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Região de Champagne: Borbulhas e muito mais

Ano Novo, casamento, aniversário, conquista de campeonato, promoção no emprego, nascimento de filho, formatura na faculdade e outros tantos momentos alegres nos remetem a qual bebida? Champagne, por óbvio. E por quê? Porque esta bebida e suas maravilhosas borbulhas (o perlage) estão associadas a felicidade. Ou seja, em momentos felizes, que merecem uma comemoração, bebemos champagne.

Esta conexão entre champagne e bons momentos é o resultado de uma muito bem sucedida estratégia de marketing dos produtores da região francesa de mesmo nome, única que pode utilizar esta denominação no mundo inteiro, muito embora alguns produtores mundo afora insistam em se apropriar indevidamente desta.

A bebida foi paulatinamente sendo adotada pelos produtores da região desde o século XVII, mais especificamente 1668, quando o monge beneditino Dom Pierre Pérignon teria descoberto a fórmula para se produzir vinho espumante, ao menos pelo método hoje conhecido como champenoise. Há, contudo, muita controvérsia sobre se de fato o citado religioso teria sido o precursor das borbulhas, posto que alguns apontam o ano de 1531 como sendo aquele em que monges, também beneditinos, da Abadia de Saint-Hilaire, perto de Carcassonne, teriam feito o primeiro espumante. Hoje, quase 100% da região vitivinícola se dedica à produção de champagne.

São cerca de 100 prestigiadas maisons e algo em torno de 19.000 pequenos produtores (vignerons), sendo que grande parte delas podem visitadas. Todavia, algumas se destacam, seja pela excelência da bebida que desenvolvem, seja pela beleza de suas instalações, aí incluídas suas caves.

Na seleta lista de prestigiados produtores, e que recebem visitação, encontram-se a Möet & Chandon, Veuve Clicquot, Bollinger, Taittinger, Pommery, Jacques Selosse, Louis Roederer, Pol Roger, Gosset, Billecart-Salmon, Charles Heidsieck, Perrier-Jouët, Laurent-Perrier, Ruinart, Henriot, Drappier, Duval-Leroy e Ayala. Certamente esta é uma lista reduzida, pois tantas outras poderiam ser mencionadas. A Krug, infelizmente, não recebe turistas.

Quem pensa, entretanto, que só de champagne vive a região, está muito enganado, pois muitas outras atrações lhe esperam, a começar pela importantíssima cidade de Reims (pronuncia-se Rãns), que foi fundada por gauleses, conquistada pelos romanos, prestigiada pela monarquia francesa e palco de muitas guerras, inclusive a II Grande Guerra Mundial (lá foi assinado o ato de rendição dos alemães em 07 de maio de 1945 perante os líderes dos exércitos aliados, dentre eles o general americano Dwight Eisenhower).

Esta bela cidade tem como principais atrações a imponente catedral de Notre-Dame de Reims, do início do século XIII, onde eram coroados os reis da França; o Porte de Mars, um arco que se constituía em um dos quatro portais da cidade na época de dominação romana; o Palais de Tau, um palácio do fim do século XV, que serviu de moradia de reis da França; e a Basílica de Saint Remi.

Não deixe de visitar, também, as cidades de Epernay (vale passar um dia inteiro), Avize, Aÿ e Châlon-en-Champagne. Todas elas, além de bucólicas e com algumas boas atrações turísticas, são sede de grandes vinícolas.

No campo da gastronomia, a região também não deixa a desejar. Não bastasse o fato de estar na França, o que, por si só já é garantia para comer bem, Champagne guarda alguns tesouros que valem muito para quem estiver disposto a gastar algumas centenas de euros. Falo dos restaurantes L’Assiette Champenoise e Le Parc, ambos localizados em hoteis.

