Após morte de cão, Alesp discute embarque de animais em aviões
Por Santa Portal em 14/10/2021 às 19:29
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alesp, presidida pelo deputado estadual Caio França (PSB) recebeu, nesta quinta-feira (14), representantes da companhia aérea Latam para discutir a morte de um cão Golden Retriever no último dia 14 de setembro durante transporte aéreo do animal na ponte aérea São Paulo/Rio de Janeiro.
Participaram a diretora de relações institucionais da LATAM, Gislaine Rosseti, e o diretor da LATAM (Cargo Brasil), Otávio Meneguette. O requerimento é de autoria do deputado Caio França.
Segundo Otávio Meneguette, o embarque dos animais é feito com uma hora e meia de antecedência ao horário previsto para decolagem e ele é entregue ao dono uma hora e meia após o desembarque no destino. No caso do cão Zion, totalizando quatro horas de isolamento do pet.
O deputado Caio França questionou o tempo para a entrega do cão ao dono no destino final, de uma hora e meia, que supera o tempo da ponte aérea Rio-São Paulo que gira em torno de uma hora. “Isso precisa ser revisto urgentemente. A imposição desse afastamento por um longo período de tempo entre o proprietário e o seu pet é totalmente incoerente e reflete na saúde física e emocional do animal. Este também não é o primeiro incidente envolvendo pet que ocorre com esta companhia”, relembrou.
França também mencionou que os preços das passagens aéreas no Brasil são altos e que seria muito importante que estes animais contassem com monitoramento de médicos veterinários durante o voo. “As companhias aéreas precisam trabalhar para que isso não volte a ocorrer, é preciso evoluir no tratamento oferecido aos pets no transporte aéreo. Pets são a extensão da nossa família”, disse.
Os representantes da Latam reforçaram que todos os processos estão sendo revistos, que mudanças já estão previstas, em especial em relação ao tempo do embarque e do desembarque dos animais. Disseram ainda que a empresa está analisando as operações em outros países, estudando os procedimentos de outras companhias aéreas em todo mundo e que pretendem tornar-se referência, a partir desse incidente.
Otávio Meneguette, que atua na área de cargas, atribuiu o episódio com Zion a uma fatalidade. Segundo ele, há um procedimento de agendamento para realizar o transporte aéreo de pets, que acontece nos porões das aeronaves de passageiros. “O primeiro passo é verificar se ele cumpre a idade mínima estipulada pela companhia aérea, em seguida observar o kennel (embalagem para transporte), que deve ter três faces abertas para circulação de ar e altura e largura adequadas, se existe água e alimentação acessíveis, e se a carteira de vacinação está em dia”, observou.
Porém, Zion cumpria com todas as exigências de saúde para realizar a viagem. Por este motivo, o deputado Bruno Ganem (Pode) entende que há fortes indícios de negligência por parte da companhia aérea. Ele solicitou ao presidente Caio França um ofício dirigido à ANAC, em nome da Comissão de Meio Ambiente, na cobrança de regras mais duras, no sentido de evitar novas ocorrências.
A diretora de relações institucionais da Latam, Gislaine Rosseti, lamentou profundamente a morte do cão Zion, garantindo que as responsabilidades estão sendo apuradas e todos os processos e atores que envolvem a cadeia revistos, reforçando as medidas de transparência adotadas pela empresa no sentido de prestar todos os esclarecimentos à tutora, à imprensa, aos órgãos públicos e a sociedade. “Toda crise traz a oportunidade de rever processos”, reforçou a diretora.
França finalizou confirmando que encaminhará relatório aos órgãos competentes e que pretende elaborar legislação para garantir melhores condições no transporte de animais. Participaram da reunião os deputados Adalberto Freitas (PSL), Bruno Ganem (PODE), Paulo Corrêa Jr. (DEM), Marina Helou (Rede), Sebastião Santos (Republicanos) e Marcos Zerbini (PSDB).