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10 ótimos vinhos de até 100 reais

Certamente o isolamento social a que estamos submetidos neste momento nos permite mais momentos com nossa família e para nos dedicarmos à enogastronomia. Assim, surge a ideia de indicar aos nossos leitores uma seleção de dez ótimos vinhos até R$ 100,00, já que nem todos podem ou querem gastar mais do que isto numa garrafa de vinho. Segue a lista.

Le Loup dans la Bergerie 2018 (R$ 79,00 na Delacroix Vinhos) – Leve, bastante frutado e de taninos macios, este vinho é da região francesa do Languedoc-Roussillon, mais especificamente perto da Montanha Pic Saint-Loup. É produzido pela Domaine l’Hortus sem a utilização de produtos químicos, e se constiui num blend contendo 80% de uvas Grenache e 20% de uvas Syrah, envelhecido por nove meses em tonéis de aço inox. É jovem, pronto para beber. Um vinho muito bom para o dia a dia, e que agrada a todos os paladares. Pode ser encomendado em www.delacroixvinhos.com.br.

Marques de Casa Concha Carmenére 2014 (R$ 98,90 no site das Lojas Americanas) – Produzido pela gigante chilena Concha y Toro, este vinho é um varietal de Carmenére, uva de origem francesa que se adaptou de forma excepcional no Chile. O paladar lembra frutas negras e, no final, um pouco de mentol. Passa 18 meses amadurecendo em barricas de carvalho francês. Encontrado em www.americanas.com.br.

Perro Callejero Malbec 2017 (R$ 99,70 na Winerie) – Vinho da excelente vinícola Mosquita Muerta, consiste num blend de Malbecs oriundas de três diferentes vinhedos e subregiões de Mendoza. Vinho encorpado, com notas de frutas vermelhas e café. Pronto para beber. Estagia por 6 meses em barricas de carvalho francês. Bom para acompanhar comidas mais “pesadas”. Um ótimo custo/benefício. Encontrado em www.winerie.com.

Espino Reserva Pinot Noir 2018 (R$ 84,90 na Wineface) – Este vinho é produzido pela chilena William Fèfre Chile, filial da prestigiada vinícola homônima de Chablis, na Borgonha. Um vinho jovem e pronto para beber, bastante frutado e de fácil de harmonizar com pratos de carnes e massas leves, e até mesmo com peixes e frutos do mar, desde que os molhos não sejam exageradamente pesados. Tenho tomado este vinho em diversas ocasiões. Perfeito para o dia a dia, quando se quer um vinho para relaxar. Pode ser encomendado em www.wineface.com.br, mas também é encontrado com preço semelhante em Laticínios Marcelo (Rua Dr. Lobo Viana, nº 54, bairro Boqueirão, em Santos).

Zuccardi Serie A Malbec 2018 (R$ 99,90 na Grand Cru) – Mais um argentino produzido por uma vinícola de respeito na região de Mendoza, e que tem influenciado demais nos rumos que os vinhos da Argentina tomaram. Seus vinhos premium sempre figuram entre os mais pontuados deste país, e, numa vinícola com tal atitude, não há produção de vinhos ruins, pois ela não se permite tamanha desfeita. O vinho apresentado é bastante estruturado, combinando perfeitamente com comidas um pouco mais pesadas. Está pronto para beber, e traz aromas de frutas negras e vermelhas, defumado e especiarias. Uma ótima opção dentro desta faixa de preços. Pode ser encontrado na loja da Grand Cru de Santos (Rua Minas Gerais, nº 17, Vila Rica, em Santos) ou em www.grandcru.com.br.

Quinta do Correio Tinto 2016 (R$ 79,14 na Decanter) – Um blend da região do Dão, em Portugal, que leva 40% de uvas Jaen, 35% de Touriga Nacional, 15% de Alfrocheiro e 10% de Tinta Roriz. Trata-se de um vinho de corpo médio e, portanto, bastante versátil em termos de harmonização, pois pode combinar com muitos pratos, sejam eles leves ou mais pesados. É produzido pela respeitada vinícola Quinta dos Roques. Bastante frutado, tem taninos bem equlibrados, o que lhe confere uma maior aceitação em pessoas que não estão procurando um vinho tão complexo, preferindo um vinho mais “fácil”. Pode ser adquirido no site da Decanter Vinhos (www.decanter.com.br) ou na Enoteca Decanter, localizado em Santos, na Rua Azevedo Sodré, nº 144, sobreloja, no Gonzaga.

