Umidade favorece proliferação do caramujo africano na Baixada Santista

Por Beatriz Pires em 24/05/2026 às 12:00

Reprodução/Unicamp
Reprodução/Unicamp

Com a chegada do período de chuvas e o aumento da umidade, prefeituras da Baixada Santista reforçaram o alerta para o aparecimento do caramujo africano em áreas urbanas. Embora os municípios não registrem surtos relacionados ao molusco, órgãos de saúde orientam a população sobre o manejo correto para evitar riscos de contaminação e impedir a formação de criadouros do mosquito da dengue nas conchas vazias.

Segundo o biólogo Jorge Luís, o aumento da presença do animal nesta época do ano está diretamente ligado às condições climáticas. O excesso de água faz com que o caramujo deixe seus esconderijos naturais em busca de locais secos.

“Em períodos mais quentes e secos, ele fica protegido em esconderijos que, em épocas de chuva, podem alagar e dificultar sua permanência nesses locais”, explica.

Introduzido no Brasil na década de 1980, o caramujo africano pode atingir até 10 centímetros de comprimento. A espécie é monitorada pelas autoridades de saúde por ser hospedeira potencial de parasitas que podem causar meningite eosinofílica e infecções abdominais graves.

Manejo e descarte

Além da rápida reprodução, o molusco consegue se deslocar com facilidade em superfícies úmidas, o que favorece sua dispersão em quintais, terrenos baldios e áreas com entulho. A orientação das vigilâncias sanitárias é que a retirada seja feita manualmente, sempre com proteção nas mãos, como luvas ou sacos plásticos. Após a coleta, o animal deve passar por um processo correto de descarte.

Embora o risco de transmissão dependa da presença de parasitas no animal contaminado, especialistas alertam que até o contato indireto com o muco deixado pelo caramujo pode representar perigo à saúde.

“Um simples contato, mesmo que indireto, pode trazer riscos aos seres humanos, uma vez que no ciclo parasitário o trato digestório, a saliva e as fezes do animal podem estar contaminados. Já o manejo com luvas ou instrumentos é mais seguro”, explica Luís.

As recomendações incluem:

  • Imersão em salmoura por cerca de 15 minutos;
  • Descarte em solução com água sanitária por 24 horas;
  • Envio ao lixo comum apenas após a higienização completa.

As autoridades também alertam que o caramujo africano nunca deve ser consumido ou utilizado como ornamento. O uso de sal diretamente no solo ou venenos domésticos também não são recomendados, já que pode causar impactos ambientais e intoxicação de animais domésticos.

Embora o risco de transmissão dependa da presença de parasitas no animal contaminado, especialistas alertam que até o contato indireto com o muco deixado pelo caramujo pode representar perigo à saúde.

“Um simples contato, mesmo que indireto, pode trazer riscos aos seres humanos, uma vez que no ciclo parasitário o trato digestório, a saliva e as fezes do animal podem estar contaminados. Já o manejo com luvas ou instrumentos é mais seguro”, explica o biólogo Jorge Luís.

Controle depende da população

O combate ao caramujo africano depende da eliminação dos chamados “4 As”:

  • Alimento;
  • Abrigo;
  • Água;
  • Acesso.

Como a umidade é uma característica natural da Baixada Santista, as prefeituras concentram esforços na remoção de lixo, entulho e mato alto, ambientes que funcionam como esconderijo para o molusco.

“A população e o poder público precisam trabalhar em conjunto, evitando o acúmulo de lixo e entulho”, ressalta Jorge Luís.

As estratégias variam entre os municípios. No Guarujá, por exemplo, são utilizadas barreiras químicas com cal e aplicação monitorada de lesmicidas em áreas específicas. Já em Cubatão, agentes de endemias realizam ações educativas e distribuem materiais informativos porta a porta.

Atualmente, as prefeituras de Santos, Praia Grande, Cubatão e São Vicente informam que o volume de ocorrências permanece sob controle, sem registros de surtos relacionados ao molusco. Em São Vicente, foram registrados cinco casos envolvendo ocorrências com caramujo africano desde o início de 2026.

Já em Praia Grande, o setor de Informação, Educação e Comunicação (IEC) mantém campanhas educativas itinerantes em escolas e feiras para orientar moradores sobre os riscos da espécie.

Onde buscar orientação

Em caso de aparecimento do caramujo africano em áreas residenciais, terrenos baldios ou locais com infestação, moradores podem acionar os canais das prefeituras e setores de vigilância ambiental dos municípios da Baixada Santista para receber orientações sobre manejo e descarte correto do molusco.

  • Ouvidoria Municipal de São Vicente: 0800 771 0037
  • Setor de Endemias: (13) 3422-1944

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