Os eleitores que pretendem escolher o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) para presidente no pleito de outubro mostram uma preocupação acima da média com questões ligadas à Amazônia e com o aumento da inflação no país.





Eles se dizem mais influenciados por opiniões de jornalistas na hora de votar do que as pessoas que pretendem eleger seus principais concorrentes e afirmam considerar mais os pontos de vista de companheiros, filhos e personalidades em redes sociais.





Veja abaixo o que pensam os brasileiros que têm Ciro como primeira opção sobre quatro temas: economia, Amazônia, religião e influência no voto.





Entenda ainda seu perfil, em geral mais branco, mais escolarizado e com renda mais elevada, com destaque entre os que moram nas capitais e não têm religião.





Os assuntos foram questionados na última pesquisa Datafolha, feita com 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 cidades de todo o país nos dias 22 e 23 de junho. O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05166/2022.





A margem de erro total é de dois pontos percentuais. É importante ponderar, porém, que ela aumenta quando se considera apenas os que votarão em cada pré-candidato: é de três pontos entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quatro em Jair Bolsonaro (PL) e sete em Ciro, sempre na pesquisa estimulada.





Os demais postulantes ao cargo não foram incluídos porque a amostra é muito pequena.





1. ECONOMIA
Os eleitores de Ciro são os que mais se preocupam com a escalada da inflação: 73% acreditam que os índices vão aumentar daqui para frente, número superior à média de 63%. Eles também são os mais pessimistas quanto ao poder de compra – só 18% acham que a situação vai melhorar, contra 29% do total.





Depois dos apoiadores de Lula, seus simpatizantes são os que mais dizem estar passando dificuldades na hora de comer. Um quinto deles afirma a quantidade de comida em casa para si e para a família foi menos do que o suficiente nos últimos meses. Para Bolsonaro, a marca é de apenas 10%.





2. AMAZÔNIA
O pedetista atrai a parcela dos brasileiros que demonstra maior atenção a temas ligados à Amazônia e ao meio ambiente. Enquanto a parcela dos que acham que Bolsonaro mais incentiva do que combate o desmatamento na região é de 43% no geral, ela chega a 64% entre seus eleitores.





Eles também foram os que mais tomaram conhecimento sobre as mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira (84%, contra 76% do total). Acham ainda que Bolsonaro fez menos do que poderia para investigá-las (68%, contra 49%) e que o caso vai prejudicar o Brasil no exterior (91%, contra 73%).





3. RELIGIÃO
Ciro é o pré-candidato que mais agrada os brasileiros que não têm religião –elas são 18% do seu eleitorado, contra 12% no geral (variação dentro da margem de erro). Ainda assim, 92% de seus apoiadores acreditam em Deus, o que o posiciona entre Lula (83%) e Bolsonaro (98%) nesse quesito.





O pedetista também fica um pouco abaixo da média quanto à frequência com que seus simpatizantes visitam ou contribuem financeiramente com igrejas ou cultos religiosos: 52% deles frequentam esses locais uma ou mais vezes por semana, ante 58% no total.





4. INFLUÊNCIA NO VOTO
Eleitores de Ciro são as que, no geral, demonstram mais influência de opiniões externas na hora de votar. Mais da metade dos adeptos se dizem um pouco ou muito influenciados por jornalistas (53%), marca superior à dos eleitores de Lula (43%) e Bolsonaro (35%).





A tendência é a mesma quando se pergunta sobre companheiros (46%, contra 40% do total), filhos (40%, ante 35% no geral) e pessoas que segue nas redes sociais (38% e 35%).





5. PERFIL
O eleitor de Ciro é mais escolarizado –34% deles concluíram o ensino superior, sendo que quando se considera todos os entrevistados esse número cai para 20%. Mesmo assim, uma parcela importante do seu eleitorado ganha até dois salários mínimos mensais (45%).





O ex-ministro abocanha parcelas maiores dos votantes no Sudeste, onde quase metade dos que pretendem escolhê-lo vive, e nas capitais (ali estão 29% dos seus seguidores, sendo que no geral a região tem 23%). Um em cada dez apoiadores dele se diz não heterossexual (contra 18% de Lula e 7% de Bolsonaro).