Chianti Classico Castello di Radda 2016 (R$ 90,00 na Tahaa) – Os Chianti são os vinhos clássicos da Toscana, produzidos predominantemente com a uva Sangiovese (este leva 90% desta uva e mais 5% de Caniolo e 5% de Colorino). Apesar de estruturado, é um vinho que desce fácil. Tem aromas de frutas negras e tabaco. É um vinho de R$ 180,00, mas que está sempre com bons descontos, como atualmente. No site continua com o preço normal, mas pode ser encomendado pelo email [email protected], da consultora Rosa Bacigalupo.

Colonia Las Liebres Bonarda Classica 2018 (R$ 89,00 na Via Vini) – Uma das vinícolas precursoras na utilização do Malbec em Mendoza, a Altos Las Hormigas faz este vinho com a uva Bonarda, que eu particularmente gosto demais, e que já foi considerado o melhor desta casta na Argentina. Alguns especialistas dizerm que a safra de 2018 é a melhor deste rótulo. Vai muito bem com uma pizza. Pode ser encomendado por www.viavini.com.br.

Hey Malbec (R$ 89,90 – mínimo de duas garrafas – na VinhoBr) – Este vinho é realmente um achado, pois é um dos espetaculares exemplares de Matías Riccitelli, um dos expoentes da nova geração de enólogos argentinos, e que tem na veia o DNA de seu pai, o grande enólogo Jorge Riccitelli, da vinícola Norton, e que já foi considerado o melhor enólogo do mundo. Um vinho fácil, que encontra espaço para todos os paladares. Além das frutas vermelhas, expressão características de muitos Malbec argentinos, este tem tons florais e um pouco de pimenta, com taninos macios. Encontrado em www.vinhobr.com.br.

Vale da Pedra Tinto 2018 (R$ 98,00 na Vinícola Guaspari) – Está aí um grande exemplo de que é possível o vinho brasileiro ir além dos espumantes (ótimos, por sinal) sem custar muito caro (alguns rótulos são exageradamente caros pelo que oferecem). Um vinho bastante honesto e agradável, da surpreendente e cada vez meelhor Vinícola Guaspari, localizada em Espírito Santo do Pinhal, aqui no Estado de São Paulo. Vale inclusive uma visita à vinícola, que tem se preparado para receber os turistas, que já a procuram com intensidade, dada a fama que os vinhos de lá estão propagando. Este vinho é produzido 100% com uvas Syrah e passa por um estágio de 7 meses em barricas de carvalho francês. Com corpo médio, tem taninos redondos e aromas de frutas vermelhas e chocolate. Pode ser encomendado em www.loja.vinicolaguaspari.com.br.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:38Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:02
  • VINHOS   ÓTIMOS   100 REAIS   
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Beaujolais: Do preconceito à excelência

A Borgonha é reconhecida como uma das mais importantes regiões vitivinícolas, sendo certo que alguns dos vinhos nela produzidos estão entre os mais respeitados do mundo, notadamente aqueles produzidos na Côte des Nuits, que fica entra as cidades de Dijon e Nuits Saint Georges. Ali se encontram vinícolas e produtores do calibre de Romanée Conti, Domaine Ponsot, Domaine Faiveley, Domaine Meo Camuzet e Joseph Druhin, dentre inúmeros outros produtores de excelência.

São seis as subrregiões, a saber, Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais. Esta última, muitas vezes esquecida e localizada ao sul da Borgonha, tem ao longo do tempo sofrido injusta crítica com relação aos vinhos que produz, muito em razão dos produtos que no passado foram importados ao Brasil.

Numa época em que pouquíssimos vinhos eram importados, surgiram alguns exemplares dos Beaujolais Noveau, da mais inferior qualidade da região, mas que é vendido mundo afora a partir de uma excepcional estratégia de marketing, que faz com que as vendas se iniciem em data única (terceira quinta-feira de novembro). Este vinho, assim como os demais Beaujolais é feito 100% com uvas Gamay, mas segue uma técnica de vinificação mais simples, além das uvas não serem provenientes dos melhores vinhedos da região. O resultado final não poderia, realmente, ser o melhor, e isso acabou por deixar uma marca negativa nos vinhos da região, que estes, sinceramente, não merecem.

