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Empatia: o grande desafio para a inclusão e respeito às diferenças

Olá amigos...

 

Desde o início desse espaço falamos sobre respeito, aquele incondicional e irrestrito. Aquele sem condicionantes, apenas sua simples existência.

 

Falamos de amor ao próximo, falamos de religiosidade e fraternidade... enfim de vários assuntos correlacionados a essa chave tão necessária para uma sociedade melhor, um mundo com menos ódio e intolerância em todas as suas formas.

 

Infelizmente, nesse ano de 2020, estamos passando pela maior crise pandêmica dos últimos 100 anos, não só no Brasil, mas em todo o planeta.

 

Aliado a esse problema, que por si só já é de dificílima solução, ainda presenciamos exemplos de violência decorrentes de intolerância.

 

A morte de George Floyd e dos meninos João Pedro e João Vitor nas favelas cariocas, em ações absolutamente absurdas, independentemente de qualquer coisa que se possa querer justificar, são exemplos do momento que travessamos.

 

O viés inconsciente (as vezes consciente) ainda faz vítimas todos os dias. Mulheres, pobres, negros, LGBTs, moradores de rua e refugiados sofrem ainda todos os tipos de violência, mesmo com a existência de leis específicas, como a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, promulgada em 2006) e a Lei 7.716 de 1989, que definiu os crimes resultantes de raça ou cor, essa última estendendo suas coberturas a crimes de homo e transfobia, no julgamento da ADI 4275 pelo plenário do STF em 2019.

 

Portanto, temos leis que já possuem mais de 30 anos e ainda tem seu cumprimento afrontado... tanto no Brasil como no mundo.

 

Grupos políticos pregando ódio, neonazistas declarados com postagem, supremacistas, radfems (feministas radicais), vão no caminho oposto da fraternidade e união que tanto precisamos para resolver problemas muito mais graves, como os decorrentes dessa pandemia.

 

Precisamos entender que chega de separação, ódio, intolerância... precisamos de EMPATIA.

 

Assim como o preconceito apenas pode ser revertido pela própria pessoa, a empatia depende também de uma reflexão individual.

 

As informações hoje em dia sobre todos os assuntos podem ser facilmente pesquisado em fontes confiáveis, portanto não há como se falar de falta de acesso à informação.

 

A falta de conhecimento de um assunto, de uma problemática ou da diversidade humana, em todas as suas formas é a maior causa do preconceito que origina toda a intolerância, discriminação é muitas vezes a violência e o ódio entre as pessoas. Já falamos disso em artigo anterior.

 

Então, a busca de conhecimento e, principalmente, estar disposto a entender algo novo, é a chave para o entendimento que será fundamental para a mudança dos conceitos pré-concebidos sobre algo.

 

E quanto à EMPATIA, que nada mais é do que se colocar no lugar do outro... tentar olhar pelo prisma dele. Como desenvolvê-la em nós?

 

Primeiro passo:   RECONHECER NOSSOS PRIVILÉGIOS.

 

Talvez seja uma tarefa das mais difíceis. Todos temos problemas, dificuldades, passamos por situações difíceis em nossa vida... cada um tem sua história, suas dores e sabores.   E isso é comum para nós e para os outros (todos os outros, sem exceção).

 

Permito-me usar minha história para exemplificar.     Sou mulher trans. Enfrento os desafios que os LGBTs enfrentam em geral. Mas vamos aos meus privilégios: branca, com formação superior, nascida em uma família de classe média, formação profissional, trabalhando em uma empresa no segmento de saúde, casada e com um lugar para morar.

 

Minha vida tem dificuldades que por vezes me fazem chacoalhar em minhas convicções, entretanto sigo em frente.   Mas isso não impede de reconhecer que cada um dos privilégios que listei acima, me colocam numa situação diferenciada àqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.... seja pela cor de sua pele (dificuldade que falamos acima), por nascer em uma família mais humilde ou, as vezes, não terem famílias ou serem rejeitados por ela... problemas no acesso à educação e formação profissional... não ter um local para morar... entre muitos outros fatores, que na maioria das vezes remete muito mais à condição social do país do que propriamente da falta de “mérito” ou mau caratismo.

 

Tente fazer isso... escreva em um papel os privilégios que você tem ou teve em sua vida.   E com isso, ao olhar para o diferente, para o outro, pense que ali está alguém eu talvez não tenha tido os mesmos privilégios que você.   Talvez você tenha passado por situações que ele não tenha vivido, e o entendimento dele sobre eventual “privilegio” que ele tenha também é importante.     É uma via de mão dupla. Como sempre deve ser o respeito, a fraternidade e o amor incondicional, afinal... as nossas diversidades é que nos torna tão iguais, seres únicos, indivíduos (do latim individuus), que significa indivisível.

 

Entendido esse conceito, fica a dica para que sejamos quem somos. Temos esse direito assegurado, mas que possamos RESPEITAR as pessoas em suas diferenças, procurando exercer sempre que necessário a EMPATIA, antes de julgarmos uma pessoa apenas pelo nosso viés, consciente ou não.

Em falar em ser quem somos, dia 28 de junho se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBT.   Dia de refletir mais do que celebrar... do quanto somos iguais em nossas diferenças e do quanto juntos podemos fazer melhor a cada dia.    Afinal, todos somos mais do que letras, rótulos e crachás... somos humaninhos como você.

 

Pense nisso sempre. Isso é empatia !!

 

Um grande abraço e até o próximo encontro.

 

Flavia Bianco.

 

 

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Sobre
Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: [email protected]