Autora de 'The Handmaid's Tale' é acusada de transfobia nas redes sociais
Por Folha Press em 20/10/2021 às 14:27
Autora da série The Handmaid’s Tale, Margaret Atwood tem sido acusada de transfobia depois que resolveu publicar e repercutir em suas redes sociais um artigo que critica a linguagem neutra em termos de gênero.
No texto compartilhado, a colunista Rosie DiManno afirma que o uso de determinados termos acaba por substituir a palavra ‘mulher’. “Por que não podemos mais dizer ‘mulher’?”, diz o título.
O material, entre outras coisas, relata que se referir a uma pessoa sem determinar seu gênero seria um ‘apagamento das mulheres’, o que torna ‘as pessoas bem-intencionadas sem palavras para que não sejam atacadas como transfóbicas ou de outra forma insensível às construções cada vez mais complexas de gênero’.
DiManno também relata que a palavra mulher correria o risco de se tornar um palavrão e ser riscada do vocabulário oficial e expurgado das conversas.
Apesar de não ter colocado nenhum comentário no compartilhamento, a autora foi atacada. “Você pode dizer com certeza ‘mulher’, mas quando se trata de coisas que não apenas as mulheres têm há termos mais inclusivos e gentis”, disse uma seguidora.
“Está brava, pois essa linguagem está finalmente começando a incluir pessoas como eu. Desapontado com você, mas não chocado”, escreveu outro.
“Não estamos tirando nada de ninguém. Incluir pessoas que não foram incluídas antes e deveriam ser”, escreveu outro seguidor.
A escritora canadense não imaginava que O Conto da Aia, livro escrito por ela em 1985, faria tanto sucesso passados 35 anos. Mas ela foi rápida na medida certa ao dar uma sequência para a obra, em 2019. Em julho, assim como seu antecessor, Os Testamentos (R$ 54,90, 448 págs., Rocco) esteve entre os mais lidos da Amazon.com, site que serve de referência para todo o mundo.
O sucesso chega bem no momento em que a série de TV baseada no livro, e estrelada por Elisabeth Moss, teve seu desfecho revelado. Até então, o enredo deu conta de narrar a história de June, uma aia (como são chamadas todas aquelas que vivem para a procriação) no centro de um governo teocrático, em que as mulheres perderam seu direito e sua identidade.