Com efeito, há muito tempo que Beaujolais é uma respeitada região produtora de vinhos da França, situação solidificada a partir de 1937, quando passou a ser uma Apelação de Origem Controlada – AOC ou appellation d’origine contrôlée.

Os vinhos Beaujolais podem ser divididos em Beaujolais Noveau, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru.

O primeiro tipo, como já acima anotado, é de uma qualidade inferior, pois se trata de um vinho extremamente jovem, que não passa por envelhecimento em barricas de madeira, dado que é comercializado pouco tempo depois de sua fermentação.

O segundo tipo, o Beaujolais, é pouco envelhecido, e também suas uvas não proveem de vinhedos prestigiados. É um vinho de mesa, comum, para o dia a dia, mas que por vezes pode trazer algumas surpresas, a depender do produtor, pois muitos ótimos produtores da região também se dedicam a produzir vinhos mais baratos e, consequentemente, de fácil comercialização.

Na sequência, temos os Beaujolais Villages, oriundos de 38 vilarejos credenciados, e produzidos por cerca de 1.250 viticultores, e que já têm uma qualidade bastante superior aos outros dois anteriores, pois a matéria prima é oriunda de vinhedos mais qualificados, além das técnicas de viticultura serem mais rigorosas.

E, por fim, temos os Beaujolais Cru, que são produzidos em dez sub-regiões, onde as múltiplas condições para a plantação de uvas, o terroir, são especiais, e influenciam diretamente no produto final, que é realmente espetacular. Os Beaujolais em geral já são vinhos fáceis, pois a uva Gamay, de utilização obrigatória na produção desta denominação, é bastante frutada. Aos cru, entretanto, somam-se outros fatores positivos que influenciam no vinho, trazendo notas diferenciadas, que podem ser mineralidade, flores, especiarias, e uma intensidade (corpo) diferente, tornando-os muito mais complexos, como um grande vinho deve ser.

As sub-regiões dos crus são Morgon, Moulin-à-Vent, Fleurie, Juliénas, Côte de Brouilly, St-Amour, Chénas, Chiroubles, Brouilly e Régnié.


Muito embora reinem os tintos, há Beaujolais brancos, que são elaborados com a uva Chardonnay, mas que não têm sido trazidos com frequência para o Brasil.

Algumas importadoras brasileiras têm trazido vinhos Beaujolais de grandes produtores desta região francesa. Ficam a seguir algumas dicas:
• JUSS Millesimes (www.juss-millesimes.com.br) traz os vinhos de Yohan Lardy (com destaque para o seu Moulin-à-Vent Les Michelons , por R$ 180,00), Gilles Paris, Domaine de Charbonniere e Ivon Clerqet;
• Mistral (www.mistral.com.br) importa os ótimos vinhos de Joseph Drouhin;
• Decanter (www.decanter.com.br) traz os vinhos de Dominique Piron, com destaque para seu Côte du Py Morgon La Chanaise (em promoção por R$ 163,80);
• Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br) que importa os vinhos de Roland Pignard, destacando seu Régnié, por R$ 165,00;
• Chez France (www.loja.chezfrance.com.br) traz os vinhos de Brossette & Fils e do Château de La Terrière;

Agora é só comprar bons exemplares de Beaujolais e curtir. Ele cai bem tanto com comidas leves quanto com queijos e nuts.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:52Atualizado em: terça-feira, 02 jun 2020 12:13
  • Beaujolais   Borgonha   Vinhos   
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Vinhos da Itália – Uma homenagem a um país em guerra contra um vírus

                                                    PARTE I – VINHOS DO PIEMONTE


A Itália é certamente um dos mais importantes países produtores de vinho do mundo, sendo a campeã mundial em volume de produção, com 46,6 milhões de hectolitros em 2019, um ano ruim, que impôs diminuição de 10% na produção mundial de vinho em razão de geadas e secas (na Itália foram 15% a menos de produção). E, dentre as inúmeras regiões vinícolas do país (elas estão espalhadas por todo o território italiano, incluindo as ilhas da Sicília e Sardenha), estão as destacadas regiões do Piemonte e da Toscana, que “brigam” pelo título de mais importante região vitivinícola.

