O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) definiu que a ex-primeira-dama Lúcia França (PSB) será sua candidata a vice na corrida pelo Governo de São Paulo. Lúcia é mulher do ex-governador Márcio França (PSB), que completa a chapa como candidato ao Senado.





Haddad fez o anúncio pelas redes sociais e afirmou que pediu ao PSB a indicação de uma mulher.





"Depois de muitas tratativas com os seis partidos aliados em busca de uma mulher para compor a nossa chapa ao governo do estado, pedi ao PSB que indicasse o nome. A indicação me chegou e não poderia me dar maior satisfação: a educadora Lúcia França será a nossa vice", escreveu.





A coligação do petista é formada por PT, PSB, PV, PC do B, Rede e PSOL.





A decisão ficou para esta sexta-feira (5), último dia de prazo das convenções, depois que Haddad viu outras opções não se concretizarem.





O plano A do petista era atrair a ex-ministra Marina Silva (Rede) para sua chapa –ele obteve o apoio dela em sua campanha. Mas Marina recusou o convite na segunda-feira (1º) após considerar que, devido ao seu compromisso com a Amazônia, deve mesmo disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.





Outro nome indicado pelo PSB para o posto, o ex-prefeito Jonas Donizette (PSB), também declinou e preferiu concorrer a deputado federal.





Ainda estava no páreo Marianne Pinotti (PSB), médica que foi secretária da Pessoa com Deficiência na gestão de Haddad na prefeitura, mas França fez pressão pela escolha de sua mulher.





A reportagem apurou que a resistência no PT era grande ao nome da ex-primeira-dama. No entanto, pesou o fato de que França aceitou retirar sua candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em nome da unidade da esquerda –e sua vontade era ver a mulher vice.





O PT também aguardava uma decisão da União Brasil, que por fim fechou aliança com Rodrigo Garcia (PSDB) na quarta-feira (3).





Para furar a bolha da esquerda e alcançar o interior do estado, a campanha petista buscava um vice que apontasse para o centro –tal qual Geraldo Alckmin (PSB) na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).





O PSOL, porém, que retirou a candidatura de Guilherme Boulos ao Palácio dos Bandeirantes em apoio a Haddad, chegou a reivindicar o posto de vice, uma vez que o PSB já estava contemplado na chapa com França.





A ideia, no entanto, não foi aceita pelos petistas justamente por reforçar a imagem esquerdista da chapa. O PSOL acabou concordando em ocupar a suplência para o Senado com o presidente da sigla, Juliano Medeiros.





Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, a campanha de Haddad quer aproveitar o máximo possível a presença de Alckmin no estado, fazendo viagens e eventos conjuntos com o ex-governador. Haddad tem evitado criticar as gestões tucanas passadas em São Paulo e centrado ataques a Rodrigo, João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL), numa estratégia de nacionalizar a campanha.





Segundo a última pesquisa Datafolha, do fim de junho, Haddad lidera a disputa em São Paulo, com 34% das intenções de votos. Em segundo lugar, há um empate entre Rodrigo e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos com 13%.