Com relação ao L’Assiette Champenoise, trata-se de um 3 estrelas Michelin, localizado no interior do hotel de mesmo nome, em Tinqueaux (cidade grudada em Reims) e comandado pelo chef Arnaud Lallement. Ao entrar, aceite tomar um drink no bar do hotel, moderno e de muito bom gosto. Escolha um champagne em taça na imensa carta que será apresentada. Sem nenhum custo, lhe serão servidos alguns canapés que darão a noção do que está por vir no restaurante. O menu é sazonal, mas não deixe de provar a homard bleu (lagosta azul da Bretanha), que está sempre no cardápio. Peça para o sommelier harmonizar toda sua refeição com champagnes. É incrível descobrir como é possível tomar esta maravilhosa bebida desde a entrada até a sobremesa.

Já quanto ao Le Parc, restaurante do Hotel Les Crayères, é um 2 estrelas Michelin, mas que você não consegue entender como não alcançou a terceira, ainda. Está localizado numa propriedade esplêndida, que fica entre as maisons Veuve Cliquot e Pommery. Portanto, aconselho reservar para o almoço, agendando visita a ambas vinícolas, uma antes e uma depois da refeição (deixe um bom espaço de tempo para o almoço, pois você precisará). Nem pense em dispensar o convite para se sentar em uma das mesas do jardim, para um drink antes do almoço. Tome umas duas taças de champagne antes de entrar no lindo salão, onde você será paparicado até dizer “chega”, mas com uma discrição por parte dos atendentes, que você terá a impressão de que eles nem estão por perto. O menu degustação no almoço custa € 69.

Em resumo, vale muito uma esticada à região da Champagne, que está a cerca de 130 km de Paris, e perto de outra “joia da coroa”, que é a Borgonha. Portanto, faça as malas e prepare para brindar muitas vezes. Santé!!!!

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:56Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:58
  • VINHO   BORBULHAS   CHAMPAGNE   
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Beaujolais: Do preconceito à excelência

A Borgonha é reconhecida como uma das mais importantes regiões vitivinícolas, sendo certo que alguns dos vinhos nela produzidos estão entre os mais respeitados do mundo, notadamente aqueles produzidos na Côte des Nuits, que fica entra as cidades de Dijon e Nuits Saint Georges. Ali se encontram vinícolas e produtores do calibre de Romanée Conti, Domaine Ponsot, Domaine Faiveley, Domaine Meo Camuzet e Joseph Druhin, dentre inúmeros outros produtores de excelência.

São seis as subrregiões, a saber, Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune, Côte Chalonnaise, Mâconnais e Beaujolais. Esta última, muitas vezes esquecida e localizada ao sul da Borgonha, tem ao longo do tempo sofrido injusta crítica com relação aos vinhos que produz, muito em razão dos produtos que no passado foram importados ao Brasil.

Numa época em que pouquíssimos vinhos eram importados, surgiram alguns exemplares dos Beaujolais Noveau, da mais inferior qualidade da região, mas que é vendido mundo afora a partir de uma excepcional estratégia de marketing, que faz com que as vendas se iniciem em data única (terceira quinta-feira de novembro). Este vinho, assim como os demais Beaujolais é feito 100% com uvas Gamay, mas segue uma técnica de vinificação mais simples, além das uvas não serem provenientes dos melhores vinhedos da região. O resultado final não poderia, realmente, ser o melhor, e isso acabou por deixar uma marca negativa nos vinhos da região, que estes, sinceramente, não merecem.

Com efeito, há muito tempo que Beaujolais é uma respeitada região produtora de vinhos da França, situação solidificada a partir de 1937, quando passou a ser uma Apelação de Origem Controlada – AOC ou appellation d’origine contrôlée.

Os vinhos Beaujolais podem ser divididos em Beaujolais Noveau, Beaujolais, Beaujolais Village e Beaujolais Cru.

O primeiro tipo, como já acima anotado, é de uma qualidade inferior, pois se trata de um vinho extremamente jovem, que não passa por envelhecimento em barricas de madeira, dado que é comercializado pouco tempo depois de sua fermentação.

O segundo tipo, o Beaujolais, é pouco envelhecido, e também suas uvas não proveem de vinhedos prestigiados. É um vinho de mesa, comum, para o dia a dia, mas que por vezes pode trazer algumas surpresas, a depender do produtor, pois muitos ótimos produtores da região também se dedicam a produzir vinhos mais baratos e, consequentemente, de fácil comercialização.