Iniciamos nossa jornada em homenagem a este belíssimo país, devastado pelo coronavírus, pelo norte, justamente por se tratar de uma das regiões mais afetadas por esta pandemia, e, mais especificamente, pelo Piemonte, que abriga alguns dos mais importantes vinhos produzidos no mundo, os Barolo e os Barbaresco.

Geograficamente o Piemonte fica na parte mais ocidental da Itália, fazendo fronteira com a França, da qual sofreu muita influência, posto que a região inteira foi dominada durante anos pela Casa de Savoia (ou Casa de Saboia), que tinha ramificação francesa. Foram os gregos, entretanto, que introduziram a produção de vinho na região, seguidos, posteriormente, pelo Império Romano. Foi a partir do Século XVIII, entretanto, que surge aquele que se tornaria o vinho mais famoso da região, e um dos mais prestigiados de todo o mundo, o Barolo. Calcula-se que o Piemonte tenha uma área de 58.000 hectares de vinhedos, e produza cerca de 300 milhões de litros por ano.

A área piemontesa que tem maior destaque no mundo dos vinhos é a que se denomina de Langhe. É justamente nela que se encontram os ícones da região, os Barolo e os Barbaresco.

A denominação Barolo tem a pequena comuna de mesmo nome como ponto central (são apenas 679 habitantes e 5 km² de território), muito embora a principal cidade do Langhe seja Alba, famosa pelas trufas. A denominazione di orgirine controllata e garantita – DOCG Barolo se estende a outras subregiões, a saber, La Morra, Verduno, Roddi, Grinzane Cavour, Diano d’Alba, Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba, Monforte d’Alba e Novello. Para que um vinho do Piemonte possa ganhar o rótulo Barolo, deve obrigatoriamente ser originário de uma dessas cidades e ser produzido 100% com a uva Nebbiolo. Se o vinho provier de outra cidade, ganhará a denominação de Nebbiolo, ou de uma outra DOC ou DOCG.

Em cada uma dessas subregiões há vinhedos excepcionais, que fornecem a fruta para grandes clássicos de Barolo, produzidos com uvas apenas deste local (single vineyard), ao invés de um blend de vários vinhedos. Em La Morra os destaques são os vinhedos Brunate (denominação utilizada por Vietti, Ceretto e Roberto Voerzio), Cerequio (denominação utilizada por Michele Chiarlo e Roberto Voerzio) e Rocche dell’Annunziata (produzido por Renato Ratti e Paolo Scavino, por exemplo). Em Barolo sobressaem-se os vinhedos Brunate (denominação utilizada pelos produtores Pietro Rinaldi e Marchesi di Barolo), Cannubi (denominação utilizada por Prunotto e Paolo Scavino) e Cannubi Boschis (denominação utilizada por Luciano Sandrone). Em Castiglione Falletto estão localizados os vinhedos Monprivato (denominação utilizada por Giuseppe Mascarello), Fiasco ou Fiasc (utilizado por Paolo Scavino) e Villero (denominação utilizada por Bruno Giacosa e Vietti). Em Monforte d’Alba são encontradas as denominações Bussia (utilizada por Aldo Conterno), Ginestra (utilizada por Domenico Clerico) e Mosconi (utilizada por Rocche di Manzoni). Já em Serralunga d’Alba temos as denominações Falletto (utilizada por Bruno Giacosa), Francia (utilizada por Giacomo Conterno) e Vigna Rionda (utilizada por Massolino e Podere Oddero).

Os vinhos produzidos na DOCG Barolo são potentes, e têm a fama de serem longevos (alguns não expressam suas principais características antes de 15 anos), podendo serem guardados por décadas e ainda assim manterem sua vivacidade e complexidade. E, apesar das subregiões acima anotadas estarem a poucos quilômetros de distância umas das outras, o diferente terroir pode mudar complemente o vinho, trazendo-lhe características próprias que levam os apreciadores a acreditar que se tratam de vinhos produzidos em locais muito distantes, apesar da característica comum que a Nebbiolo lhes empresta.

Alguns dos grandes produtores de Barolos são Aldo Conterno, Giacomo Conterno, Renato Ratti, Pio Cesare, Bruno Giacosa, Bartolo Mascarello, Michele Chiarlo, Ceretto, Elio Grasso, Giuseppe Mascarello, Paolo Scavino, Vietti e Roverto Voerzio.

A poucos quilômetros dali está a comuna de Barbaresco (638 habitantes e 7 km² de território), que dará nome a outra denominazione di origine controllata e garantita – DOCG que está entre as mais respeitadas do mundo.

