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Reflexão 2020 - Um ano diferente

Olá meus amigos e leitores desse canal.

 

Um ano difícil para toda a humanidade como um todo, por conta do tal COVID-19.  

 

Países fechando suas fronteiras, comércio e escolas.   Vida social limitada pelo confinamento e pelo distanciamento social;   pela imposição de novos códigos de conduta social e de cuidados com a higiene e proteção individual;   crianças e adultos se adaptando a uma nova forma de trabalhar e estudar de suas casas.   Com isso a desigualdade social nos mostrou, mais uma vez, um grande obstáculo a ser vencido. A inclusão digital - ainda longe de ser algo disponível a todos, seja nos rincões de nosso país... seja nos grandes centros urbanos e suas periferias.

 

Não bastasse isso, as restrições mostraram também cenários desoladores para milhares (ou milhões) de famílias.... perda de emprego, empresas fechando suas portas, aumento da violência doméstica.   Mas o mais lamentável foi a proliferação das chamadas FAKE NEWS em patamares nunca antes vistos.   Não só no Brasil, é verdade, mas principalmente por aqui.     Partiram desde as maiores autoridades, passando por diversas camadas sociais que usaram suas ideologias e “achismos” para atacar conceitos tão sedimentados nos campos da ciência, história e humanidade.   Ataques às vacinas e sua eficácia e apologia de uso de remédios relativamente perigosos, sem comprovação de eficácia, além de negacionismos diversos que soam como brincadeira...   Enfim, me reservo ao direito de não trazer o viés político-ideológico, sob o qual a reflexão cabe a cada um.

 

Voltando ao ano de 2020, muitos de nossos planos, projetos e sonhos precisaram ser adiados por conta do tal COVID-19.     E para outras 190 mil pessoas (só no Brasil até a data desse artigo), infelizmente 2020 foi um ponto final, em grande maioria sem ao menos um “adeus”.  

 

Perdemos para essa doença nomes como Aldir Blanc, Daniel Azulay, Paulinho (Roupa Nova) e Nicette Bruno, apenas uma ínfima citação de nomes conhecidos que se juntam a outras centenas de milhares mundo a fora.   Lista essa que inclui todas as etnias, classes sociais, religiões e vieses ideológicos, indiscriminadamente.

 

Entretanto, em um momento tão difícil, ao invés de unirmos as forças para vencermos esse desafio global, vemos cada vez mais a sociedade se dividindo em caixas ideológicas.   Seja por desconhecimento, seja por ideologia política ou religiosa ou por pura falta de “amor” ao próximo... o próximo que está ao seu lado.   Vemos a desmoralização de campanhas de combate, de distanciamento, de uso de máscaras, de evitar aglomeração.  

 

Entramos dezembro com um novo aumento do número de casos e mortes pelo COVID-19, mas os argumentos negacionistas da gravidade da situação, foram de uma simples “gripezinha”, coisas de “maricas” e agora a sugestão de que a vacina pode causar uma “mutação reptiliana”.

 

Em um país com educação acessível para todos, talvez não houvesse tanto impacto, mas falar isso num país sem acesso igualitário ao estudo, às informações, à Internet e que ainda repete o assistencialismo tão criticado em governos anteriores, o peso de tais afirmações é muito grande.   É uma questão de saúde... de empatia.

 

Sem entrar no mérito da liberdade de credo (aliás, garantida na Constituição Federal), somos um país de maioria cristã.   Temos um governo eleito com o lema “Deus acima de todos...”, igrejas neopentecostais com líderes agindo como “digital influencers”, espalhando muitas vezes desserviços em nome de uma ideologia muitas vezes bem distante do que suas religiões pregam.

 

A sociedade brasileira é “rotulada” como um povo que recebe todos de braços abertos.   Então, vamos novamente falar de empatia e entender isso melhor ?

 

Empatia - SUBSTANTIVO:

“ capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende, etc.”

 

Identificar, sentir... a matriz do entendimento para o RESPEITO às diferenças e diversidade social.

