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A madrugada no comando

Imagine os intervalos dos filmes exibidos nas madrugadas de sábado e de domingo se transformarem em pequenos programas mostrando justamente as curiosidades da noite paulistana. Era a proposta do Plantão da Madrugada, que estreou em 1 de maio de 1982 na TV Globo de São Paulo, e mudou de nome para Comando da Madrugada no mês seguinte, com apresentação de Goulart de Andrade.

Em oito entradas (de 0h às 7h) nos intervalos da faixa de programação chamada justamente de Comando da Madrugada, que já exibia filmes nesses horários desde 1978, o apresentador literalmente chamava o telespectador, com o famoso bordão "Vem Comigo", para ir junto com ele nos mais variados lugares. Seja até um bar para ouvir boa música, acompanhar um suco sendo preparado de maneira pitoresca no balcão, mostrar a rotina da polícia nas ocorrências noturnas ou até consultar o jogo de búzios.

O Comando da Madrugada saiu da grade de programação da Rede Globo em agosto de 1983. A sessão de filmes continuou com o mesmo nome. Goulart de Andrade, então, levou o programa para outras emissoras, transformando-o em um programa longo, casos do que fez no SBT (certamente sua fase mais famosa, fora a da Globo), da Rede Manchete, da Rede Record e da Rede Bandeirantes.

Goulart de Andrade morreu em 23 de agosto de 2016, quando seu programa estava na TV Gazeta, o Vem Comigo, mas feito de um jeito diferente. Os alunos de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero faziam matérias e tinham ao seu lado o apresentador compartilhando todo seu conhecimento, experiência e estilo único.

Veja um trecho do Comando da Madrugada, ainda nos tempos da TV Globo de São Paulo, em agosto de 1982, mostrando como era a rotina policial na madrugada de São Paulo, diretamente do canal Arquivos1000, primeiro - e único até o momento - a trazer imagens do programa. E há mais por lá.

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Uma volta à vida com Leonardo Villar

Atuar é a permissão divina para que alguém seja vários em apenas uma vida. E com o ator Leonardo Villar não foi diferente. Falar do Zé do Burro, personagem principal de O Pagador de Promessas, é o mesmo que encontrar sinônimo para cinema brasileiro.

A produção, dirigida por Anselmo Duarte, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1963. No fim, Zé do Burro morre sem conseguir cumprir a promessa pela cura de seu animal, que era a de carregar uma cruz até o altar da Igreja de Santa Bárbara, parando na escadaria do templo, em meio à intransigência e à ganância de tanta gente.

Agora é o próprio Leonardo Villar que se foi, aos 96 anos. Por isso, vamos falar mais de quando ele fez um personagem voltar à vida. Isso aconteceu em 1972, durante a novela O Primeiro Amor, cartaz das 19 horas da Rede Globo na ocasião

Em 18 de agosto daquele ano, morreu Sérgio Cardoso, ator que interpretava o professor Luciano. Faltavam 28 capítulos para o fim da trama. Comoção geral em todo o País e, em meio a isso, definir o que seria feito para suprir a irremediável ausência. A solução foi recrutar um outro ator para o papel: Leonardo Villar, amigo de Sérgio desde muito antes.

Na última cena, o simbolismo: Sérgio aparecia saindo por uma porta. A cena era congelada e um texto lido por Paulo José, que também trabalhava na novela, falando sobre a trajetória do ator, explicando a substituição e quem faria isso. A porta se abre novamente e surge Leonardo Villar caracterizado como o professor Luciano, sendo recepcionado pelo elenco. Isso aconteceu no capítulo 200 de O Primeiro Amor.

O último trabalho de Leonardo Villar foi na novela Passione, da Rede Globo, entre 2010 e 2011, quando interpretou Antero e fez par com Cleyde Yáconis, no papel de Brígida e na que também acabou sendo, curiosamente, a última trama na TV na qual a atriz atuou.

Fazer um casal não era novidade para os dois. No início dos anos 1960, na TV Record, Leonardo e Cleyde atuavam juntos na série Show a Dois, com script assinado por um jovem chamado Jô Soares. E é a abertura desse programa que o canal Arquivos1000 traz no link abaixo, direto do canal Arquivos1000.

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Uma forte muralha da teledramaturgia

Entre julho de 1968 e março de 1969, a extinta TV Excelsior levou ao ar em formato de telenovela uma obra que gerações mais recentes conheceram como minissérie na Rede Globo em 2000: A Muralha. Era uma adaptação para a TV feita por Ivani Ribeiro do romance histórico de Dinah Silveira de Queiroz sobre os bandeirantes desbravando as fronteiras do País.

Em tempos que a telenovela ainda era mais simplista em muitas de suas realizações e sem cenas externas, a produção de A Muralha abusou. Três exemplos são emblemáticos: para se fazer uma sequência de 20 minutos que mostrava a luta entre paulistas e emboabas foram mobilizadas 400 pessoas, uma réplica do Porto de Santos do século 18 foi montada em Carapicuiba, na Grande São Paulo, e até índios que moravam à beira-mar em Itanhaém foram trazidos para uma das gravações.

Há outros cuidados que valorizaram a trama de época e envolvendo justamente um casal de atores na vida real: Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça.

Rosamaria utilizou lentes de contato coloridas - a novela era em preto e branco - para interpretar a personagem Isabel, uma branca criada entre os índios. Era um artifício para se diferenciar dos silvícolas, como lembrou Carolline Rodrigues no livro "Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções".

Já Mauro fez o protagonista Dom Braz Olinto e exigiu uma caracterização grande em termos de maquiagem, já que ele tinha 37 anos na época e o personagem, em torno de 70. Curiosamente, na trama refeita pela Rede Globo ele voltou a viver o papel e já na idade certa.