Ali os vinhos também devem ser produzidos obrigatoriamente com 100% de uva Nebbiolo, mas, dadas as características do terroir encontrado nessa região, os vinhos tendem a ser menos potentes (com taninos menos intensos) e não suportarem o mesmo tempo de guarda do que os Barolo, muito embora os melhores exemplares de Barbaresco tenham tais qualidades.

A denominação Barbaresco exige que o vinho tenha sido produzido com uvas oriundas das comunas de Barbaresco, Treiso, Neive e uma parte do território de San Rocco Seno d’Elvio. Como toda DOCG, esta também é submetida a rígido controle, cuja lei regulamentadora impõe que o vinho tenha inúmeras características, tais como certo teor alcoólico, tempo mínimo de amadurecimento, tempo mínimo em barrica de carvalho etc. São 65 vinhedos classificados e oficializados, e que podem constar no rótulo, quando as uvas utilizadas para a produção do vinho foram originárias de apenas um deles.

Os vinhedos mais famosos de Barbaresco, e que produzem algumas de suas joias são Asili, Gallina, Montestefano, Pajè, Rabajà e Rio Sordo. Mas certamente não há como falar de joias desta região sem falar sobre os vinhos produzidos por Angelo Gaja, o grande nome de Barbaresco (mas que também produz vinhos em outras regiões, tais como Barolo e Moltalcino). Seus vinhos Costa Russi, Sorì Tildìn e Sorì San Lorenzo, provenientes dos vinhedos homônimos, são excepcionais. São vinhos para se tomar ao menos uma vez na vida.

Outros grandes produtores de Barbaresco são Bruno Giacosa, Produttori del Brabaresco, Orlando Abrigo, Ca’del Baio, Cascina delle Rose, Ceretto, Pio Cesare, Poderi Colla, Marchesi di Grésy, Bruno Rocca, Sottimano e La Spinetta.

Mas o Piemonte não vive só da Nebbiolo, sendo as uvas Barbera e Dolcetto também importantes dentro do contexto regional, além das castas brancas Arneis, Cortese, Moscato Bianco, Malvasia e a francesa Chardonnay.

Grande parte dos mais prestigiados produtores do Langhe também produzem denominações como Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Langhe, Nebbiolo d’Alba, dentre muitas outras, e que se constituem em denominazione di origine controllata – DOC, sendo estes vinhos mais baratos e não tão prestigiados quanto os Barolo e Barbaresco.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:09Atualizado em: segunda-feira, 01 jan 1900 00:00
  • VINHOS   GUERRA   ITÁLIA   
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Mendoza

Confesso que ensaiei muito para conhecer a região vinícola de Mendoza, a mais importante da Argentina, e de onde saem cerca de 80% dos vinhos produzidos nesse país, apesar dos insistentes convites e ótimas referências de pessoas de gosto confiável. Priorizei outras regiões mais tradicionais, até que sucumbi a tantos apelos de amigos que desfrutam do mesmo gosto pelos prazeres do vinho, e acabei agendando, alguns anos atrás, a viagem. Uma semana depois de meu desembarque na interiorana Mendoza, capital da província de mesmo nome, a sensação era de raiva pelo tempo que perdi ao sonegar minha passagem por esta “Disney” dos amantes da boa mesa.

De fato, tanto os apreciadores de vinhos quanto da gastronomia, encontram em Mendoza um prato cheio para se esbaldar. Não bastasse as mais de 1500 vinícolas distribuídas em cinco subrregiões, que, por seu turno, se subdividem em outros tantos departamentos (vale consignar o protagonismo de Luján de Cuyo, Maipú e Tupungato), cada qual produzindo vinhos com características muito diversas em razão das mudanças de altitude, solo e outros elementos naturais que influenciam decisivamente no produto final, mais de uma centena delas está muito bem estruturada para receber os turistas que pretendem conhecer o processo de elaboração de seus vinhos, desde os vinhedos até o engarrafamento.

