Milésimo gol de Pelé fez torcedora símbolo se apaixonar de vez pelo Santos
Por Ted Sartori/#Santaportal em 19/11/2019 às 12:28
GOL MIL – Em 19 de novembro de 1969, Vilminha Santista ainda não carregava este apelido. Era a adolescente Vilma Mattos de Lima, de 16 anos, que viveu naquela noite um momento importante de sua vida como torcedora do Santos e de Pelé. Exatamente quando o Rei do Futebol atingiu sua milésima bola na rede.
A história começa uma década antes. Vilma tinha 6 anos em 1959, quando veio com a família de Cabrália Paulista, no interior de São Paulo, para morar em Cubatão. Era uma família de seis irmãos. Manoel, o pai, gostava de futebol e levava a menina para ver os jogos dos times da cidade, como o Comercial, que vez por outra enfrentava o Santos. “O compadre dele, que era santista, o levava para assistir jogos na Vila. E eu ia junto”, relembrou.
A paixão por Pelé veio após uma cena aparentemente simples justamente em um jogo do Peixe contra o Corinthians, time do pai, um fanático torcedor. Daqueles de quebrar rádio e sair chutando tudo o que via pela frente após uma derrota.
“Quando eu tinha uns 9, 10 anos, fui na Vila, não me lembro o jogo exato, mas o Santos ganhou. O Pelé foi agarrado pelo pescoço, perdeu uma correntinha e se abaixou para procurar. Aquilo me deixou tão triste. Pensava: ‘O que fizeram com aquele menino?’. Aí meu pai, com aquele jeitão nordestino, dizia: ‘Deixa ele'”, contou.
A menina Vilma, então, passou a torcer por aquele camisa 10. Detalhe: ela nem sabia de quem se tratava. Tanto que achava que o nome dele era ‘tal de Pelé’, pois o pai assim respondera. “Fui me apaixonando cada dia por ele até que eu perguntei por qual time ele jogava. Aí soube que era o Santos e começou a paixão pelo clube”. Todo domingo era dia de ver o Peixe em campo, acompanhada do pai.
Naquela noite de 19 de novembro de 1969, porém, tudo mudaria. Era pela TV que a adolescente Vilma acompanharia o duelo entre Santos e Vasco, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Foi quando o árbitro Manoel Amaro de Lima apitou o pênalti sobre o Rei do Futebol.
“Como corintiano, meu pai não gostou da marcação do pênalti. Falou que tinha sido arrumado. Comemorei e ele desligou a TV, mandando os filhos para os quartos”, detalhou. “Mas ele era muito frustrado porque nunca conseguiu fazer nenhum filho ou sobrinho corintiano. Minha mãe (Ignez) também era santista)”, completou.
O choro de Vilma, porém, custou-lhe algumas cintadas, quando ela estava na cama. “Falei pra ele: amanhã o senhor vai trabalhar e eu vou assistir o dia inteiro às comemorações”. Junto, uma promessa: de que seria a última vez que o pai lhe bateria. De quebra, Vilma passaria a ir sozinha aos jogos.
“Como eu trabalhava de auxiliar de limpeza na Santa Casa de Santos, ganhava meu dinheiro e ajudava em casa. Disse que a partir daquele dia iria viver da minha maneira: atrás do Santos”. E assim foi. Vilma cresceu e, incrivelmente, virou Vilminha. Sim, a Santista. Com mil histórias para contar de milhares de bolas na rede comemoradas gramados afora.