Na sequência, temos os Beaujolais Villages, oriundos de 38 vilarejos credenciados, e produzidos por cerca de 1.250 viticultores, e que já têm uma qualidade bastante superior aos outros dois anteriores, pois a matéria prima é oriunda de vinhedos mais qualificados, além das técnicas de viticultura serem mais rigorosas.

E, por fim, temos os Beaujolais Cru, que são produzidos em dez sub-regiões, onde as múltiplas condições para a plantação de uvas, o terroir, são especiais, e influenciam diretamente no produto final, que é realmente espetacular. Os Beaujolais em geral já são vinhos fáceis, pois a uva Gamay, de utilização obrigatória na produção desta denominação, é bastante frutada. Aos cru, entretanto, somam-se outros fatores positivos que influenciam no vinho, trazendo notas diferenciadas, que podem ser mineralidade, flores, especiarias, e uma intensidade (corpo) diferente, tornando-os muito mais complexos, como um grande vinho deve ser.

As sub-regiões dos crus são Morgon, Moulin-à-Vent, Fleurie, Juliénas, Côte de Brouilly, St-Amour, Chénas, Chiroubles, Brouilly e Régnié.


Muito embora reinem os tintos, há Beaujolais brancos, que são elaborados com a uva Chardonnay, mas que não têm sido trazidos com frequência para o Brasil.

Algumas importadoras brasileiras têm trazido vinhos Beaujolais de grandes produtores desta região francesa. Ficam a seguir algumas dicas:
• JUSS Millesimes (www.juss-millesimes.com.br) traz os vinhos de Yohan Lardy (com destaque para o seu Moulin-à-Vent Les Michelons , por R$ 180,00), Gilles Paris, Domaine de Charbonniere e Ivon Clerqet;
• Mistral (www.mistral.com.br) importa os ótimos vinhos de Joseph Drouhin;
• Decanter (www.decanter.com.br) traz os vinhos de Dominique Piron, com destaque para seu Côte du Py Morgon La Chanaise (em promoção por R$ 163,80);
• Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br) que importa os vinhos de Roland Pignard, destacando seu Régnié, por R$ 165,00;
• Chez France (www.loja.chezfrance.com.br) traz os vinhos de Brossette & Fils e do Château de La Terrière;

Agora é só comprar bons exemplares de Beaujolais e curtir. Ele cai bem tanto com comidas leves quanto com queijos e nuts.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:52Atualizado em: terça-feira, 02 jun 2020 12:13
  • Beaujolais   Borgonha   Vinhos   
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A nova geração Mendocina

É inacreditável como a Argentina tem conseguido garantir a sucessão dos mais importantes enólogos do país com uma geração extremamente talentosa, e que já está obtendo resultados expressivos na produção de vinhos.

Nomes como Jorge Riccitelli (Norton), Santiago Achával (Achával Ferrer e Matervini), José Zuccardi (Zuccardi), Hubert Weber (Cavas de Weinert e Hubert Weber), Carmello Patti (Carmello Patti), Walter Bressia (Bressia), Mariano Di Paola (Rutini Wines), Susana Balbo (Susana Balbo Wines) e José Galante (Salentein) e Roberto González (Nieto Senetiner) ainda estão à frente da enologia de grandes vinícolas, e com resultados muito comemorados, mas há um time de jovens enólogos que têm uma postura diferenciado em relação à produção de vinhos, e que se concentra, basicamente, na ousadia.

Com efeito, é essa ousadia da nova geração que tem proporcionado ao mundo vinhos argentinos mais surpreendentes, fora do padrão, eu diria.

Muitos desses novos talentos já foram recrutados por grandes vinícolas como Catena Zapata e Zorzal (que atualmente é controlada pelo Grupo Belén – proprietário da chilena Morandé – e sócios argentinos e canadenses), caso de Alejandro Vigil e Andrea Mufatto e Juan Pablo Michelini, respectivamente.

