"Das Arquibancadas à Presidência - 2002": campeões relembram trajetória até o título
Por Rodrigo Martins, Noelle Neves e Sabrina Louise/#Santaportal em 12/06/2018 às 10:25
SANTOS FC – Ex-presidente do Santos, Marcelo Teixeira lançou na noite desta segunda-feira (11) o livro “Das Arquibancadas à Presidência – 2002”, contando a sua trajetória de vida, o amor pelo Peixe e a história do título brasileiro de 2002. Heróis daquela conquista estiveram presentes ao evento, bem como ídolos de outras gerações, e falaram sobre a sensação de verem mais uma vez a história que construíram com aquele título eternizada no livro de Teixeira.
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“Até conquistar a gente não sabia o que era (essa conquista), pois 18 anos na fila é muita coisa. Quando conquistamos o título, a gente olhava para a arquibancada e só via gente chorando. Era para ser alegria, mas a gente só via gente chorando. O engraçado é que a ficha foi cair só dois ou três dias depois. Foi o ressurgimento do clube, em boa parte graças ao apoio do Marcelo Teixeira, ao convívio dele com o elenco. Esse livro demonstra tudo, é um livro marcante, que conta a história de um título e o ressurgimento de um grande clube”, disse o ex-lateral-esquerdo Léo, autor do gol do título brasileiro de 2002 sobre o Corinthians.
Volante daquela equipe vitoriosa, Paulo Almeida lembra que o ano começou tenso, pois os santistas não conseguiram a classificação no Torneio Rio-São Paulo daquele ano. “O ano de 2002 começou tumultuado. Começamos a jogar em janeiro, mas no começo de abril já estávamos de férias de novo. Ficamos quase quatro meses sem jogar e o Santos estava com dificuldades financeiras, sem dinheiro para contratar. Quando voltamos a treinar pro Brasileiro, nós tivemos um tempo de preparação muito grande, mas ganhávamos um jogo, perdíamos outro. Era uma desconfiança muito grande, diziam que a nossa equipe era para não cair. Porém, o time se encaixou direitinho, deu liga ali. Quando eliminamos o São Paulo, no mata-mata, que tinha sido o melhor time da competição, deu para a gente ver que poderíamos ser campeões. Revendo esse pessoal, a gente tem dimensão do que a gente fez lá atrás. A história que a gente fez, não tem dinheiro que pague”, afirmou o capitão do Santos em 2002.

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Marcelo Teixeira trocou Celso Roth por Emerson Leão no comando técnico e o capitão lembra que com a chegada do novo treinador as coisas começaram a se transformar. “A importância do Leão foi enorme. Tenho certeza que se fosse algum outro treinador, a gente não teria chegado. Ele era o cara certo, na hora certo, naquela hora era o que o time precisava e o suporte que aqueles jovens jogadores necessitavam. Todo o elenco de 2002 encaixou muito bem com o Leão”, comentou.
Renato, volante do atual time praiano e que, em 2002, fazia dupla com Paulo Almeida, acredita que a alegria e a união daqueles jogadores foram determinantes para a conquista. “Acho que foi uma conquista do grupo, muitos não acreditavam, mas a gente conseguiu provar dentro de campo. A união que a gente tinha fora, conseguimos transformar e levar para dentro do campo. Durante o campeonato todo, a alegria que a gente tinha aparecia dentro de campo. O Corinthians era favorito, uma equipe experiente, com jogadores que tinham vencido a Copa do Mundo, porém estávamos em um grande momento e conseguimos superá-los. Foi uma conquista que mudou a vida de todo mundo”, destacou.
Para Renato, a vitória diante do São Paulo no primeiro jogo das quartas-de-final, na Vila Belmiro, foi quando ele sentiu que aquela equipe poderia ser campeã. “Acho que quando a gente conseguiu a classificação e, depois, vencemos o primeiro jogo contra o São Paulo, ali percebemos que poderíamos ser campeões. Jogamos muito bem e ganhamos por 3 a 1. O São Paulo tinha vencido 10 jogos seguidos, mas conseguimos bater a equipe deles e mostramos que éramos fortes candidatos ao título, que veio depois”, revelou.
Autor do segundo gol, que praticamente garantiu o título na final contra o Corinthians, o ex-meia Elano demonstrou sua satisfação por reencontrar os antigos companheiros e ver a trajetória daquele time retratada na autobiografia de Marcelo Teixeira. “A gente fica muito feliz de estar nesse momento, comemorando uma grande conquista, por causa dessa obra do Marcelo Teixeira. Todas as pessoas que estiveram naquele momento foram importantes para aquele título”, pontuou.
Alberto era o centroavante santista na campanha vitoriosa de 2002 e também demonstrou toda a sua satisfação por essa conquista ser relembrada na obra do ex-presidente alvinegro. “É bacana porque a gente é relembrado ano após ano pelo título. Foi considerado o ressurgimento do Santos, pois era uma situação complicada, sem grandes conquistas há 18 anos. O clube não tinha poder econômico para grande contratações, mas nós surgimos para resolver essa situação e o Santos cresceu de uma forte exorbitante de lá para cá. E ser lembrado é sempre motivo de orgulho pelo trabalho bem feito e que foi coroado com aquele título especial, razão de orgulho para os santistas até hoje”, opinou.
André Luis, que formava dupla de zaga com Alex em 2002, falou sobre o orgulho de ter feito parte dessa campanha marcante na história do clube. “Para mim foi um privilégio passar pelo Santos em 2002, só tinha craques: Robinho, Diego, Renato, Elano, Alberto e Léo. Enfim, outros que também fizeram história dentro do clube e nos ajudaram muito naquela época. Para mim é gratificante rever todo mundo e um prazer ainda maior participar desse grande evento do Marcelo Teixeira, homenageando os atletas de 2002. Isso vai ficar guardado no coração para sempre, com muita alegria. O Santos estava 18 anos na fila e é um sentimento enorme ter ajudado o Santos nessa grande conquista e, depois, em 2004 também. O Marcelo Teixeira merece essa homenagem, até pela pessoa que ele é”, ressaltou.
Ídolo do Peixe na época, curiosamente Robert era reserva naquela equipe. No entanto, ele participou de partidas importantes, como a decisão contra o Corinthians, quando substituiu o camisa 10 Diego, que saiu por contusão.
Com uma ligação muito forte com a torcida santista, Robert agradece a Marcelo Teixeira pela homenagem ao grupo de 2002 e agradece pela confiança que o dirigente teve no seu futebol. “Eu tive a chance de jogar no Santos de 1995 até 1997. Ganhei um Rio-São Paulo, e antes fomos vice-campeões (do Brasileirão, em 1995) naquela fatídica final contra o Botafogo. Em 2000, o presidente Marcelo Teixeira me recontratou e tive a felicidade de ser campeão com ele de novo em 2002. Então, para mim foi uma honra participar da história do Santos, desse livro do Marcelo Teixeira, um dos maiores presidentes que o Santos já teve e que, se Deus quiser, ele vai voltar a ser. Estou feliz em rever todo mundo. É uma conquista muito especial para todos nós e para o Santos também”, disse.

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