O que representa o cinturão BMF, título que Charles do Bronxs pode conquistar no UFC 326
Por Santa Portal em 05/03/2026 às 15:00
O guarujaense Charles Oliveira, o Charles do Bronxs, de 36 anos, entra no octógono neste sábado (7) para enfrentar o havaiano Max Holloway, 34, no UFC 326. A luta vale um dos títulos mais curiosos da organização: o cinturão BMF, sigla para Baddest Motherfucker, expressão popularizada no MMA para definir o lutador mais “casca-grossa” do plantel.
Diferentemente dos cinturões tradicionais do Ultimate Fighting Championship (UFC), que representam o campeão de uma categoria de peso, o BMF surgiu como um título simbólico, criado para premiar lutadores conhecidos pelo estilo agressivo, carisma e capacidade de entregar lutas enérgicas. Na prática, o cinturão funciona como um selo de espetáculo. Quando ele está em jogo, a expectativa é de trocação intensa e alto entretenimento para os fãs.
Charles foi possui credenciais suficientes para disputar o título. Um dos lutadores mais empongantes da história, ele é recordista de bônus de premiação em suas lutas, com 21 conquistas. O guarujaense também soma 17 finalizações no Ultimate – quatro a mais que o segundo da lista, Jim Miller – além de 21 vitórias por via rápida, duas a mais que o norte-americano, novamente segundo colocado.
O combate é uma revanche aguardada há mais de 10 anos. Em 2015, o guarujaense lesionou o ombro esquerdo no começo da luta, disputada na categoria peso-pena, e Holloway venceu por nocaute técnico. Após o duelo, ambos foram campeões do Ultimate e atualmente lutam no peso-leve.
A origem
O cinturão BMF nasceu em 2019, após uma provocação do estadunidense Nate Diaz. Depois de vencer Anthony Pettis, o lutador afirmou em entrevista que havia feito a “primeira defesa do cinturão BMF”, um título que, na verdade, não existia oficialmente.
A ideia chamou atenção da organização. O presidente do UFC, Dana White, transformou a provocação em marketing e criou um cinturão especial para a luta entre Diaz e Jorge Masvidal no UFC 244, realizado em Nova York.
O combate reuniu dois lutadores populares e conhecidos pelo estilo agressivo. Masvidal venceu por interrupção médica após um corte profundo no rosto de Diaz e se tornou o primeiro campeão BMF da história. O cinturão foi entregue no octógono pelo ator Dwayne Johnson, o “The Rock”. Inicialmente, o título seria apenas simbólico e exclusivo daquela luta, mas o sucesso entre os fãs fez o UFC mantê-lo na organização.
Três campeões
Desde sua criação, apenas três lutadores conquistaram o título. Jorge Masvidal, que venceu Nate Diaz no UFC 244, em 2019, reinou até 2023, quando se aposentou. O cinturão ficou vago até Justin Gaethje derrotar Dustin Poirier por nocaute no UFC 291, em 2023.
Já em 2024, Max Holloway conquistou o cinturão ao nocautear Gaethje no histórico UFC 300, em 2024. A vitória do havaino entrou para a história do MMA. Faltando poucos segundos para o fim da luta, o havaiano apontou para o centro do octógono e chamou o compatriota para a trocação franca. No último segundo, acertou um cruzado que resultou em um dos nocautes mais marcantes da história do UFC.
Holloway foi o único a defender o título. No ano passado, o lutador concedou uma nova disputa para Dustin Poirier, no estado natal do rival, em Louisiana. O combate principal do UFC 318 foi a terceira vez que os dois se enfrentaram, e marcou a luta de despedida da carreira de Poirier. O ex-campeão dos penas venceu pela primeira vez seu algoz por decisão unânime dos juízes.