O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSOL, Guilherme Boulos, cumpriu uma agenda e compromissos nesta quarta-feira (21) em Santos. Boulos falou sobre a recente polêmica envolvendo alterações em seu cadastro no SUS com ofensas e xingamentos a membros de sua família.





O ex-candidato à Prefeitura de São Paulo esteve na Santa Cecília TV, participando da gravação do programa Ponto de Vista, e depois comentou em entrevista ao Santa Portal sobre a fraude em seus cadastros pessoais no SUS.





Boulos revelou ter tomado conhecimento do problema na segunda-feira (19). A alteração foi realizada no sistema de registro de dados para o Cartão Nacional da Saúde, que reúne informações de usuários do SUS.





“É lamentável que esse tipo de coisa aconteça no Sistema Único de Saúde, que é uma conquista do povo brasileiro. Quando eu fui verificar a vacina que eu tomei na semana passada contra a covid, eu quis verificar se a imunização já havia sido incluída no meu cadastro. Quando fiz a consulta, eu não só percebi que a vacina não tinha sido incluída no meu cadastro como os nomes dos meus familiares tinham sido alterados por xingamentos. Colocaram fotografias aleatórias, fizeram ataques e ofensas”, contou o político.





Entre as mudanças no cadastro de Boulos foram incluídas fotos dele em uma barricada pegando fogo, e registros de sua família passaram a ter nomes como "Kid Bengala".






O Ministério da Saúde se manifestou sobre a polêmica e informou que "verificou uma alteração na base do CNS realizada por uma pessoa credenciada para utilizar o sistema de cadastro de dados" e que pediu o bloqueio "da credencial usada nestas ações".





“É ainda mais estarrecedor quando a gente vê que foi feito por alguém de dentro do governo, se utilizando da máquina pública, de um cadastro público. É o ‘gabinete do ódio’ tomando conta do poder público no Brasil. Agora não basta o Governo Federal, o Ministério da Saúde apenas reconhecer que isso foi feito por um servidor. Nós queremos saber quem é esse servidor, qual é a punição que ele vai ter? Isso não pode acontecer”, disse Boulos.





O pré-candidato do PSOL ao governo paulista ainda destacou que o seu partido pretende cobrar formalmente explicações sobre o episódio e pedir punição aos envolvidos. “O meu partido, o PSOL, vai entrar com uma ação no Ministério Público. Vamos pedir explicações com base na Lei de Acesso à Informação. E assim, é algo que não foi só comigo, esse não foi um caso isolado. Antes aconteceu também com a Gleisi Hoffmann (deputada federal e presidente do PT) e com a Manuela D’Avila (do PCdoB, que foi vice na chapa de Fernando Haddad, do PT, nas últimas eleições presidenciais), além de várias outras lideranças da oposição”, concluiu.