 

Posto isso e com base no conceito da empatia acima, apenas reflita se o cristianismo está presente nos cenários abaixo:

 

    .   Negar-se a usar máscaras ou se aglomerar sem as devidas proteções e orientações das autoridades sanitárias, médicos e especialistas, colocando em risco pessoas próximas e familiares;

 

    .   Não tomar vacina, apenas alegando a “liberdade” (já derrubada em julgamento no STF), quebrando com isso a imunidade de rebanho que protege outras pessoas que não podem receber a vacina, como é o caso de pessoas em tratamento de câncer ou outras doenças imunossupressoras;

 

   .   Compartilhar notícias incorretas que ridicularizem ou desacreditem as orientações no combate e que se levadas como regra PODEM SIM levar uma pessoa a deixar de ter os cuidados e com isso poder contrair a doença, suas complicações, inclusive o evento MORTE;

 

Em que pese as milhares de páginas de todo o antigo e novo testamento, escrituras, a Bíblia... Jesus ensinou com sua vivência a mais importante das coisa:   AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

 

Se vocês (como eu) não conseguem aplicar essa máxima do amor e do cuidado ao próximo em nenhum dos cenários, a empatia está por aí... agindo em sua análise humana.

 

Será que “religiosos” ou os que usam tanto o nome de Deus ou Jesus em suas falas, conseguem achar a incoerência nesse pequeno exercício proposto ?       Pelo jeito não.   Discursos inflamados desses estão espalhados pelas redes sociais, com tom e empostação de fala que causaria inveja ao Führer alemão.

 

Empatia é sentir a dor do outro... a perda do outro... a impossibilidade em saúde e recursos do outro...     e isso é a chave ao que tanto precisamos:   RESPEITO INCONDICIONAL.

 

Respeito aos LGBTI+ em suas orientações sexuais e identidades de gênero; à mulher em sua casa e seu local de trabalho; aos negros em sua vida cotidiana e principalmente em seu espaço de fala; aos vulneráveis sociais, tão carentes de ações do poder público e de um olhar mesmo condenatório da sociedade;

 

Muitos me criticam em meus posicionamentos nas redes sociais acusando-me de ser “boazinha” com bandidos por defender a causa do RESPEITO.

 

Aos bandidos, a Lei. Sejam eles quem for!   Somos um país legalista e que essa lei seja aplicada.   Entretanto, que seja garantido aos demais cidadãos brasileiros, indistintamente, o respeito a sua dignidade e o combate à discriminação, racismo, assédio e violência física ou psicológica.  

 

Todos estes são atos hediondos cometidos simplesmente pelas vítimas SEREM QUEM SÃO e não por qualquer coisa que TENHAM FEITO.

 

Pensemos nisso.... empatia é a chave do respeito.   E que nesse final de ano, o homenageado possa se orgulhar de caminharmos rumo a esse entendimento.   Talvez esse seja seu melhor presente.

 

Meus melhores votos de festas seguras e em paz, e que o Amor vença e nos traga um cenário bem melhor para 2021.

 

Fraternos abraços a todos !!

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 25 dez 2020 20:19Atualizado em: sexta-feira, 25 dez 2020 20:21
  • 2020   Reflexão   Flavia Bianco   
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Empatia: o grande desafio para a inclusão e respeito às diferenças

Olá amigos...

 

Desde o início desse espaço falamos sobre respeito, aquele incondicional e irrestrito. Aquele sem condicionantes, apenas sua simples existência.

 

Falamos de amor ao próximo, falamos de religiosidade e fraternidade... enfim de vários assuntos correlacionados a essa chave tão necessária para uma sociedade melhor, um mundo com menos ódio e intolerância em todas as suas formas.

 

Infelizmente, nesse ano de 2020, estamos passando pela maior crise pandêmica dos últimos 100 anos, não só no Brasil, mas em todo o planeta.

 

Aliado a esse problema, que por si só já é de dificílima solução, ainda presenciamos exemplos de violência decorrentes de intolerância.

 

A morte de George Floyd e dos meninos João Pedro e João Vitor nas favelas cariocas, em ações absolutamente absurdas, independentemente de qualquer coisa que se possa querer justificar, são exemplos do momento que travessamos.

 

O viés inconsciente (as vezes consciente) ainda faz vítimas todos os dias. Mulheres, pobres, negros, LGBTs, moradores de rua e refugiados sofrem ainda todos os tipos de violência, mesmo com a existência de leis específicas, como a Lei Maria da Penha (Lei 11.340, promulgada em 2006) e a Lei 7.716 de 1989, que definiu os crimes resultantes de raça ou cor, essa última estendendo suas coberturas a crimes de homo e transfobia, no julgamento da ADI 4275 pelo plenário do STF em 2019.

 

Portanto, temos leis que já possuem mais de 30 anos e ainda tem seu cumprimento afrontado... tanto no Brasil como no mundo.

