09/01/2015

Em 1997, tragédia após show do Raimundos abalou Santos para sempre

Por Juan Reol/#Santaportal em 09/01/2015 às 19:14

RETROSPECTIVA 18 ANOS – No dia 26 de janeiro de 2015 o Sistema Santa Cecília de Comunicação, formado pela Santa Cecília TV , 107,7 Santa Cecília FM e #Santaportal , completa 18 anos. A emissora de televisão completa os mesmos 18 anos do Sistema, já a rádio faz aniversário de 16 anos. O portal de notícias na internet, o mais novo da “família”, chega ao terceiro ano de existência apenas no dia 12 de junho.

A partir de sexta-feira (9), exatos 18 dias que antecedem o aniversário do Sistema Santa Cecília de Comunicação, o #Santaportal relembrará, a cada dia, um fato marcante que aconteceu na Baixada Santista e que recebeu atenção da equipe de Jornalismo do Sistema. Com início em 1997 e conclusão, claro, em 2015.

O texto de estreia do #Santaportal lembra uma tragédia que abalou Santos no fim da década de 90. Há poucos meses de completar um ano, a Santa Cecília TV participou da cobertura do trágico acidente que aconteceu na madrugada de 8 de novembro de 1997, quando oito pessoas morreram e 63 ficaram feridas na saída do show da banda de rock Raimundos, que aconteceu no então Clube de Regatas Santista, no bairro Ponta da Praia. Atualmente o local não tem nenhuma construção, servindo hora com estacionamento hora para montagem de circos e parques de diversão itinerantes.

Cerca de cinco mil jovens estiveram presentes no ginásio de esportes do Regatas. Mesmo sem alvará da Prefeitura Municipal de Santos – na época com Beto Mansur em sua primeira passagem como prefeito (1997-2000) – ou autorização do Corpo de Bombeiros, uma empresa de eventos contratou o espaço do tradicional clube para a apresentação do Raimundos, que vivia seu auge no Brasil. Relatos contam que o ambiente estava propício para uma tragédia, com um número muito grande de pessoas e poucos seguranças contratados pela responsável para manterem a ordem e organização.

O acidente aconteceu logo após o término da apresentação, por volta das 3 horas. Os dois corrimões da escada de acesso ao ginásio, que era de dois lances, se romperam e centenas de pessoas caíram de uma altura de quatro metros. Na época, testemunhas alegaram que só uma saída estava aberta, com outras quatro permanecendo trancadas. O então presidente do clube, Reinaldo Gomes Ferreira, no mesmo dia, emitiu nota afirmando que todas estavam destrancadas mas, mesmo assim, não conseguiu provar e sofreu diversos processos na Justiça que, anos mais tarde, colaboraram para a extinção do Regatas devido a uma dívida milionária, incluindo também falta de pagamento de IPTU, funcionários, entre outros.

Como as pessoas caíram umas sobre as outras, centenas delas, um tumulto generalizado tomou conta fora e dentro do ginásio. Sete das oito vítimas fatais faleceram por asfixia no próprio local. Alguns dias depois veio a morrer a oitava devido traumatismo craniano.

À época as pessoas descreveram a saída do ginásio do Regatas Santista como uma zona de guerra, com pessoas feridas e desesperadas por todos os lados. A situação foi tão precária que os veículos de imprensa chegaram ao local antes mesmo das ambulâncias do resgate. Algumas vítimas foram levadas aos prontos socorros da Zona Leste e Central nos camburões da Polícia Militar.

Dois dias após o incidente, 10 de novembro, o grupo Raimundos cancelou os 14 shows seguintes que ainda fariam em 1997. Na época eles apresentavam turnê do álbum “Lapadas do Povo”. “Este ano não tem mais show do Raimundos. A gente está consternado porque nos consideramos a continuação do público em cima do palco. Perdemos sete irmãos (a oitava vítima veio a falecer dias depois da entrevista)”, disse o então vocalista Rodolfo, atualmente fora da banda, em entrevista realizada na sede da WEA, em São Paulo. Para Digão, guitarrista, a desgraça no Regatasfoi comparada à perda do irmão mais velho, morto em um desastre de moto.

Após 17 anos – completa 18 em novembro -, a tragédia ocorrida no Regatassegue sendo a maior que já aconteceu em Santos, isso incluindo o desastre aéreo ocorrido em 2014, quando um jato caiu sobre o bairro do Boqueirão causando a morte de sete pessoas, entre elas o então candidato à presidência da República, Eduardo Campos (PSB), e sete feridos.

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