Casos de mpox mais que dobram em 20 dias, com 129 confirmações no Brasil
Por Folhapress em 09/03/2026 às 18:15
Subiu para 129 o números de casos confirmados de mpox no Brasil desde o início de 2026, segundo o painel de monitoramento para a doença, do Ministério da Saúde, atualizado na última quinta-feira (5).
São Paulo encabeça a lista, com 86 confirmações -66% do total. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (19), Roraima (10), Minas Gerais (7), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (3) e Paraná (2). Sergipe, Santa Catarina, Paraíba, Goiás, Ceará e Distrito Federal têm 1 caso cada.
O número de casos mais que dobrou entre a segunda quinzena de fevereiro e a última quinta-feira. Além das confirmações, há 570 casos sob investigação, e 7 classificados como prováveis. O país ainda não registrou óbitos pela doença neste ano. Em 2025, foram contabilizados 1.079 casos e dois óbitos.
Segundo o Ministério da Saúde, o cenário atual de mpox no Brasil não indica uma situação de crise e o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para o diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, com investigação epidemiológica e rastreamento de contatos.
A doença, causada pelo vírus mpox, anteriormente conhecido como vírus da varíola dos macacos (monkeypox, em inglês), causa febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos este último, que causa pequenos inchaços em algumas regiões do corpo.
Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa.
O que é a Mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português), é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola, explica infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana.
Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas de mão e do pé e mucosa. Segundo a médica, casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.
O vírus que causa a mpox se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.
“Essa avaliação indica a circulação do vírus”, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Classicamente, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos.” Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.
Como a doença é transmitida?
A principal forma de transmissão da doença é entre seres humanos, afirma Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis. Segundo ele, é raro a transmissão vinda de um animal, sendo o mais comum ser do contato próximo entre pessoas, com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos pessoais contaminados.
“O vírus penetra no ser humano através de lesões de pele, mesmo que essas lesões não sejam visíveis. Pode penetrar raramente pelo trato respiratório, membranas mucosas, como nos olhos, boca e nariz”, diz Furtado. Outra via de transmissão em debate, afirma, é a vertical via placentária, a chamada mpox congênita.
A transmissão sexual também é possível, afirma o médico, tendo ocorrido de forma mais frequente entre homens que fazem sexo com outros homens. No entanto, o risco não é restrito a esse grupo e pode acontecer com qualquer pessoa que tenha contato com a lesão com mucosas ou lesões cutâneas.
A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci.
O que posso fazer para prevenir a contaminação?
Para Furtado, a medida protetiva mais importante é evitar o contato corporal pele a pele. Além disso, as pessoas que tiverem as manifestações clínicas da doença devem ficar afastadas durante o período de transmissibilidade, que corresponde ao período em que as lesões estão ativas, diz.
Outra forma de prevenção eficaz é a vacinação da população. O Ministério da Saúde afirma que realizou a aquisição emergencial da vacina para pessoas que vivem com HIV/Aids e que possuem CD4 entre 100 e 200 células, usuários de PrEP e profissionais de saúde que manipulem amostras do vírus.
No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar um maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta”, afirma.
Falci indica também mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e o uso de equipamento de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.
O Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e, em caso de sintomas ou suspeita de contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, que se procure uma unidade de saúde para avaliação clínica e isolamento até avaliação médica.