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Reflexão 2020 - Um ano diferente

Olá meus amigos e leitores desse canal.

 

Um ano difícil para toda a humanidade como um todo, por conta do tal COVID-19.  

 

Países fechando suas fronteiras, comércio e escolas.   Vida social limitada pelo confinamento e pelo distanciamento social;   pela imposição de novos códigos de conduta social e de cuidados com a higiene e proteção individual;   crianças e adultos se adaptando a uma nova forma de trabalhar e estudar de suas casas.   Com isso a desigualdade social nos mostrou, mais uma vez, um grande obstáculo a ser vencido. A inclusão digital - ainda longe de ser algo disponível a todos, seja nos rincões de nosso país... seja nos grandes centros urbanos e suas periferias.

 

Não bastasse isso, as restrições mostraram também cenários desoladores para milhares (ou milhões) de famílias.... perda de emprego, empresas fechando suas portas, aumento da violência doméstica.   Mas o mais lamentável foi a proliferação das chamadas FAKE NEWS em patamares nunca antes vistos.   Não só no Brasil, é verdade, mas principalmente por aqui.     Partiram desde as maiores autoridades, passando por diversas camadas sociais que usaram suas ideologias e “achismos” para atacar conceitos tão sedimentados nos campos da ciência, história e humanidade.   Ataques às vacinas e sua eficácia e apologia de uso de remédios relativamente perigosos, sem comprovação de eficácia, além de negacionismos diversos que soam como brincadeira...   Enfim, me reservo ao direito de não trazer o viés político-ideológico, sob o qual a reflexão cabe a cada um.

 

Voltando ao ano de 2020, muitos de nossos planos, projetos e sonhos precisaram ser adiados por conta do tal COVID-19.     E para outras 190 mil pessoas (só no Brasil até a data desse artigo), infelizmente 2020 foi um ponto final, em grande maioria sem ao menos um “adeus”.  

 

Perdemos para essa doença nomes como Aldir Blanc, Daniel Azulay, Paulinho (Roupa Nova) e Nicette Bruno, apenas uma ínfima citação de nomes conhecidos que se juntam a outras centenas de milhares mundo a fora.   Lista essa que inclui todas as etnias, classes sociais, religiões e vieses ideológicos, indiscriminadamente.

 

Entretanto, em um momento tão difícil, ao invés de unirmos as forças para vencermos esse desafio global, vemos cada vez mais a sociedade se dividindo em caixas ideológicas.   Seja por desconhecimento, seja por ideologia política ou religiosa ou por pura falta de “amor” ao próximo... o próximo que está ao seu lado.   Vemos a desmoralização de campanhas de combate, de distanciamento, de uso de máscaras, de evitar aglomeração.  

 

Entramos dezembro com um novo aumento do número de casos e mortes pelo COVID-19, mas os argumentos negacionistas da gravidade da situação, foram de uma simples “gripezinha”, coisas de “maricas” e agora a sugestão de que a vacina pode causar uma “mutação reptiliana”.

 

Em um país com educação acessível para todos, talvez não houvesse tanto impacto, mas falar isso num país sem acesso igualitário ao estudo, às informações, à Internet e que ainda repete o assistencialismo tão criticado em governos anteriores, o peso de tais afirmações é muito grande.   É uma questão de saúde... de empatia.

 

Sem entrar no mérito da liberdade de credo (aliás, garantida na Constituição Federal), somos um país de maioria cristã.   Temos um governo eleito com o lema “Deus acima de todos...”, igrejas neopentecostais com líderes agindo como “digital influencers”, espalhando muitas vezes desserviços em nome de uma ideologia muitas vezes bem distante do que suas religiões pregam.

 

A sociedade brasileira é “rotulada” como um povo que recebe todos de braços abertos.   Então, vamos novamente falar de empatia e entender isso melhor ?

 

Empatia - SUBSTANTIVO:

“ capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende, etc.”

 

Identificar, sentir... a matriz do entendimento para o RESPEITO às diferenças e diversidade social.

 

Posto isso e com base no conceito da empatia acima, apenas reflita se o cristianismo está presente nos cenários abaixo:

 

    .   Negar-se a usar máscaras ou se aglomerar sem as devidas proteções e orientações das autoridades sanitárias, médicos e especialistas, colocando em risco pessoas próximas e familiares;

 

    .   Não tomar vacina, apenas alegando a “liberdade” (já derrubada em julgamento no STF), quebrando com isso a imunidade de rebanho que protege outras pessoas que não podem receber a vacina, como é o caso de pessoas em tratamento de câncer ou outras doenças imunossupressoras;

 

   .   Compartilhar notícias incorretas que ridicularizem ou desacreditem as orientações no combate e que se levadas como regra PODEM SIM levar uma pessoa a deixar de ter os cuidados e com isso poder contrair a doença, suas complicações, inclusive o evento MORTE;

 

Em que pese as milhares de páginas de todo o antigo e novo testamento, escrituras, a Bíblia... Jesus ensinou com sua vivência a mais importante das coisa:   AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

 

Se vocês (como eu) não conseguem aplicar essa máxima do amor e do cuidado ao próximo em nenhum dos cenários, a empatia está por aí... agindo em sua análise humana.

 

Será que “religiosos” ou os que usam tanto o nome de Deus ou Jesus em suas falas, conseguem achar a incoerência nesse pequeno exercício proposto ?       Pelo jeito não.   Discursos inflamados desses estão espalhados pelas redes sociais, com tom e empostação de fala que causaria inveja ao Führer alemão.

 

Empatia é sentir a dor do outro... a perda do outro... a impossibilidade em saúde e recursos do outro...     e isso é a chave ao que tanto precisamos:   RESPEITO INCONDICIONAL.

 

Respeito aos LGBTI+ em suas orientações sexuais e identidades de gênero; à mulher em sua casa e seu local de trabalho; aos negros em sua vida cotidiana e principalmente em seu espaço de fala; aos vulneráveis sociais, tão carentes de ações do poder público e de um olhar mesmo condenatório da sociedade;

 

Muitos me criticam em meus posicionamentos nas redes sociais acusando-me de ser “boazinha” com bandidos por defender a causa do RESPEITO.

 

Aos bandidos, a Lei. Sejam eles quem for!   Somos um país legalista e que essa lei seja aplicada.   Entretanto, que seja garantido aos demais cidadãos brasileiros, indistintamente, o respeito a sua dignidade e o combate à discriminação, racismo, assédio e violência física ou psicológica.  

 

Todos estes são atos hediondos cometidos simplesmente pelas vítimas SEREM QUEM SÃO e não por qualquer coisa que TENHAM FEITO.

 

Pensemos nisso.... empatia é a chave do respeito.   E que nesse final de ano, o homenageado possa se orgulhar de caminharmos rumo a esse entendimento.   Talvez esse seja seu melhor presente.

 

Meus melhores votos de festas seguras e em paz, e que o Amor vença e nos traga um cenário bem melhor para 2021.

 

Fraternos abraços a todos !!

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 25 dez 2020 20:19Atualizado em: sexta-feira, 25 dez 2020 20:21
  • 2020   Reflexão   Flavia Bianco   
     
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com