 

Grupos políticos pregando ódio, neonazistas declarados com postagem, supremacistas, radfems (feministas radicais), vão no caminho oposto da fraternidade e união que tanto precisamos para resolver problemas muito mais graves, como os decorrentes dessa pandemia.

 

Precisamos entender que chega de separação, ódio, intolerância... precisamos de EMPATIA.

 

Assim como o preconceito apenas pode ser revertido pela própria pessoa, a empatia depende também de uma reflexão individual.

 

As informações hoje em dia sobre todos os assuntos podem ser facilmente pesquisado em fontes confiáveis, portanto não há como se falar de falta de acesso à informação.

 

A falta de conhecimento de um assunto, de uma problemática ou da diversidade humana, em todas as suas formas é a maior causa do preconceito que origina toda a intolerância, discriminação é muitas vezes a violência e o ódio entre as pessoas. Já falamos disso em artigo anterior.

 

Então, a busca de conhecimento e, principalmente, estar disposto a entender algo novo, é a chave para o entendimento que será fundamental para a mudança dos conceitos pré-concebidos sobre algo.

 

E quanto à EMPATIA, que nada mais é do que se colocar no lugar do outro... tentar olhar pelo prisma dele. Como desenvolvê-la em nós?

 

Primeiro passo:   RECONHECER NOSSOS PRIVILÉGIOS.

 

Talvez seja uma tarefa das mais difíceis. Todos temos problemas, dificuldades, passamos por situações difíceis em nossa vida... cada um tem sua história, suas dores e sabores.   E isso é comum para nós e para os outros (todos os outros, sem exceção).

 

Permito-me usar minha história para exemplificar.     Sou mulher trans. Enfrento os desafios que os LGBTs enfrentam em geral. Mas vamos aos meus privilégios: branca, com formação superior, nascida em uma família de classe média, formação profissional, trabalhando em uma empresa no segmento de saúde, casada e com um lugar para morar.

 

Minha vida tem dificuldades que por vezes me fazem chacoalhar em minhas convicções, entretanto sigo em frente.   Mas isso não impede de reconhecer que cada um dos privilégios que listei acima, me colocam numa situação diferenciada àqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.... seja pela cor de sua pele (dificuldade que falamos acima), por nascer em uma família mais humilde ou, as vezes, não terem famílias ou serem rejeitados por ela... problemas no acesso à educação e formação profissional... não ter um local para morar... entre muitos outros fatores, que na maioria das vezes remete muito mais à condição social do país do que propriamente da falta de “mérito” ou mau caratismo.

 

Tente fazer isso... escreva em um papel os privilégios que você tem ou teve em sua vida.   E com isso, ao olhar para o diferente, para o outro, pense que ali está alguém eu talvez não tenha tido os mesmos privilégios que você.   Talvez você tenha passado por situações que ele não tenha vivido, e o entendimento dele sobre eventual “privilegio” que ele tenha também é importante.     É uma via de mão dupla. Como sempre deve ser o respeito, a fraternidade e o amor incondicional, afinal... as nossas diversidades é que nos torna tão iguais, seres únicos, indivíduos (do latim individuus), que significa indivisível.

 

Entendido esse conceito, fica a dica para que sejamos quem somos. Temos esse direito assegurado, mas que possamos RESPEITAR as pessoas em suas diferenças, procurando exercer sempre que necessário a EMPATIA, antes de julgarmos uma pessoa apenas pelo nosso viés, consciente ou não.

Em falar em ser quem somos, dia 28 de junho se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBT.   Dia de refletir mais do que celebrar... do quanto somos iguais em nossas diferenças e do quanto juntos podemos fazer melhor a cada dia.    Afinal, todos somos mais do que letras, rótulos e crachás... somos humaninhos como você.

 

Pense nisso sempre. Isso é empatia !!

 

Um grande abraço e até o próximo encontro.

 

Flavia Bianco.

 

 

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2020 - Uma Nova Esperança

Olá amigos,

 

2019 foi um ano de reestruturação para mim, para meu ativismo, no meu lado profissional e pessoal.   Abro o primeiro artigo do ano com uma reflexão sobre o que vem por aí.

 

Espero, com convicção, que seja um ano de justiça em todos os sentidos.

 

Confesso que, como muitos, as tensões frente ao cenário político-social causaram desconforto e indignação.   É bem difícil você lutar por uma causa e ver desrespeitos acontecendo diariamente.   Foi um ano em que tivemos aumento dos índices de feminicídio, registros de racismo, LGBTfobia, apologia ao nazismo... ufa. Não foi fácil.