Todavia, o mais interessante são os novos projetos a que este time de enólogos têm se dedicado. Vamos a alguns dos mais destacados.

Alejandro Vigil tornou-se sócio de Adrianna Catena (filha do nome mais importante da vitivinicultura argentina, Nicolás Catena Zapata) e fundaram a Bodega Aleanna, que produz a linha de vinhos icônicos Gran Enemigo, cuja pontuação pelo crítico americano Robert Parker e pelo Guia Descorchados 2017 vai às alturas. Além disso, Alejandro e sua sócia montaram uma ótima estrutura para visitação, que inclui um belo restaurante, que frequentemente conta com a presença daquele distribuindo sorrisos e tirando fotos com os visitantes, no melhor estilo popstar.

Alejandro Sejanovitch, talentoso enólogo envolvido em vários projetos, sempre com seu amigo Jeff Mausbach, tais como Bodegas Teho, Buscado Vivo o Muerto, Estancia Los Cardones (neste projeto também participa Fernando Saavedra), Manos Negras e TintoNegro, tem obtido resultados expressivos, sem contar as notas altíssimas que tem recebido dos críticos de publicações especializadas.

Andrea Mufatto está à frente da enologia da Gen del Alma, vinícola da qual é proprietária em parceria com Gerardo Michelini, seu marido e também enólogo, e cujo vinho Seminare Malbec 2015 chegou aos obscenos 99 pontos no Guia Descorchados 2017 (vale provar, também, os vinhos Otra Piel e Ji Ji Ji). Também participa, em parceria com os irmãos Michelini (dentre eles Gerardo) do projeto Michelini i Mufatto, que já rendeu 96 pontos no Guia Descorchados 2017 a seu A Merced Malbec 2015. Por fim, Andrea é enóloga da Zorzal, juntamente com Juan Pablo Michelini, outro ás da nova geração de enólogos, e um dos Michelini Bros, que ainda detêm participação nesta importantíssima vinícola argentina, cujos vinhos Piantao e Eggo Tinto de Tiza merecem ser provados.

Leonardo Erazo é o proprietário e enólogo da prestigiada vinícola Alto Las Hormigas, mas mantém um projeto próprio na vinícola Revolver, que tem uma produção muito pequena, mas muito bem avaliada.

Matías Michelini, mais um dos Michelini Brothers, é sócio e enólogo da Passionate Wines, e considerado um dos melhores profissionais da atualidade na Argentina. A vinícola produz os excelentes Montesco – Agua de Roca e Vía Revolucionaria Piel. Não são vinhos fáceis de encontrar no Brasil, mas valem muito a pena. Ainda, comanda a produção da SuperUco, vinícola que possui com seus irmãos e Daniel Sammartino. Neste, produz os excepcionais Calcáreo Río de los Chacayes e Calcáreo Granito de Gualtallary, ambos varietais de Malbec e com super pontuação. E Matías ainda aparece como enólogo da Viña Los Chocos, de propriedade de Rodrigo Reina, que conta com bom portfólio.

Matías Riccitelli (filho do grande enólogo Jorge Riccitelli) tem a vinícola que carrega seu nome, e que produz os ótimos República del Malbec e The Apple Doesn’t Fall Far From The Three. Além disso, recentemente Matías foi convocado para prestar consultoria na Bodega Fabre Montmayou, que já contava com o Grand Vin, um corte de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot que vale muito a pena experimentar.

Mauricio Lorca e Gabriela Zavala são outros jovens talentos que estão à frente da enologia das vinícolas Enrique Foster (gosto muito de seu Edición Limitada) e Mauricio Lorca (que tem ótimos vinhos a serem degustados, dentre eles o Lorca Inspirado, um corte de Malbec, Syrah, Cabernet Franc e Petit Verdot).

Pablo Bassin é o enólogo da Mosquita Muerta Wines, projeto da Família Millán, cujos vinhos Mosquita Muerta Blend de Blancas e Blend de Tintas se destacam (gosto muito deste último), sem contar os ótimos Sapo de Otro Pozo e Pispi. Já provei, também, o Perro Calejero Blend de Malbec, que tam preço mais em conta, e gostei bastante. Também está à frente das vinícolas Toneles e Very Wines, do mesmo grupo familiar, sendo que a primeira também conta com ótimos resultados, principalmente com o cultivo da Malbec.

