As áreas que abrigaram os quilombos do Jabaquara, no bairro de mesmo nome, e do Pai Felipe, na encosta do Monte Serrat, em Santos, podem se tornar patrimônio cultural e histórico do município. O projeto de lei tem como objetivo resgatar e divulgar a história de resistência e luta do povo africano e seus descendentes na cidade.





“Santos foi considerada uma cidade abolicionista e tem grande importância na história de luta dos negros pela liberdade, e essa trajetória precisa ser divulgada e eternizada. É justo e necessário valorizar esses espaços de resistência, dando a eles o devido reconhecimento histórico e cultural”, destacou o vereador Fabricio Cardoso (Podemos), autor da proposta, que foi apresentada na última terça-feira (2) na Câmara Municipal.





O quilombo do Jabaquara, constituído em 1880, foi o segundo maior quilombo do Brasil e abrigou mais de 10 mil pessoas, ficando atrás apenas de Palmares, em Alagoas. A área era liderada por Quintino de Lacerda, que anos depois se tornou o primeiro vereador negro de Santos. Atualmente, no local, há uma placa que indica a localização da suposta entrada do espaço e de resquícios arqueológicos.





Já o quilombo do Pai Felipe ficava na encosta do Monte Serrat, onde está atualmente a sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos. O espaço recebeu o nome do líder de pessoas escravizadas fugidas do Engenho Nossa Senhora das Neves, que inicialmente se fixou no Quilombo do Jabaquara com seus comandados, mas deixou o local por divergências com Quintino de Lacerda.





A cidade contou ainda com outros dois quilombos: Santos Garrafão, que ficava na região da Ponta da Praia, e o Vale do Quilombo, na Área Continental, que é tombado a nível municipal e estadual.