04/02/2016

Tema de samba-enredo da Grande Rio, Fonte do Itororó atravessa gerações

Por Graziela Simões/Colaboradora em 04/02/2016 às 17:04

SANTOS – Representada em canções, símbolo do passado de Santos, conhecida desde o século 16 e presente ainda mais a fundo na história dos índios da região, as águas da fonte do Itororó passaram por momentos de festa e também de esquecimento.

O nome da fonte veio dos índios tupi-guaranis que já a utilizavam para consumo. ‘Tororó’ quer dizer água barulhenta, enxurrada. Uma referência ao som do líquido que jorrava da pequena cachoeira que nos anos seguintes seria palco de reunião das famílias, crianças, apresentações de música e ponto de encontro de namorados.

Wilma Therezinha, historiadora formada pela USP, conta que Brás Cubas, ao fundar a vila de Santos, buscou centralizar o novo povoado em um ponto próximo da fonte, para abastecimento pessoal e industrial. Isso aconteceu no ponto onde hoje em dia está o Outeiro de Santa Catarina. “Ele foi um empresário. Se aproveitou das águas para produzir couro. Aos poucos as casas foram sendo construídas ao redor da fonte, considerada a principal para a população. Ela dava origem ao riacho Itororó que passava pela Vila”, alega.

O primeiro recenseamento da Cidade já mencionava o Itororó no ano de 1775. A Câmara Municipal protegia inclusive as suas águas e a de outras fontes, criando então o primeiro código de postura de Santos em 1847. No século XIX, o local era lugar de brincadeiras para crianças e reunia famílias para ouvir música, como as do famoso maestro Luiz Arlindo da Trindade, que embalaram Santos ao longo das décadas.

O lugar era referência também para viajantes que chegavam em Santos, passavam por lá e bebiam de suas águas. “A lenda diz que quem bebesse da fonte, moraria em Santos para sempre”, contaWilma.

Apartir de meados do século 20, entretanto, isto começou a mudar. Todo o glamour foi interrompido com a industrialização e a área entrou em decadência. ”A antiga lavanderia, que existia onde hoje está localizada a escola Barnabé, foi fechada. A empresa de refrigerante, Águas do Itororó, também. A falta de saneamento do Monte Serrat, que já estava habitado, começou a atingir as águas da fonte e a contaminá-la. Ela,então, foi interditada pela Sabesp, quepassou então a fornecer água encanada para a Cidade. O local começou a ser usado como depósito de materiais de construção”, diz a historiadora.

A fonte permanece desconhecida de muita gente, inclusive da maioria dos santistas. Para Wilma, o samba-enredo da escola de samba Grande Rio pode ajudar a resgatar esta história e torná-la conhecida. “Ela irá chamar a atenção de várias pessoas. Muitos moram em Santos, mas não conhecem a Cidade. O reconhecimento do que ela representou para nós no passado vai ajudar a resgatar sua importância histórica”, finaliza.

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