Estes são apenas alguns dos mais destacados enólogos argentinos da nova geração, sendo certo que muitos dos vinhos acima citados não são fáceis de serem encontrados no Brasil, e quando encontrados, não são baratos. Vale, portanto, uma viagem a Mendoza para conhecer estas vinícolas e provar as “joias” que eles estão produzindo.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:44Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:01
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10 ótimos vinhos de até 100 reais

Certamente o isolamento social a que estamos submetidos neste momento nos permite mais momentos com nossa família e para nos dedicarmos à enogastronomia. Assim, surge a ideia de indicar aos nossos leitores uma seleção de dez ótimos vinhos até R$ 100,00, já que nem todos podem ou querem gastar mais do que isto numa garrafa de vinho. Segue a lista.

Le Loup dans la Bergerie 2018 (R$ 79,00 na Delacroix Vinhos) – Leve, bastante frutado e de taninos macios, este vinho é da região francesa do Languedoc-Roussillon, mais especificamente perto da Montanha Pic Saint-Loup. É produzido pela Domaine l’Hortus sem a utilização de produtos químicos, e se constiui num blend contendo 80% de uvas Grenache e 20% de uvas Syrah, envelhecido por nove meses em tonéis de aço inox. É jovem, pronto para beber. Um vinho muito bom para o dia a dia, e que agrada a todos os paladares. Pode ser encomendado em www.delacroixvinhos.com.br.

Marques de Casa Concha Carmenére 2014 (R$ 98,90 no site das Lojas Americanas) – Produzido pela gigante chilena Concha y Toro, este vinho é um varietal de Carmenére, uva de origem francesa que se adaptou de forma excepcional no Chile. O paladar lembra frutas negras e, no final, um pouco de mentol. Passa 18 meses amadurecendo em barricas de carvalho francês. Encontrado em www.americanas.com.br.

Perro Callejero Malbec 2017 (R$ 99,70 na Winerie) – Vinho da excelente vinícola Mosquita Muerta, consiste num blend de Malbecs oriundas de três diferentes vinhedos e subregiões de Mendoza. Vinho encorpado, com notas de frutas vermelhas e café. Pronto para beber. Estagia por 6 meses em barricas de carvalho francês. Bom para acompanhar comidas mais “pesadas”. Um ótimo custo/benefício. Encontrado em www.winerie.com.

Espino Reserva Pinot Noir 2018 (R$ 84,90 na Wineface) – Este vinho é produzido pela chilena William Fèfre Chile, filial da prestigiada vinícola homônima de Chablis, na Borgonha. Um vinho jovem e pronto para beber, bastante frutado e de fácil de harmonizar com pratos de carnes e massas leves, e até mesmo com peixes e frutos do mar, desde que os molhos não sejam exageradamente pesados. Tenho tomado este vinho em diversas ocasiões. Perfeito para o dia a dia, quando se quer um vinho para relaxar. Pode ser encomendado em www.wineface.com.br, mas também é encontrado com preço semelhante em Laticínios Marcelo (Rua Dr. Lobo Viana, nº 54, bairro Boqueirão, em Santos).

Zuccardi Serie A Malbec 2018 (R$ 99,90 na Grand Cru) – Mais um argentino produzido por uma vinícola de respeito na região de Mendoza, e que tem influenciado demais nos rumos que os vinhos da Argentina tomaram. Seus vinhos premium sempre figuram entre os mais pontuados deste país, e, numa vinícola com tal atitude, não há produção de vinhos ruins, pois ela não se permite tamanha desfeita. O vinho apresentado é bastante estruturado, combinando perfeitamente com comidas um pouco mais pesadas. Está pronto para beber, e traz aromas de frutas negras e vermelhas, defumado e especiarias. Uma ótima opção dentro desta faixa de preços. Pode ser encontrado na loja da Grand Cru de Santos (Rua Minas Gerais, nº 17, Vila Rica, em Santos) ou em www.grandcru.com.br.

