debates na mesa Reflexões e debates sobre a Educação Superior na América Latina. 





Durante as discussões, ela defendeu que o tema precisa ser uma política de estado e não de governo, além de apresentar um documento com propostas de diretrizes para as políticas públicas na área. “Estamos trazendo propostas, contribuições e dados também. É muito importante essa produção de dados, da pesquisa, da ciência. O Brasil aqui está muito bem representado”, afirma. 





Um dos fatores elencados por Lúcia, é o financiamento. “O setor educacional privado brasileiro responde atualmente por 77,5% das matrículas na graduação, 84% em cursos de especialização e 31% na pós-graduação stricto sensu. Precisamos aumentar o acesso à educação superior no país, pois esta ainda se mantém muito abaixo do que seria desejável. A taxa de escolarização líquida no ensino superior é de apenas 17,8 %, sendo que a meta do Plano Nacional de Educação é de 33% até o ano de 2024”, disse ela. 





A doutora ainda citou os sistemas de financiamento da Austrália, Inglaterra, Coreia do Sul, Hungria e Japão, como modelos que podem servir de inspiração. A segunda proposta foi a ampliação do Programa Universidade para Todos- ProUni, e destacou que a educação profissional e tecnológica precisa ser aperfeiçoada. 





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“Nossa proposta envolve a modernização do marco legal, com o estabelecimento de uma trajetória articulada entre a educação técnica e profissional e superior; autorização de cursos em formatos de certificações intermediárias; criação de um sistema dual flexível de formação escola-empresa, aproximando as experiências de sala de aula da realidade do mundo do trabalho; implantação de uma Plataforma Nacional Digital, reunindo as ofertas de cursos de EPT, os itinerários formativos e as instituições, entre outras informações”, afirmou ela. Ela abordou também a formação docente, a Ciência e a internacionalização.





Ao final da discussão, Lúcia teve ainda uma reunião com Francesc Pedró, diretor do Instituto Internacional de la Unesco para la Educación Superior en América Latina y el Caribe (Unesco IEsalc), a quem levou as informações e demandas do Brasil, com propostas para aumentar a qualidade da formação superior. 





“O Brasil precisa disso, o mundo precisa disso. Estamos nessa grande cúpula para que a educação e o futuro sejam realmente melhores”, finaliza.