O espanto tomou conta de Larry Hagman, ator norte-americano que fazia sucesso como o Major Nelson do seriado Jeannie é um Gênio, então exibido no Brasil pela TV Excelsior. Ele veio ao Brasil, visitou os bastidores de A Muralha e perguntou se aquilo que estava sendo feito era cinema e se era para vender, atônito com a multidão envolvida na produção e sem imaginar que aquilo fosse somente para uma novela de televisão e exibido localmente, sem um grande retorno financeiro.

O Blog Arquivos1000 traz uma das cenas da novela A Muralha, publicada pelo canal Arquivos1000 (que possui outras imagens da trama), com o diálogo entre Cláudio Corrêa e Castro (Dom Manoel Nunes Viana) e Paulo Goulart (Bento Coutinho).

Percebam que, quando os dois atores aparecem em destaque no vídeo, fica também um terceiro, de cabelos claros e que havia chegado com Paulo Goulart: é o futuro autor de novelas Sílvio de Abreu.

“No decorrer dos capítulos, Ivani observou o meu trabalho e meu personagem foi crescendo e ganhando importância na trama. Como não fazia parte da sinopse original, foi batizado como Abreu. E assim ficou até o final da novela", contou Silvio, em depoimento ao livro "Ivani Ribeiro, a Dama das Emoções”.

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  • Publicado por: Ted Sartori
  • Postado em: terça-feira, 16 jun 2020 10:25Atualizado em: terça-feira, 16 jun 2020 10:28
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Garotos marotos travessos

Não, hoje o papo não é música, apesar do título remeter a uma canção imortalizada por Alcione. Vamos falar de um comercial tão doce quanto o produto que ele vende com extrema categoria: chocolate. Bombons Garoto, para ser exato.

A peça publicitária, chamada Sonhos e criada em 1995 pelo gênio de Washington Olivetto, mostra meninos em várias situações - e provocando outras tantas - com olhos apaixonados por mulheres mais velhas. A duração é rara: 2m30. E merece. Até esquecemos que estamos vendo um comercial, não só pela nostalgia que traz, mas por seu estilo cinematográfico de realização - e que não é à toa.

"Eu gosto muito desse filme. Ele é uma colagem de momentos mágicos da história do cinema, de coisas que a gente via em filmes como Verão de 42, por exemplo", contou Olivetto, em um DVD lançado pela extinta revista Flashback, da Editora Abril, no qual comenta criações selecionadas pelo publicitário. O blog Arquivos1000 tem todas as edições da publicação em seu acervo.

No mesmo depoimento, Washington Olivetto lembrou que escreveu este comercial fora do trabalho e com uma inspiração musical das melhores. "Eu estava em Nova York e estava tocando a canção do Sinatra 'I had the craziest dream' (usada no comercial em outra gravação) e a gente tinha que fazer o institucional da caixa amarela da Garoto. Aí, não sei o porquê, da música do Sinatra me surgiu a ideia de fazer momentos de meninos olhando mulheres mais velhas, pensando que a caixa de bombons é um dos símbolos de conquista mais tradicionais e mais acessíveis", detalha.

O politicamente correto que atualmente toma conta da mente de muitos e, por vezes, enxerga problemas em situações pueris talvez considerasse algumas cenas como assédio masculino. Prefiro seguir considerando que se tratam de garotos que estão crescendo e percebendo que suas preferências estão mudando, sem dispensar, é claro, um bom chocolate.

Melhor do que ficar contando, é assistir, nesta postagem do canal Arquivos1000 no YouTube, em cópia extraída justamente do DVD lançado pela Flashback.

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  • Publicado por: Ted Sartori
  • Postado em: sábado, 06 jun 2020 00:12Atualizado em: sábado, 06 jun 2020 00:20
  • Comercial   Bombons Garoto   Garotos   
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O Povo e o Presidente. Em 1982

Em tempos sem internet nem redes sociais, a televisão era - e continua sendo mesmo com outras tecnologias - um grande veículo de disseminação de ideias e conceitos. Imagine então o presidente da República respondendo perguntas enviadas por telespectadores uma vez por semana em 1982. Era a proposta inicial do programa O Povo e o Presidente, com apresentação de Ney Gonçalves Dias na Rede Globo, no final das noites de domingo, a partir de 30 de maio daquele ano.

A atração era gravada às quartas-feiras, no Palácio da Alvorada, com um João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, sem terno e de paletó esporte. As cartas eram selecionadas por uma equipe de repórteres e redatores montada pelo Departamento de Jornalismo da TV Globo de Brasília. Quem não entrasse na lista, também recebia resposta individual, enviada pelos Correios, com timbre da Secretaria Particular da Presidência.

Com o tempo, no entanto, a atração foi mudando de concepção, em meio às críticas da oposição e da imprensa. Primeiramente, foi interrompida por causa das transmissões dos jogos da Copa do Mundo da Espanha, entre junho e julho, e retornou em agosto.

Já em 1983, o dia de transmissão foi alterado, passando para as quartas-feiras. E não foi apenas isso: as questões eram da produção do programa e da assessoria do Palácio do Planalto. A palavra povo do título da atração estava, pelo visto, cada vez mais em desuso. Em julho, nova parada, desta vez para que Figueiredo cuidasse de problemas cardíacos. Só retornou em 21 de setembro e logo foi cancelado por alterações que seriam feitas na grade da Rede Globo.

Confira uma chamada de O Povo e o Presidente, gravada em 22 de maio de 1982, oito dias antes da estreia, ensinando como seria a mecãnica do programa, bem como indicando o local para serem enviadas as correspondências, e que está no canal Arquivos1000.

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