 

Mas fiz uma promessa nesse final de ano... me despir de tudo o que pesou e machucou, para começar um ano novo pronta e aberta às mudanças que espero na minha vida.

 

A vida não mudará por si só... a principal e fundamental mudança vem de dentro, de nossa essência, de nossos planos, de nosso engajamento em fazer diferença.

 

Estou entrando no 4º ano de minha transição e, embora as dificuldades tenham sido enormes e muitas outras ainda estão na pauta, conquistas foram alcançadas.   Inserção no mercado de trabalho e ativismo nessa matéria, colaboração na organização da 2ª Parada do Orgulho LGBT de Santos, palestras e reconhecimento da atuação pela causa do “RESPEITO”.     Também vi nesse ano meus laços se consolidarem cada vez mais com minha filha, nas oportunidades que estivemos juntas e com a minha esposa, com nosso casamento.   Mas esse artigo não é sobre mim... é sobre esperança !!!   Apenas trouxe fatos que mostram que o ano, apesar de difícil, trouxe coisas boas.

 

E você? Já fez esse exercício?   Experimente escrever num papel as coisas boas que aconteceram... é uma boa experiência.

 

E fazendo-a, descobri que a esperança em dias melhores sempre nos ajuda a olhar o copo meio cheio e a acreditar que, por mais nublado que esteja o momento, tudo passa.

 

Mário Quintana (1906 — 1994), em uma sacada genial, escreveu em seu Poeminho do Contra:

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Quando se refere ao "Todos", podemos SIM considerar pessoas, situações, obstáculos e adversidades que estão em nossa jornada.

 

Se mantermos o foco, tudo passará... basta que tenhamos paciência, resiliência e tranquilidade para seguir nossos objetivos e projetos.

 

Que o ano seja repleto de realizações a todos.

 

Ao invés daquela famosa música de réveillon que traz em seus versos o desejo de “que tudo se realize...”, que tenhamos outra oportunidade: a condição de FAZER com que as coisas se realizem.   FAZER acontecer.

 

O ano começou com ameaças à paz mundial no oriente médio, tragédias pelas chuvas em Minas, caso de transfobia em Maceió... mas que a esperança somada de todos nós seja um feixe de luz.

 

Vamos transformar as pedras que aparecem na jornada e aquelas que nos atacam, em um sólido calçamento para o caminho que nos levará adiante.

 

Acreditem em vocês, sejam quem são e, principalmente, busquem seus objetivos.

 

Grande abraço e meu sorriso a vocês !!!    

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A todos e os melhores desejos para esse 2020 !

Até o próximo encontro.


 

 

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2019: um ano pelo RESPEITO

Olá amigos.

 

Depois de uma breve pausa, retorno ao blog hoje para falar sobre conquistas de direitos para a diversidade LGBT, obtidas nos meses de maio e junho desse ano, definitivamente histórico para a garantia de nossos direitos e para a luta contra a LGBTfobia.

 

Há 29 anos atrás, mais precisamente no dia 17 de maio de 1990, a OMS promoveu a despatologização da homossexualidade.  Uma conquista que, de tão marcante, transformou a data no Dia Internacional de Combate a Homofobia.

 

A importância dessa conquista foi justamente deixar de tratar como doença a orientação sexual de alguém.   Note que não escrevi “opção” ou “preferência” sexual, termos que lemos por ai.    Não se trata de uma escolha.   A orientação sexual de alguém é algo de sua essência.  Não se escolhe, aprende ou ensina essa característica da sexualidade humana.

 

No dia 20 de maio desse ano, essa mesma despatologização ocorreu com a questão da transexualidade, a qual deixou de integrar a 11ª versão do CID – Classificação Internacional de Doenças.

 

A manutenção da transexualidade no CID, como “condição relativa a saúde sexual”, apesar de questionada por parte dos movimentos LGBT, garante na prática a manutenção dos atendimentos à população trans através do SUS e dos ambulatórios de saúde integral, atuando na área biopsicossocial, o que já era uma conquista muito grande, embora careça ainda de expansão desse atendimento a outras localidades e regiões.

 

Portanto, a exemplo do que ocorreu em 1990, a retirada da transexualidade dos “transtornos da identidade sexual (F64)” encerra uma polêmica que se retomou há alguns anos sobre o título de “cura gay” ou “cura trans”.

 

Como escrevi acima, orientação sexual e identidade de gênero não são escolhas ou aprendizado, muito menos doenças.   Tratam-se de características da sexualidade inerentes a essência do indivíduo e, dessa forma, não passível de “cura”.

