Homem é condenado por matar a esposa em caso que envolve babá brasileira nos EUA
Por Isabella Menon/Folhapress em 03/02/2026 às 09:46
O americano Brendan Banfield foi considerado culpado pelo assassinato da esposa, Christine Banfield, e de um homem, Joseph Ryan, em 2023. O caso envolve a brasileira Juliana Peres Magalhães, que trabalhava na residência do casal em Reston, na Virgínia, como babá da filha deles. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (2).
Banfield ainda aguarda a sentença, prevista para maio, quando poderá receber a pena máxima prevista em lei. Ele também foi condenado por uso de arma de fogo e por colocar uma criança em perigo a filha do casal, que tinha quatro anos à época, estava na casa no momento dos assassinatos.
Na fase final do julgamento, os promotores afirmaram que Banfield e Juliana, que mantinham uma relação extraconjugal, conspiraram para atrair um homem até a residência. O plano, segundo a acusação, era incriminá-lo pelo assassinato de Christine Banfield.
De acordo com a investigação, o homem não tinha qualquer relação com a família e foi encontrado por Banfield e pela babá por meio de um site fetichista. A audiência, iniciada em 12 de janeiro, ouviu mais de 20 testemunhas.
Após o veredito, o promotor do condado de Fairfax, Steve Descano, afirmou a jornalistas que Banfield teve uma conduta “monstruosa”, sobretudo por cometer os crimes e depois mentir no banco das testemunhas.
Segundo a promotoria, Banfield desejava construir uma vida com Juliana e não via outra forma de fazê-lo sem matar a esposa. Questionado se teria alguma mensagem para a filha do casal, Descano respondeu: “Não sei se tenho uma mensagem para ela, mas espero que ela passe a vida cercada de pessoas que a amem”.
Babá brasileira
A brasileira Juliana Peres Magalhães foi presa em 2023, acusada de matar Joseph Ryan. Em 2024, firmou um acordo com a promotoria, declarou-se culpada por homicídio culposo e pode ser sentenciada a até dez anos de prisão. Em troca de uma pena mais branda, comprometeu-se a colaborar com a investigação e a testemunhar contra Banfield.
Após o julgamento, a promotora Jenna Sands afirmou que a redução da pena foi necessária para incentivar Juliana a dizer a verdade e que o acordo reflete sua cooperação com o caso. Ela afirmou durante audiência que a morte foi planejada por semanas e que Banfield teria afirmado que o divórcio não era uma opção pois envolveria dinheiro.
Segundo o jornal The New York Times, durante a audiência, o advogado de Banfield, John Carroll, alegou que Juliana teria iniciado conversas com um jornalista interessado em comprar sua história. De acordo com mensagens apresentadas no tribunal, o plano seria produzir um documentário para a Netflix.
Ao ser questionada sobre o motivo de ter testemunhado contra Banfield, Juliana disse que fez “a coisa certa”. A defesa, no entanto, atacou sua credibilidade e pediu que os jurados considerassem as circunstâncias do acordo firmado com os promotores.
“Quando se mente e se manipula para levar alguém a fazer uma declaração, isso não é buscar a verdade”, afirmou o advogado na alegação final, na sexta-feira (30). “Isso é plantar a verdade.”
A promotora Jenna Sands reconheceu que o tempo de prisão “certamente nunca compensará as vidas pelas quais ela foi responsável por tirar”, mas afirmou que o acordo permitirá que a juíza aplique uma punição proporcional e mensurável.