O metroviário Carlos Alberto Soares navegava despretensiosamente pelo Facebook, lendo publicações no feed, quando foi pego de surpresa por algo que chamou sua atenção: uma página chamada São Vicente de Outrora, que conta por meio de imagens, documentos, breves relatos e lembranças a história da Cidade de São Vicente. “Foi amor à primeira vista”, definiu.





Então curtiu e passou a acompanhar as publicações, até que se tornou rotina apreciar as imagens e tentar exercitar a memória lembrando de uma época, hoje, distante. No entanto, um dia, Carlos percebeu que ser fã de carteirinha não era mais o suficiente. Queria fazer mais. Foi aí que decidiu revisitar suas próprias relíquias e compartilhar com os outros.





O metroviário decidiu enviar para o administrador da página, através do inbox, oito sugestões de fotos e duas imagens de objetos. “Pensei em inserir meus familiares na História de São Vicente, mostrando seus hábitos, suas atividades, suas roupas. Mostrar que eles não foram e não são ‘anônimos’. Sempre me questionei o porquê de a História ser contada somente a partir da vida de famosos. Nesta versão, é diferente”, contou.





Para ele, escolher as imagens foi um processo natural e divertido, pois antes já havia promovido desafios de memória com alguns parentes. Assim, acabava levando algumas questões em momentos de descontração, perguntando sobre construções antigas e outros aspectos históricos do município.





“Em todas as imagens enviadas, sempre procuro destacar uma informação que possa ativar a memória e possibilitar a interação, o acréscimo de informações por meio das lembranças. Cada um tem uma pecinha deste imenso quebra-cabeça que é o passado. Meu prazer é ver os leitores acrescentarem novas pecinhas”, relatou ao #Santaportal.





E ele não é o único que se diverte e anseia pelas publicações.





São Vicente de Outrora no Facebook





A página São Vicente de Outrora no Facebook foi criada em março de 2017 e reúne 15 mil seguidores fieis. O espaço, que foi criado despretensiosamente pelo desenhista e artesão Silvio Elizei dos Santos, de 49 anos, é repleto de comentários positivos e relatos sobre o que estava acontecendo em São Vicente entre os anos 50 e 80.





Nascido e criado na Cidade, Silvio sempre foi interessado pela História. Com o passar dos anos, a curiosidade se converteu em amor. “O prólogo desse interesse tinha a forma de uma casa térrea em arte deco, que ficava na Rua Marques de São Vicente, 19. Ela foi demolida em 1981. Ver o trator colocando aquela obra de arte abaixo, me deu um misto de revolta e tristeza”, recordou.





Com a chegada da internet e das redes sociais, sentiu o desejo incontrolável de expor os interesses e conhecimento. Assim nasceu a página no Facebook tão apreciada pelos vicentinos.

















Depois de alguns meses, começou a perceber movimentação diferente. Viu que outros apaixonados pelo passado começaram a seguir e gostar mais de cada conteúdo postado. De início, a ideia era só mostrar sua visão sobre a história, mas a narrativa agradou.





Públicos distintos





Para Silvio, São Vicente de Outrora abrange as mais variadas idades e cada uma delas reage de um modo diferente. “Quem tem seus 70, 80 anos de idade recorda os velhos tempos com muito saudosismo e carinho, pois eram épocas de muita educação, respeito mútuo, tempos bem tranquilos, onde cada qual tinha mais tempo para as pessoas mais queridas e para si mesmo. Os mais jovens, por sua vez, se encantam com este mesmo passado de tranquilidade e respeito que se descortina diante de seus olhos”, disse.  





Cerca de 70% do conteúdo faze parte do acervo e das pesquisas do desenhista, o restante são valiosas colaborações dos seguidores, que chama de “temponautas”.





Carlos é um dos mais fiéis e pode definir o sucesso da página muito bem: “A página reúne pessoas das mais diversas idades para uma conversa, para relembrar de fatos, lembrar de parentes, amigos, atividades. A comunicação, que é tão necessária para o ser humano, passou e ainda passa por momentos difíceis com o necessário distanciamento social e as pessoas sentem necessidade de contar o que viveram e o que viram. A São Vicente de Outrora nos deu a chance de contar estas histórias, de sermos lidos e de fazer novos amigos”, concluiu.