O interessante é estudar muito bem a região para poder se programar de forma a não “pagar mico”. Isso porque a província de Mendoza é muito grande, e por vezes as vinícolas que você quer visitar estão a distâncias que serão impossíveis de serem percorridas a tempo para cumprir os horários das reservas. Sim, com raríssimas exceções, você precisa proceder a agendamento prévio para realizar o tour e degustação nas vinícolas. Além disso, lembre-se que ninguém vai a Mendoza para tomar água mineral. Então, fique esperto se estiver dirigindo. O ideal é contratar um serviço especializado, que proceda às reservas, agrupando as vinícolas por áreas próximas, de sorte a otimizar o deslocamento, e lhe forneça um veículo com motorista. Para tours individuais ou em grupo, recomendo contato com Susana Moreiras ([email protected]). Ela faz simplesmente tudo, cabendo a você apenas se divertir. Nas vinícolas você só mexerá na carteira se quiser comprar algumas garrafas ou souvenires, pois ela acerta tudo, e você, acerta com ela ao final.

Algumas vinícolas são de visita quase obrigatória, dada sua importância e conhecimento do público brasileiro: Catena Zapata (com seu prédio magistral e seus vinhos icônicos), Bodega Aleanna – El Enemigo (projeto do enólogo chefe da Catena Zapata, Alejandro Vigil, com Adrianna Catena, e que conta com um excelente restaurante), Norton (pela importância de seu enólogo Jorge Riccitelli e o ótimo restaurante), Luigi Bosca (tradicional e com ótima degustação) e Trapiche (com sua sede localizada em um prédio histórico restaurado). Todavia, é preciso conhecer algumas joias como Achaval Ferrer (mais pela qualidade de seus vinhos, que você conhecerá numa ótima degustação), Alta Vista (empreendimento da família D’Aulan, que foi proprietária da renomada Champagne Piper Heidsieck) e Viña Cobos (que tem como um de seus proprietários o enólogo americano Paul Hobbs). Entretanto, não se pode descuidar em relação a vinícolas não tão conhecidas do público brasileiro, como Matías Riccitelli (puxou a genialidade de seu pai), Durigutti (uma grata surpresa, com uma ótima sala de degustações) , Mendel (uma vinícola bastante rústica, mas que recebe muito bem os visitantes, sem contar seus excepcionais Unus e Finca Remota) e Zorzal (pelo talento dos irmãos Michelini).

Na minha concepção, o ideal é que se faça três visitas com degustação ao dia (menos de duas, nem pensar), sendo que a última deve ser conjugada com almoço. Aliás, abramos aqui um parêntese para consignar que algumas destas vinícolas têm restaurantes excelentes, podendo de pronto nomear Norton, Vistalba, Chandon, Dominio del Plata (Susana Balbo), Zuccardi, Ruca Malen e Bodega Aleanna. Como regra, você sai da mesa por volta das 15 hs, chegando ao hotel entre 15:30 e 16 hs, o que ainda te dá tempo para dar uma volta na pacata cidade. Isso, obviamente, se você não estiver trançando as pernas ou estufado de tal maneira que não consegue dar dois passos.

E, se você tiver um dragão dentro de seu estômago, o que lhe permite uma rápida digestão, ainda poderá curtir um belo jantar num dos tantos excelentes restaurantes de Mendoza, com destaque para os excepcionais 1884 (do mago das carnes Francis Mallmann), Azafran e Maria Antonieta.

No quesito hospedagem, a região também tem ótima estrutura, com hoteis boutique, hoteis luxuosos, hoteis mais funcionais, enfim, hoteis para todos os gostos. Me agradam o Park Hyatt e o Diplomatic, seja pelo serviço e instalações, seja pela excelente localização de ambos, o que permite passear pela zona comercial e gastronômica de Mendoza a pé. Os que pretenderem conhecer o Vale do Uco, de onde saem atualmente alguns dos vinhos mais prestigiados da Argentina, o ideal é achar um local para ficar na região (destaque para os chalés da vinícola Salentein e para o luxuoso The Vines Resort & Spa), para não ter de encarar uma viagem de volta a Mendoza, que, após visitas e degustações, pode se tornar puxada.

E se após tantas visitas você ainda não estiver com sua cota de vinhos estourada, a cidade de Mendoza oferece boas lojas para aquisição da bebida, notadamente de vinícolas que não recebem visitas, destacando-se a Sol y Vino, Wine O’Clock e Winery.

Em resumo, não faça como eu, que perdi tanto tempo (já recuperados, obviamente). Agende logo sua viagem para Mendoza e se delicie em uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo.

 

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:12Atualizado em: segunda-feira, 01 jan 1900 00:00
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