Quinta do Correio Tinto 2016 (R$ 79,14 na Decanter) – Um blend da região do Dão, em Portugal, que leva 40% de uvas Jaen, 35% de Touriga Nacional, 15% de Alfrocheiro e 10% de Tinta Roriz. Trata-se de um vinho de corpo médio e, portanto, bastante versátil em termos de harmonização, pois pode combinar com muitos pratos, sejam eles leves ou mais pesados. É produzido pela respeitada vinícola Quinta dos Roques. Bastante frutado, tem taninos bem equlibrados, o que lhe confere uma maior aceitação em pessoas que não estão procurando um vinho tão complexo, preferindo um vinho mais “fácil”. Pode ser adquirido no site da Decanter Vinhos (www.decanter.com.br) ou na Enoteca Decanter, localizado em Santos, na Rua Azevedo Sodré, nº 144, sobreloja, no Gonzaga.

Chianti Classico Castello di Radda 2016 (R$ 90,00 na Tahaa) – Os Chianti são os vinhos clássicos da Toscana, produzidos predominantemente com a uva Sangiovese (este leva 90% desta uva e mais 5% de Caniolo e 5% de Colorino). Apesar de estruturado, é um vinho que desce fácil. Tem aromas de frutas negras e tabaco. É um vinho de R$ 180,00, mas que está sempre com bons descontos, como atualmente. No site continua com o preço normal, mas pode ser encomendado pelo email [email protected], da consultora Rosa Bacigalupo.

Colonia Las Liebres Bonarda Classica 2018 (R$ 89,00 na Via Vini) – Uma das vinícolas precursoras na utilização do Malbec em Mendoza, a Altos Las Hormigas faz este vinho com a uva Bonarda, que eu particularmente gosto demais, e que já foi considerado o melhor desta casta na Argentina. Alguns especialistas dizerm que a safra de 2018 é a melhor deste rótulo. Vai muito bem com uma pizza. Pode ser encomendado por www.viavini.com.br.

Hey Malbec (R$ 89,90 – mínimo de duas garrafas – na VinhoBr) – Este vinho é realmente um achado, pois é um dos espetaculares exemplares de Matías Riccitelli, um dos expoentes da nova geração de enólogos argentinos, e que tem na veia o DNA de seu pai, o grande enólogo Jorge Riccitelli, da vinícola Norton, e que já foi considerado o melhor enólogo do mundo. Um vinho fácil, que encontra espaço para todos os paladares. Além das frutas vermelhas, expressão características de muitos Malbec argentinos, este tem tons florais e um pouco de pimenta, com taninos macios. Encontrado em www.vinhobr.com.br.

Vale da Pedra Tinto 2018 (R$ 98,00 na Vinícola Guaspari) – Está aí um grande exemplo de que é possível o vinho brasileiro ir além dos espumantes (ótimos, por sinal) sem custar muito caro (alguns rótulos são exageradamente caros pelo que oferecem). Um vinho bastante honesto e agradável, da surpreendente e cada vez meelhor Vinícola Guaspari, localizada em Espírito Santo do Pinhal, aqui no Estado de São Paulo. Vale inclusive uma visita à vinícola, que tem se preparado para receber os turistas, que já a procuram com intensidade, dada a fama que os vinhos de lá estão propagando. Este vinho é produzido 100% com uvas Syrah e passa por um estágio de 7 meses em barricas de carvalho francês. Com corpo médio, tem taninos redondos e aromas de frutas vermelhas e chocolate. Pode ser encomendado em www.loja.vinicolaguaspari.com.br.

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: sexta-feira, 15 mai 2020 10:38Atualizado em: sexta-feira, 15 mai 2020 11:02
  • VINHOS   ÓTIMOS   100 REAIS   
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Coronavírus e vinho

Não, querido leitor, o vinho não previne e nem combate a COVID-19, mas em tempos de clausura, convenhamos, de vez em quando tomar uma taça de vinho é bastante convidativo.