 

Aliás,  “NÃO HÁ CURA PARA O QUE NÃO É DOENÇA” foi uma bandeira adotada pelo CFP – Conselho Federal de Psicologia, através da Resolução 01/99,  já sinalizando o absurdo da conceituação e pressão que alguns segmentos exerciam sobre os LGBTs, com relação aos supostos tratamentos de “cura”.

 

Esses tratamentos, além de opressores, nunca promoveriam nenhuma “cura”.  Poderiam apenas impor os padrões sociais e sexuais ditos “corretos” e reprimir a liberdade de gênero e orientação sexual das pessoas, causado diversos problemas psicossociais, entre eles a depressão – principal causa de suicídios entre LGBTs.

 

Vitória portanto no campo da saúde voltada à população Trans !!!

 

E entramos em junho, mês em que foi celebrado no dia 28 os cinquentas anos de “Stonewall”, incidente ocorrido em bar norte americano, que deu origem aos movimentos de combate a violência e discriminação por orientação sexual ao redor do mundo. 

 

E nesse mesmo mês, foi concluído o julgamento pelo STF sobre a criminalização da LGBTfobia.  

 

O julgamento dos ADO 26 e MI 4733, iniciado em fevereiro desse ano, deu-se face a omissão do Congresso Nacional em criar uma legislação de proteção aos LGBTs contra os chamados crimes de ódio.

 

Em 13 de junho, pelo placar de 8 x 3, os ministros STF determinaram que tal conduta passe a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por "raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.

 

Vitória de todo o coletivo !!!

 

A expectativa entretanto é que essa decisão não acabe de vez com a violência contra essa população, da mesma forma que a Lei do Racismo e a Lei Maria da Penha não garantiu o resultado tão esperado até hoje, mas que ao menos seja um instrumento de punição e redução dos números alarmantes de violência contra LGBTs.

 

Levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) revela que de 1º de janeiro a 15 de maio desse ano, foram registradas 141 mortes de pessoas LGBT, 126 homicídios e 15 suicídios.  Uma morte a cada 23h, considerando ainda o elevado número de subnotificação sobre o tema.

Números alarmantes sim... e que precisam de um basta!!

 

E felizmente, essas conquistas são fortes aliadas nessa luta, não por apologia a nenhum tipo de ideologia, mas sim pelo RESPEITO à diversidade e aos direitos conquistados.

 

Quanto mais diversa uma sociedade, mais rica ela se torna.

 

E a melhor forma de acessar essa “riqueza” é alcançarmos a empatia e o respeito ao próximo, seja ele diferente ou não!

 

Um abraço a todes e até o próximo encontro.

 

 

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Páscoa. Vamos RENASCER de verdade?

Páscoa, a festa cristã repleta de significado quanto a ressurreição do Cristo, a promessa da vida eterna, sobre reencarnação, dependendo dos dogmas cristãos que você acredita.

Lembrar do real motivo, e não apenas da festa de mesas fartas e troca de ovos de chocolate, é o que mais se falará ou será publicado nesses dias. E com muita razão e pertinência, pois afinal assim como nas festas de final de ano, por vezes nos esquecemos do real significado da data.

A data em seu real significado recorda a ressurreição de Jesus, ocorrida três dias depois de sua crucificação no Calvário, fato que mostrou que a vida continua em outro plano. Essa é a crença Cristã, com algumas derivações quanto reencarnação ou a vida eterna.

Mas, conceitos a parte, proponho nesse texto transcender esse simbolismo da Páscoa para algo maior: o RENASCER. O Renascer necessário dentro de cada um de nós, o recomeço, a ressureição, a reinvenção... todos sinônimos do ensaio que proponho hoje.

Quantas vezes tomamos um determinado caminho que nos parece correto, fazemos uma determinada escolha, temos uma visão própria sobre algo e seguimos em frente com nossas convicções? Muitas das vezes acionamos o piloto automático e vida que segue...

Por vezes alguns fatos, acontecimentos, imprevistos e infortúnios, nos forçam a reprogramar rotas, metas e ações. Isso ocorre em nossa vida financeira, profissional, acadêmica e até familiar. E é absolutamente normal. A adequação e reprogramação frente às adversidades as quais somos confrontados.

O mesmo ocorre em nossas crenças e religiosidade. Quando alguém se assume “cristão”, está implícito nessa escolha de que nos espelhamos e queremos nos tornar o mais próximos possíveis de Jesus e de seus ensinamentos, não é assim?

