Calendário e longevidade fazem da Copa passarela de artilheiros históricos

Por Marcelo Belpiede/Folha Press em 21/06/2026 às 15:13

Reprodução/Instagram
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A Copa de 2026 tem se destacado pelo alto número de gols, e uma das explicações está no verdadeiro festival de lendas em campo. O torneio se transformou no palco de longevidade e talento, reunindo, simultaneamente, oito dos maiores artilheiros de todos os tempos de várias das principais potências do planeta.

Se no passado um atacante passava dos 30 anos já pensando em aposentadoria, hoje muitos dos donos dos gols continuam comandando os holofotes do futebol mundial sem dar importância à idade.

A longevidade dos artilheiros

A evolução da preparação física e da medicina esportiva tem formado jogadores cada vez mais resistentes e longevos, o que contribui diretamente para a superação de marcas. A própria Copa de 2026 tem um recorde de oito atletas com mais de 40 anos. Dos oito principais goleadores históricos de suas seleções presentes no torneio, seis já ultrapassaram a barreira dos 30 anos.

O topo dessa pirâmide traz duas lendas vivas. Lionel Messi, de 39 anos, é considerado por muitos o maior da história do futebol. O craque desacelerou a carreira de clubes ao aceitar uma proposta da MLS, mas na seleção argentina segue como um mito e líder inquestionável. Com 120 gols em 200 partidas, ele começou a Copa em ritmo alucinante: anotou três gols na vitória contra a Argélia e igualou o recorde de Miroslav Klose como maior goleador da história dos Mundiais.

“Nunca imaginei tudo o que conquistei, tanto em equipe quanto individualmente. É muito mais do que eu poderia ter imaginado quando criança”, disse Messi, maior artilheiro da história da Argentina.

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, desembarcou na Copa com a incrível a marca de 143 gols em 224 jogos, isolado como o maior goleador de Portugal. Embora tenha tido uma atuação discreta no empate contra a República Democrática do Congo, sua mera presença física em campo já é uma celebração para o esporte.

“De todos os recordes que bati durante a minha carreira – e, felizmente, foram alguns – este é muito especial para mim e me deixa muito orgulhoso”, disse Cristiano Ronaldo.

Eficiência em campo

Um degrau abaixo, mas altamente competentes, há um grupo que também brilha no cenário internacional. Harry Kane, de 32 anos, é o artilheiro máximo da seleção inglesa, soma 80 gols em 113 jogos e já deixou sua marca duas vezes neste Mundial. O belga Romelu Lukaku, de 33 anos, talvez não ostente o seu ápice físico e técnico, mas já fez um gol na competição e ampliou seus números históricos com a Bélgica para 90 gols em 127 jogos.

Outros dois goleadores de suas seleções são bastante conhecidos do público brasileiro. Com 79 gols em 128 jogos, o santista Neymar, de 34 anos, é o maior artilheiro da seleção brasileira nos critérios da Fifa, que reconhece 77 gols de Pelé. O astro é talvez o medalhão que gera mais curiosidade para melhorar seus números: ele retornou à seleção apenas para a Copa, mas segue lutando contra problemas físicos e nem sequer entrou em campo nas duas rodadas iniciais.

Já Memphis Depay, de 32 anos, lidera a lista histórica da Holanda com 55 gols e vem tentando recuperar o espaço perdido na equipe. Até o momento, o atacante do Corinthians começou as partidas no banco de reservas e tem apenas uma assistência na competição.

Nova geração pede passagem

Se os veteranos dão exemplo de longevidade, alguns atletas que estão no auge técnico também conseguiram alcançar rapidamente o topo histórico da artilharia de seus países. Kylian Mbappé, de 27 anos, já tem duas finais de Copa no currículo e se prepara para o seu centésimo jogo pela França, somando 58 gols até agora. Enquanto isso, Erling Haaland, de 25 anos, é dono de um desempenho avassalador com a camisa da Noruega, com 59 gols em apenas 51 jogos. No primeiro duelo da Copa, a vítima do centroavante do Manchester City foi o Iraque, alvo de dois gols do atacante.

Calendário e o jogador moderno

Além dos avanços físicos, outra explicação para a presença de tantos goleadores históricos nesta Copa está no calendário. Hoje, o número de partidas e competições é muito maior do que no passado, e a seleção brasileira é o reflexo claro disso. Neymar alcançou a marca de 79 gols disputando 128 partidas oficiais, enquanto Pelé somou seus 77 gols em apenas 92 apresentações. O Rei leva, portanto, uma tranquila vantagem na média de gols sobre o atual camisa 10: 0,83 contra 0,61.

“Jamais imaginei alcançar esse recorde e, desde já, quero dizer que, alcançando esse recorde, passando o Pelé, não quer dizer que sou melhor que ele ou qualquer jogador da seleção”, disse Neymar.

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