Algo que sempre me deu muito prazer foi tomar a taça de um bom vinho ouvindo música no sofá ou numa confortável poltrona, com luz baixa e pensando na vida, nos próximos projetos, ou simplesmente prestando atenção nos detalhes de cada instrumento musical que se harmonizam para compor a melodia. No campo da música cada um tem sua predileção, e eu sou bastante eclético neste campo (muito embora tenha um ou outro ritmo que não tenho afinidade), mas para compor a cena acima retratada, fico com o jazz, minha grande paixão. Duke Ellington, Oscar Peterson, Ahmad Jamal, McCoy Tyner e Herbie Hancock, pra ficar nos pianistas. Ella Fitzgerald, Nina Simone, Sara Vaughan e Diana Krall, na categoria das cantoras. John Coltrane, Wayne Shorter, Sonny Rollins, Charlie Parker, Stan Getz e Dexter Gordon, no saxofone. Se quiser ouvir grandes trompetistas, não deixe acionar Dizzy Gillespie, Miles Davis, Wynton Marsalis, Freddie Hubbard, Arturo Sandoval e Clifford Brown. E, por fim, se o contrabaixo for seu instrumento predileto, vá de Charles Mingus, Dave Holland, Ray Brown e Charlie Haden.

Agora, e que vinho deve estar dentro da taça? Bom, mais uma vez temos de dizer que gosto não se discute, mas se você seguir minha dica e for ouvir jazz, eu diria que não me consigo imaginar tomando vinhos de certas castas. Penso que um Pinot Noir da Borgonha ou Cabernet Franc argentino seriam ideais, por sua elegância, tal como as notas tiradas por estes grandes músicos que compõem o timaço de jazzistas. Cortes com Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc podem ser extremamente equilibrados, tal como alguns Malbec argentinos, produzidos por vinícolas de ponta. Também consigo pensar num Brunello de Montalcino ou em um Supertoscano (blends da Toscana). Por outro lado, não me vejo ouvindo jazz e tomando um Barolo ou Malbec potente. São vinhos que combinam mais com comida do que com música. Talvez para ouvir Iron Maiden, muito embora, para mim, combine mais com uma boa cerveja ou um destilado que desça “queimando”.

Mas a pergunta que não quer calar é: de que adianta essas dicas, se não posso sair de casa para comprar, e mesmo que pudesse, as principais lojas de vinho estão fechadas? Ora, você fará exatamente o que todos estão fazendo com relação a praticamente todas as compras, vai pedir pela internet ou por delivery. Aliás, tempos atrás tive a oportunidade de escrever artigo sobre o tema no Santa Gastronomia. Que tal recordamos algumas das melhores lojas virtuais, e adicionar outras que surgiram de lá para cá?

Primeiro, gostaria de exortar todos vocês a, neste momento em que principalmente o comércio local, pode sofrer grandes abalos em razão da necessidade de fechamento para o público presencial, prestigiar as lojas da Baixada Santista certamente ajuda a manter a economia minimente aquecida, minimizando os eventuais danos a estas empresas. Quase todas as lojas que vendem vinhos nas cidades do Litoral paulista estão com serviços de delivery, sendo que podemos citar Laticínios Marcelo (tel. 3234-1861), Empório Porãozinho (tel. 3233-5249), Empório Villa Borghese (tel. 3301-1508), Grand Cru Santos (tel. 3307-0467) e Empório Casa Porto (tel. 3236-1558).

Bom, mas se a opção for a compra pela internet, não há como comentar sobre o assunto vinhos sem começar pelas lojas virtuais das importadoras Mistral, Grand Cru e Decanter, pois são, sem dúvida alguma, detentoras de grandes rótulos.

A Mistral (www.mistral.com.br) tem um vasto catálogo de vinhos consagrados no Velho e no Novo Mundo, destacando-se o fato de que, por se tratar de uma das pioneiras na importação de vinhos de qualidade para o Brasil, conseguiu exclusividade de grandes produtores. Tem vinhos para todos os bolsos, e é a importadora exclusiva de alguns dos vinhos mais apreciados pelos brasileiros, que são os da vinícola argentina Catena Zapata.