Pois bem. A pergunta para a reflexão é a seguinte: será que nós revemos ou fortalecemos nossos conceitos cristãos, frente a toda a dificuldade e mudanças na sociedade em que vivemos? Será que usamos nosso "amor cristão' para rever conceitos e pré-conceitos, sob a ótica dos novos tempos e novos acontecimentos?

Muitas vezes, é preciso coragem e sabedoria para enxergar diferente, para mudar conceitos sobre algo que nos parecia tão certo e imutável. A chamada mudança de paradigmas.

Em se aproximando a época em que se celebra a ressureição do Cristo, com todas as homenagens prestadas pelo seu legado terreno, será que estamos nos aproximando do que Ele exemplificou em sua passagem terrena? Estamos exercendo ou nos esforçando para praticar o AMOR FRATERNO UNIVERSAL? Estamos amando o próximo como a nós mesmos, mesmo que suas características, crenças ou escolhas sejam completamente diferentes ou contrárias às nossas?

"AMAR AO PRÓXIMO", como cantado em verso e prosa na maioria dos cultos religiosos, nada mais é do que RESPEITÁ-LO em sua essência e individualidade e, na medida do permitido, ajudá-lo quando possível.

Quando a ajuda não for permitida, já é um grande ATO DE AMOR não julgá-lo ou atacá-lo por sua diversidade, seja de pensamento, ideológica, política, sexual, gênero, étnica ou qualquer outra que seja.

Como já escrito aqui em alguns artigos, ninguém precisa ACEITAR o pensamento de ninguém. Basta apenas RESPEITAR.

Chico Xavier em uma de suas mais memoráveis frases disse: “Aos outros eu dou o direito de serem como são e a mim, o dever de ser cada dia melhor”.

“Amar os vossos inimigos” – frase dita por Jesus – não significa chamá-los para dividir seu almoço de páscoa ou tê-los na convivência em seu lar, mas como disse Chico, PERMITIR que sejam como são. RESPEITAR quem não nos é semelhante, já é um belo exercício de amor.

A cada um segundo suas obras. Não temos o direito de julgar ou condenar a diversidade alheia.

A lei dos homens define crimes e normas de conduta sociais a serem seguidas. E vivemos em uma sociedade onde mecanismos garantem essas definições, vigilância e condenações, em que pese as falhas que infelizmente ainda vemos em nosso judiciário ou nas execuções penais em todas as esferas... mas isso não importa.

Aos infratores e criminosos, nada mais e nada a menos que o julgamento e condenação com base na Lei. Não sejamos nós pretensos algozes e carrascos alheios, baseados muitas vezes em nossos preconceitos e intolerâncias.

Hoje em, vemos julgamentos públicos, muitas vezes em "redes sociais" contra todo tipo de diversidade e situações de dificuldade alheia. Pessoas em situação de vulnerabilidade tratadas como bandidos... LGBTs, mulheres e negros, desrespeitados em seus direitos básicos... e até mortos pelas mãos dos que se acham no direito de ser o árbitro e o executor de penas, num país onde a pena de morte não é legalmente instituída. E isso não é nem de longe o que Jesus espera de seus seguidores, dos chamados cidadãos de bem.

Portanto, nessa Páscoa, fica o convite: vamos renascer em nossa crença cristã. Vamos buscar nos espelhar Naquele que ressuscitou no dia da Páscoa. Vamos reanalisar nosso pensamento, nossas atitudes e, principalmente, nossa EMPATIA com o diverso e diferente. Vamos nos aproximar daquilo que ele ensinou vivenciando, na vida e na hora de sua morte: o amor fraterno, universal e incondicional.

O AMOR CRISTÃO não tem condicionantes... não tem mais nem menos. Ou se "AMA", ou não.

Vamos amar mais? Fica o convite ao exercício e à reflexão.

A todos uma páscoa de paz e, acima de tudo, de AMOR FRATERNO UNIVERSAL.

Até o próximo encontro.

 

 

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  • Publicado por: Flavia Bianco
  • Postado em: sexta-feira, 19 abr 2019 13:31Atualizado em: sexta-feira, 19 abr 2019 13:35
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Ensaios e opiniões sobre assuntos ligados a diversidade, estilo de vida, música entre outros, em busca de transcender a visão sobre esses temas, sob a ótica de Flavia Bianco, transgênero de 43 anos, santista de nascimento, publicitária de formação e musicista de coração. Participe interagindo ou sugerindo temas pelo email: blog.transcendendo@gmail.com