Primeiro livro de autora de Praia Grande entra para o top 100 da Amazon

Por Bárbara Silva em 06/10/2021 às 06:35

Em 2019, antes da pandemia, a jornalista praiagrandense Victoria Silva estava trabalhando de casa. Tentando decidir se iria para a academia ou não, ela continuou mexendo no computador, e em meio às digitações, escreveu um conto de uma página e meia sobre um rapaz que conta sua história dentro do camburão da polícia. Dois anos depois, reedições e leituras, nasceu o 21º colocado em ficção na lista de livros da Amazon, Gregório: Ladrão de Cemitérios?

Victoria conta que, após terminar de escrever aquela uma página e meia, enviou o conto para a mãe e saiu para a academia. “Quando eu recebi a mensagem dela depois, ela perguntou se era a história de algum amigo”. A partir daí, a narrativa começou a aumentar e logo mais detalhes foram surgindo.

A história inteira se passa em um camburão da polícia, em que Gregório, nome do santo operador de milagres, tenta provar ao leitor que roubar os mortos não é o pior dos crimes – aqueles que já se foram não precisam mais de seus bens. O protagonista leva o leitor à sua infância, à perda do pai e o medo da morte.

Sonho de infância

Nascida em Santos, Victoria, de 25 anos, mora em Praia Grande. Desde criança, ela gosta e recebeu incentivo para a leitura e escrita.

“Meus pais estudaram até a quarta série, mas minha mãe voltou a estudar quando tentava me ajudar nas lições de casa e não conseguia. Eles sempre quiseram que eu tivesse o que eles não tiveram”, conta.

Sonhando em ver suas histórias nas livrarias, ela mandava cartas para editoras e ia até a livraria Nobel, na Praia Grande, tentar uma publicação. Mas não foi daquela vez.

Na escola, Victoria participou do jornal e teve sua matéria publicada na capa. Foi quando decidiu fazer jornalismo, e realizou seu objetivo na Universidade Santa Cecília, se formando em 2017.

No final de 2018, a jovem publicou o conto O Azul do Meu Passado na plataforma Wattpad, que permite a publicação gratuita de histórias para um público de 90 milhões de leitores e escritores ao redor do mundo. “A partir daí, percebi que talvez conseguisse criar algumas coisa”. Mas ainda sim, a obra foi publicada sem “muita estratégia”, como ela diz.

Victoria trabalhou ainda mais na história de Gregório, com a ajuda de um leitor beta – pessoa que auxilia na edição da história, lendo para procurar por erros de gramática ou de continuidade. “Meus amigos queriam muito ler. Mas eu demorei para escrever porque me perguntava se as pessoas entenderiam”, conta.

Ela também teve que pensar melhor em uma estratégia de divulgação. Com a visão de que uma boa publicidade seria a publicação em uma plataforma paga, o livro entrou na Amazon em 12 de setembro. Após 15 dias, mais de 2.800 páginas já haviam sido lidas pelo público. O livro chegou ao top 100 de livros da Amazon, alcançando a posição de 21º entre os títulos de ficção.

“Tive feedback de pessoas que eu conhecia e não conhecia. Algumas delas apontaram que lembraram de Capitões de Areia, do Ariano Suassuna, que é um livro que eu gosto e li há muitos anos. Mas não estava na minha memória. Me sinto feliz de sentirem uma referência em um livro tão bom”, relata. O autor, no entanto, é uma de suas referências, com o livro Auto da Compadecida. Outros dois são Daqui para Baixo, de Jason Reynolds, e as obras da Tetralogia Napolitana, de Elena Ferrante.

Victoria diz que ainda não sabe se irá fazer uma sequência para os livros, mas já dá para ficar na expectativa: “Gosto muito de escrever, de ler. É algo que eu faço com prazer”.

Para ler Gregório: Ladrão de Cemitérios, acesse o link da Amazon.

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