01/06/2026

Ensino superior público tem custo por estudante quatro vezes maior que o privado, diz presidente do Semesp em Fórum de Lisboa

Por Santa Portal em 01/06/2026 às 20:00

Divulgação/Instituto Semesp
Divulgação/Instituto Semesp

O custo anual de formação de um estudante no ensino superior público brasileiro é cerca de quatro vezes maior do que o registrado na rede privada. Enquanto o valor médio por aluno/ano nas instituições particulares gira em torno de R$ 9,7 mil, segundo levantamento do Instituto Semesp, o investimento público direto por estudante nas universidades públicas alcança aproximadamente R$ 39,1 mil ao ano, de acordo com dados oficiais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), por meio dos Indicadores Financeiros Educacionais.

A diferença evidencia a relevância estratégica do setor privado para a ampliação do acesso à graduação no país e representa uma economia potencial ao Estado brasileiro estimada em R$ 239,76 bilhões anuais, valor equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Os dados foram apresentados pela presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, durante sua participação na 14ª edição do Fórum de Lisboa, nesta segunda-feira (1º), em Portugal. O evento reúne acadêmicos, gestores, especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil do Brasil e da Europa para debater os impactos da tecnologia, da inovação e das transformações globais sobre a democracia, a economia e a sociedade, dentro do tema central “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.

Representando o Semesp, entidade que reúne cerca de 1.300 instituições de ensino superior privadas em todas as regiões do Brasil que atendem mais 3,2 milhões, Lúcia participou da cerimônia de abertura do Fórum, realizada na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), e integrou o painel “Educação na Sociedade da Informação: desafios da transformação demográfica e tecnológica”.

Durante o debate, a presidente do Semesp destacou que a participação das instituições privadas é fundamental para a sustentabilidade do sistema de ensino superior brasileiro, tanto pela capacidade de ampliar vagas quanto pela redução do impacto financeiro ao poder público. Segundo levantamento do Instituto Semesp realizado em 2026, com 7.680 observações de mensalidades de cursos presenciais, semipresenciais e a distância, o valor médio das mensalidades no ensino superior privado é de R$ 815,42 por mês, o equivalente a cerca de R$ 9.785,00 anuais por estudante.

Em contrapartida, dados oficiais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), atualizados pela inflação até 2025, indicam que o investimento público anual por aluno no ensino superior chega a R$ 39.159,00. A diferença reforça, segundo a dirigente, o papel das instituições particulares na expansão do acesso ao ensino superior com menor custo direto ao Estado.

Nesse contexto, Lúcia Teixeira, que também é presidente da Unisanta, ressaltou a importância de políticas públicas como SiSU, ProUni e FIES para ampliar o acesso à graduação e democratizar o ensino superior no Brasil. Segundo ela, os programas foram fundamentais para impulsionar o ingresso de estudantes, especialmente das camadas mais vulneráveis da população, permitindo que milhões de jovens chegassem à universidade por meio da complementaridade entre os setores público e privado.

A presidente do Semesp observou, porém, que a ampliação das matrículas ainda esbarra em desafios estruturais ligados à qualidade da Educação Básica. “A defasagem no ensino básico público gera desvantagens que acompanham os estudantes ao longo da trajetória universitária, exigindo políticas não apenas de acesso, mas também de permanência e conclusão dos cursos”, destacou.

Ela lembrou ainda que o setor privado responde atualmente por cerca de 8,16 milhões de matrículas de graduação no Brasil, contribuindo diretamente para o cumprimento das metas nacionais de escolarização previstas no Plano Nacional de Educação.

Outro ponto apresentado durante o painel foi o desafio da permanência estudantil. Atualmente, apenas 20,8% dos jovens entre 18 e 24 anos ingressam no ensino superior. Além disso, a evasão anual em 2024 nos cursos presenciais foi de 25%, sendo 26,6% na rede privada e 21,4% na pública. Na modalidade de Educação a Distância (EaD), 41% dos alunos deixaram a graduação antes da conclusão do curso.

O painel contou ainda com a participação de Anibal Souza, Beth Guedes, Juliano Griebeler, Manoela Resende, Mônica Sapucaia e Patrícia Werner. O Fórum de Lisboa é promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em parceria com o Lisbon Public Law Research Centre (LPL) e a FGV Justiça.

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