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Uma forte muralha da teledramaturgia

Entre julho de 1968 e março de 1969, a extinta TV Excelsior levou ao ar em formato de telenovela uma obra que gerações mais recentes conheceram como minissérie na Rede Globo em 2000: A Muralha. Era uma adaptação para a TV feita por Ivani Ribeiro do romance histórico de Dinah Silveira de Queiroz sobre os bandeirantes desbravando as fronteiras do País.

Em tempos que a telenovela ainda era mais simplista em muitas de suas realizações e sem cenas externas, a produção de A Muralha abusou. Três exemplos são emblemáticos: para se fazer uma sequência de 20 minutos que mostrava a luta entre paulistas e emboabas foram mobilizadas 400 pessoas, uma réplica do Porto de Santos do século 18 foi montada em Carapicuiba, na Grande São Paulo, e até índios que moravam à beira-mar em Itanhaém foram trazidos para uma das gravações.

Há outros cuidados que valorizaram a trama de época e envolvendo justamente um casal de atores na vida real: Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça.

Rosamaria utilizou lentes de contato coloridas - a novela era em preto e branco - para interpretar a personagem Isabel, uma branca criada entre os índios. Era um artifício para se diferenciar dos silvícolas, como lembrou Carolline Rodrigues no livro "Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções".

Já Mauro fez o protagonista Dom Braz Olinto e exigiu uma caracterização grande em termos de maquiagem, já que ele tinha 37 anos na época e o personagem, em torno de 70. Curiosamente, na trama refeita pela Rede Globo ele voltou a viver o papel e já na idade certa.

O espanto tomou conta de Larry Hagman, ator norte-americano que fazia sucesso como o Major Nelson do seriado Jeannie é um Gênio, então exibido no Brasil pela TV Excelsior. Ele veio ao Brasil, visitou os bastidores de A Muralha e perguntou se aquilo que estava sendo feito era cinema e se era para vender, atônito com a multidão envolvida na produção e sem imaginar que aquilo fosse somente para uma novela de televisão e exibido localmente, sem um grande retorno financeiro.

O Blog Arquivos1000 traz uma das cenas da novela A Muralha, publicada pelo canal Arquivos1000 (que possui outras imagens da trama), com o diálogo entre Cláudio Corrêa e Castro (Dom Manoel Nunes Viana) e Paulo Goulart (Bento Coutinho).

Percebam que, quando os dois atores aparecem em destaque no vídeo, fica também um terceiro, de cabelos claros e que havia chegado com Paulo Goulart: é o futuro autor de novelas Sílvio de Abreu.

“No decorrer dos capítulos, Ivani observou o meu trabalho e meu personagem foi crescendo e ganhando importância na trama. Como não fazia parte da sinopse original, foi batizado como Abreu. E assim ficou até o final da novela", contou Silvio, em depoimento ao livro "Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”.

Esta é apenas uma ínfima parte do acervo que você pode contribuir para manter vivo. O valor mínimo é R$ 20,00. Confira no link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/por-um-acervo-esportivo-jornalistico-e-de-itens-historicos-vivo?fbclid=IwAR2RVxbNmQ_pprnzsj-RR7ZJE3Dt/zWLyy8nS6UGjCo9mTh2J0XZcp2XpKhY

 

 

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  • Publicado por: Ted Sartori
  • Postado em: terça-feira, 16 jun 2020 10:25Atualizado em: terça-feira, 16 jun 2020 10:28
     
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