Também com grande portifólio, e hoje considerada a segunda maior importadora de vinhos no Brasil, a Grand Cru (www.grandcru.com.br) tem loja física em Santos. Destaques para os vinhos espanhóis com excelente relação custo-benefício. São importadores dos vinhos argentinos Zorzal, que têm grande prestígio.

A Decanter (www.decanter.com.br) também tem uma loja física e uma enoteca no andar superior do Empório Villa Borghese. Assim como as duas importadoras anteriormente mencionadas, tem um catálogo de vinhos exclusivos muito grande, com destaques para os argentinos, chilenos e portugueses. Outras importadoras e lojas virtuais multimarcas também podem despertar interesse.

Se sua praia são os vinhos franceses, então você tem que navegar pelas lojas virtuais da importadora Juss Millesimes (www.juss-millesimes.com.br), que pertence ao ex-jogador de futebol Jussiê Vieira, que defendeu, dentre outros times, o Cruzeiro e o Bordeaux, da França. Foi justamente neste último time que o jogador se apaixonou por vinhos e, ao se aposentar em 2016, abriu uma importadora de vinhos, que, muito embora trabalhe com vinhos de outros países, concentra seu portfólio quase que exclusivamente nos franceses.

Os franceses também se fazem presentes, com exclusividade, na Delacroix (www.delacroixvinhos.com.br), que importa vinhos de várias regiões da França, e, justamente por isso, tem algum achados bem interessantes.

Ainda em se tratando de França, a Clarets (www.clarets.com.br) é pra te deixar maluco, desde que você tenha a carteira recheada. Traz, também, vinhos de outros países, dentre eles o excelente argentino Achaval-Ferrer, além de ser a importadora daquelas que são consideradas as melhores taças de vinho do mundo, as austríacas Zalto. Dá até medo de lavar essas taças, pois são finas como uma casca de ovo, e sem emendas. Junto às alemãs Riedel, são as grandes vedetes do cristal para vinhos. Com a alta do euro, no entanto, os preços das taças não estão nada convidativos.

Quem quiser provar excelentes vinhos alemães, a Vindame (www.vindame.com.br) traz grandes rótulos deste país (além de França, Chile, Argentina e Espanha). Nada a ver com aqueles vinhos alemães da década de 80, de garrafa azul e gosto horrível. A Alemanha produz grandes vinhos brancos, notadamente da uva Riesling, e ótimos Pinot Noir (bem diferentes dos franceses ou chilenos). Vale a pena conhecer.

Caso você goste de prestigiar os vinhos brasileiros, sugiro compra-los diretamente dos sites das vinícolas. Dentre as gaúchas, os sites da Miolo (www.miolo.com.br) e da Famiglia Valduga (www.loja.famigliavalduga.com.br) se destacam, sendo que esta última vende vinhos de outros países, também. Mas a dica que tenho para dar é de alguns vinhos paulistas que têm arrancado muitos elogios, e que eu aprecio bastante, que são os da Vinícola Guaspari (www.vinicolaguaspari.com.br). Seus dois Syrah, denominados Vista da Pedra e Vista do Chá, bem como o branco da casta Viognier, denominado Vista do Bosque, são muito bons. Vale a compra.

A venda de vinhos pela internet hoje é muito ampla, notadamente porque os empórios têm entrado na disputa por esse mercado, despachando suas ofertas para todo o país. Confesso que mesmo comprando vinhos pela internet há muitos anos, nunca tive qualquer problema com relação à falta de entrega do produto. Sorte minha? Talvez. Mas acho que realmente a maior parte dos comerciantes de vinhos são honestos, e não querem de forma alguma perder uma clientela que cresce a cada ano no país.

Desejo a todos muita saúde, e que possamos brevemente estar fazendo brindes em bares e restaurantes, ou na casa de nossos amigos. 

 

 

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  • Publicado por: Fernando Akaoui
  • Postado em: quinta-feira, 30 abr 2020 09:15
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